



 No calor da seduo
  Penny Jordan
  Blackmailing the Society Bride
  As Amantes do Jet Set 3


   A atraente Lucy Blayne desapareceu da mdia desde que foram reveladas as traies e as trapaas de seu marido.
   Mas ela est determinada a reestruturar sua vida e, para isso, conta com a ajuda do conselheiro Marcus Carring, um banqueiro rico e famoso e que, alm de tudo
 solteiro convicto. Mas a proximidade de Lucy desperta nele o desejo de ser pai e de constituir uma famlia.

























   CAPTULO UM

   - Voc est dizendo que meu ex-marido arruinou meus negcios de tal forma que estamos praticamente falidos?
   Lucy olhou fixamente para seu advogado. Um susto e um medo to intensos assaltavam-na, uma sensao de que a situao em que estava envolvida era to apavorante
e insuportvel que no podia ser verdadeira.
   Mas tudo era verdade. Ela estava l, sentada de frente para o Sr. McVicar dizendo-lhe que seu ex-marido tinha arruinado de tal forma a reputao e o status financeiro
de sua empresa de organizao de eventos, que havia criado com tanto entusiasmo e prazer antes de seu casamento, deixando-a no mais vivel.
   Nick a trara sexual e financeiramente durante o breve casamento... mas, ela no o trara tambm? Culpa no iria ajud-la agora, Lucy advertiu a si mesma enquanto
lutava com o grande peso dos problemas que agora enfrentava.
   - Tenho algumas comisses de alguns eventos at o final do ano - disse ela ao seu advogado, cruzando os dedos atrs de suas costas e esperando que ele no perguntasse
quantas, j que na verdade havia to poucas.
   - Talvez, com isto em vista, o banco...?
   Seu advogado balanou a cabea. Ele gostava de sua jovem e bonita cliente e sentia muito por ela, mas em sua opinio, ela era gentil demais para o mundo imperdovel
dos negcios.
   - Sinto muito, minha querida - disse-lhe. - Como voc mesma disse, muitos clientes em potencial j cancelaram seus eventos e pediram que o dinheiro fosse devolvido,
e acho... Bem, vamos dizer apenas que vivemos em um mundo cruel, onde confiana  algo em que ningum coloca um preo.
   - E por causa do que Nick fez, ningum mais ter confiana na Prt a Party -  isto o que voc quer dizer? - Lucy perguntou-lhe com amargura. - Mesmo que Nick
no faa mais parte dos negcios, ou de minha vida, e sobretudo sendo eu quem abriu a empresa?
   O olhar solidrio do advogado foi tudo o que obteve como resposta.
   - Ouso dizer que no deveria culpar os clientes por darem para trs. Afinal de contas, suponho que aos olhos deles se eu fui estpida o suficiente para casar-me
com Nick, ento no posso ter muita credibilidade.
   Marcus. Se havia uma pessoa que gostaria de remover magicamente de sua vida e de suas memrias para sempre, esta pessoa no era Nick, mas Marcus.
   - No h nada que possa fazer para salvar meus negcios? - suplicou ela a seu advogado.
   - Se voc pudesse encontrar um novo scio - algum de estatura financeira conhecida e ntegra, de respeito e confiana, e que queira investir capital o suficiente
para saldar todas as obrigaes proeminentes da Prt a Party...
   - Mas eu tenho a inteno de pag-las sozinha. Ainda tenho dinheiro em meus fundos - interrompeu Lucy com fria.
   - Sim,  claro. Sei disso. Mas acho que saldar as dvidas, embora seja algo muito honrado a ser feito, no vai ressuscitar a confiana dos clientes em voc,
Lucy. Lamentavelmente, as atitudes de seu ex-marido prejudicaram a reputao de sua empresa de forma quase sem conserto, e o fato de suas duas scias terem deixado
a Prt a Party...
   - Mas isto foi porque as duas se casaram e tm outras responsabilidades agora,  tudo. No por qualquer outra coisa! Carly est grvida e tem um filho para cuidar,
alm de ter de trabalhar com Ricardo no orfanato que fundou. E Julia tem um novo beb para cuidar - e tambm est envolvida com a Fundao.
   - Claro, entendo. - Seu advogado acalmou-a. - Sei de tudo isto, Lucy, mas infelizmente os olhos do mundo externo - o mundo que voc quer atrair - no v isto.
Eu realmente sinto muito, minha querida. - Ele fez uma pausa. - Voc pensou em se aproximar de Marcus? Ele...
   - No! Nunca! E eu absolutamente probo voc de dizer qualquer coisa sobre isso para ele, Sr. McVicar - disse Lucy furiosa, levantando-se to abruptamente que
quase derrubou a cadeira. O pnico e a aflio agarravam-na pela garganta com tanta fora como se fosse o prprio Marcus que tivesse agarrando-a. Como ele amaria
isto. Como ele amaria dizer a ela que tinha avisado que isto iria acontecer. Teria uma lista de todas as coisas erradas que fizera, de todos os pontos nos quais
falhara.
s vezes, aos olhos de sua famlia e Marcus, Lucy sentia-se como se tivesse passado sua vida inteira fracassando. Para comear, uma filha, e no um filho - uma
filha para casar-se e no um filho para ser um herdeiro. E, embora seus pais tivessem tido um filho, Lucy de alguma maneira sempre sentiu que os deixara triste
por ter nascido primeiro e com o sexo errado. No que seus pais lhe tivessem dito que ela era uma decepo para eles, mas Lucy nascera com uma natureza sensvel
e no precisava que as pessoas lhe dissessem o que sentiam. Ela sentira a decepo de seus pais - assim como mais tarde reconhecera a irritao de Marcus em relao
a ela.
   No que algum precisasse adivinhar o que Marcus pensava ou sentia. Nunca conhecera algum to mais capaz ou descomprometido em relao a dizer exatamente o que
pensava ou sentia. Marcus deixara claro na primeira vez em que se confrontara com Lucy em seu escritrio em Londres que no aprovava o fato de o primo-av dela ter
deixado uma quantia de dinheiro to alta para ela.
   - Suponho que seja por isto que voc concordou em ser meu curador, no? Porque voc no aprova o fato de eu ter o dinheiro, e quer fazer com que a minha vida
seja a mais difcil possvel!
   - Este tipo de comentrio simplesmente confirma minha preocupao em relao ao estado mental de seu tio-av quando ele fez o testamento - fora a resposta mordaz
de Marcus.
   - Suponho que voc esperava que ele deixasse o dinheiro para voc? - retrucou Lucy.
   Como resposta, Marcus a olhara de tal forma, que seu rosto queimou.
   - No seja to infantil - dissera-lhe friamente.
 claro que naquele momento ela no se deu conta que Marcus era dono de milhes, seno bilhes, no cofre do banco de sua famlia, do qual ele era o presidente.
   O Sr. McVicar observava-a solidariamente. Ele sabia perfeitamente bem da tenso entre sua cliente e o banqueiro formidavelmente rico que seu falecido tio-av
tinha nomeado como curador do dinheiro que deixara para ela.
   Agora aquele dinheiro tinha quase todo ido embora engolido pela ganncia e aes fraudulentas do ex-marido de Lucy, e a falncia de sua uma vez bem-sucedida pequena
empresa.
   Mas em sua opinio, no havia outra pessoa melhor para ajud-la alm de Marcus, cuja sensatez para os negcios era formidvel e legendria. O prprio Sr. McVicar
insistira para que ela no concordasse com o pedido do banco de que assegurasse as finanas da Prt a Party dando como garantia sua herana, mas ela se recusara
a ouvi-lo. Moralmente, Lucy era irrepreensvel mas, infelizmente, fora ingnua demais e agora estava pagando o preo por isto.
   Ele retornou para o assunto em questo.
   - Se voc pudesse atrair um scio rico que estivesse preparado para colocar dinheiro na empresa, ento...
   - Na verdade, foi exatamente isto que eu fiz.
   Logo que as palavras saram de sua boca, Lucy perguntou-se que diabos estava fazendo. Foi a referncia a Marcus que a instigara a mentir para ele criando um
financiador em potencial? Lucy fechou os olhos reconhecendo sua vulnerabilidade. Apenas ouvir o nome de Marcus era o suficiente para incitar nela um furor defensivo.
   O Sr. McVicar pareceu tanto aliviado quanto surpreso.
   - Bem, isto  uma notcia realmente excelente, Lucy. A situao muda completamente de figura - disse-lhe com entusiasmo, to alegre que a culpa de Lucy aumentava
desconfortavelmente. - Na verdade, o melhor resultado pelo qual algum poderia esperar. Mas  obviamente algo sobre o qual devemos conversar. Acho que devemos marcar
uma reunio com seu possvel scio e os consultores legais dele ou dela o mais breve possvel. Oh, e  claro que seu banco tem de saber o que est acontecendo.
Tenho certeza de que ficaro bem mais flexveis quando souberem que tem capital a ser injetado na Prt a Party. Tambm acho que seria uma boa idia que isso fosse
a pblico, talvez at mesmo um anncio de meia pgina nestes jornais lidos com mais freqncia por seus clientes, dizendo mais uma vez que seu ex-marido no tem
mais acesso ou envolvimento algum com qualquer aspecto da Prt a Party e que, alm disso, voc agora tem um novo scio.
   Lucy sentia-se como se estivesse atolada em uma lama sem fim. Por que ela deixara que o pensamento na desaprovao de Marcus a impulsionasse a cometer tal estupidez?
Que diabos ela fizera? Como poderia admitir para o Sr. McVicar que mentira - e por qu?
   - Er, no momento no posso dizer quem ele , Sr. McVicar - comeou Lucy desconfortavelmente. -  segredo. Negociaes so... um... bem, voc sabe como ...
   -  claro. Mas devo insistir que voc se lembre, Lucy, que tempo  essencial aqui.
   Balanando a cabea positivamente, Lucy saiu do escritrio o mais rpido possvel. Como pde ter mentido daquela forma? Ia contra tudo que acreditava. Agora
se sentia culpada e envergonhada.
   Que diabos iria fazer? Precisaria de um milagre para salv-la agora. Automaticamente, virou a esquina e correu para a rua Bond, sem prestar ateno nas vitrines
das lojas de luxo. Roupas de grife no faziam exatamente o seu tipo. Gostava de roupas antigas, recuperadas nas feiras de rua e stos de casas. O tecido delas era
to vioso, senti-lo contra sua pele era algo que amava: seda verdadeira e cashmere; l, algodo e linho. Fibras artificiais podiam ser mais prticas para a vida
moderna diria da cidade, mas em muitos pontos era uma garota antiquada que almejava a volta a um estilo de vida mais calmo.
   A verdade era que secretamente no teria amado nada alm do que se casar e ter filhos, os quais ela e seu marido criariam em uma casa de campo. Invejava suas
duas melhores amigas, o casamento feliz e a nova famlia, mais do que eles ou qualquer outra pessoa podiam imaginar - afinal de contas, ela tinha seu orgulho. Foi
este orgulho que a levara a abrir a Prt a Party. O mesmo orgulho que acabara de fazer com que dissesse aquela estpida mentira, lembrou-se.
   As revistas de uma banca de jornal prxima chamaram sua ateno. Parou para examin-las. Na parte da frente, como sempre, estava a A-List Life. Lucy comeou
a rir.
   Seu excntrico dono e editor Dorland Chesterfield havia sido um grande amigo seu, contratando a Prt a Party para organizar vrios de seus eventos - eventos freqentados
por vrias celebridades. Ela at mesmo considerara pedir para que ele a ajudasse a sair da confuso na qual Nick a deixara, no fosse o fato de ela saber que se
tinha alguma coisa que podia dominar sua genuna bondade era seu amor por divulgar fofocas. A ltima coisa que precisava nesse exato momento era ter a histria
de sua runa espalhada nas pginas de A-List Life.
 claro que suas duas amigas - agora ex-scias na Prt a Party - tinham maridos extremamente ricos e as duas gentilmente ofereceram ajuda financeira, mas Lucy
no podia aceit-la. Por um lado, havia seu maldito orgulho e, por outro, no era apenas de dinheiro que precisava, mas de algum para trabalhar com ela. Receber
dinheiro para pagar as dvidas da Prt a Party era um gesto gentil, mas ela queria - na verdade, precisava - provar que no era a idiota que todos obviamente pensavam
que era e que podia tornar seu empreendimento um sucesso.
   Sim, casar-se com Nick foi um erro, e, sim, ela tinha - com Marcus implacavelmente salientara - se precipitado, mas tivera suas prprias razes para fazer aquilo.
Razes as quais nunca poderia permitir que Marcus descobrisse.
   Pegou uma A-List Life e entregou algumas moedas, dando ao vendedor um sorriso recproco antes de atravessar a rua. A luz do sol em seus cabelos naturalmente
louros na altura do ombro fez que uma Mercedes de um diplomata diminusse a velocidade para observ-la.
   Quando ganhou a calada, Lucy abriu a revista e checou rapidamente seu contedo - mais por costume do que por qualquer outra coisa. Fazia mais de trs meses
que a Prt a Party organizara um grande evento, no fora ostensivo o suficiente para ter o mrito ao espao , de uma pgina na revista de Dorland, mas para sua surpresa,
de repente viu o nome da Prt a Party sob as palavras: A Melhor Festa de Todos os Tempos de A-List Life
   Lgrimas brotaram em seus olhos. Era to tpico de Dorland fazer algo to elegante - e era generoso da parte dele republicar aquelas fotografias, ainda que ao
mesmo tempo fosse tambm uma maneira de gabar-se.
   Embora naquela poca recusara-se a admitir, sabia que seu casamento fora um erro e tambm sabia que Nick estava sendo infiel. Sabia que Nick estava a traindo,
sim, mas no sabia que ele tambm estava trapaceando seus negcios e seus clientes.
   Mesmo se suas duas melhores amigas Carly e Julia tivessem suspeitado do que estava acontecendo, mantiveram as suspeitas para elas mesmas.
   Lucy sabia que nunca seria capaz de esquecer a humilhao de ter de ficar de p em frente a Marcus enquanto ele listava com fria as atividades fraudulentas
nas quais Nick envolvera-se enquanto era o responsvel pelas finanas da Prt a Party.
   - Em primeiro lugar, por que diabos voc se casou com ele? - perguntou irritado, antes de acrescentar. - No, no se preocupe em me explicar. J sei a reposta.
Nunca ocorreu a voc que poderia transar com ele sem se casar com ele?
   O rosto de Lucy queimava agora, s de lembrar como Marcus a olhara.
   - Talvez eu quisesse mais do que sexo - ponderara ela. Ela quisera mais, certamente, mas ainda no recebera. E quanto ao sexo...seu rosto queimou novamente,
mas por uma razo diferente.
   O Nick que falara com tanta insistncia e lisonja em relao a seu desejo por ela antes do casamento, rapidamente transformara-se em um Nick que a ridicularizava
e a insultava por sua falta de experincia sexual. E quem poderia culp-lo? O esforo para manter a fantasia, o desejo ansioso por ele com o qual jogara-se no relacionamento
provara ser demais para ela conseguir sustentar quando j estavam casados. Nick a insultava por sua inexperincia sexual, alegando que ela era frgida e que o fazia
brochar.

   - Mais do que sexo? Srio? E voc realmente pensou que teria algo a mais de algum como ele? - perguntou com sarcasmo.
   -  muito fcil para voc ficar a parado e me criticar - disse-lhe Lucy ferozmente. - Mas no vejo voc tendo sucesso em um longo relacionamento!
   - Talvez seja porque escolhi no ter compromisso. Posso lhe garantir que quando eu me comprometer com algum, ser de forma bem pensada e permanente.
   Ela tentou defender-se,  claro.
   -- No foi isto... eu no... - ela comeara, mas, como  tpico de Marcus, ele recusou-se a deix-la continuar.
   - Oh, pode parar Lucy - dissera bruscamente. - Ns todos sabemos o que aconteceu. Afinal de contas, as fotografias estavam em todas as revistas de fofoca. Voc,
sem a parte de cima do biquni, atirada em Blayne, dizendo que estava preparada para se divertir.
   - Meu Deus - retaliara ela. - Voc realmente se lembra do que estava escrito.
 claro que se arrependera da declarao idiota que fizera para a revista. Mas quando voc muda de fuso horrio e faz as malas com tanta pressa que esquece de
colocar a parte de cima e de baixo dos biqunis combinando, e  descoberta por um paparazzi que no tem nada melhor para fazer e ningum para fotografar, voc
realmente d o seu melhor para fazer uma piada nessa situao difcil - especialmente quando estes mesmos paparazzis podem s vezes ser to importantes para o sucesso
de seus negcios.
   Nem todas as celebridades, no importa o que escolhem dizer em pblico, querem de fato evitar aquelas lentes. Muitos buscam os eventos e festas para serem fotografados.
Assim sendo, Lucy sentira que no podia ofender o cara que a fotografara, no importava seus prprios sentimentos.
   Se ele a tivesse visto vinte e quatro horas depois, a fotografia teria sido bem diferente. Ento, depois de uma noite decente de sono e um biquni emprestado
de Julia, provavelmente estaria em controle para dizer-lhe sinceramente que estava simplesmente tirando as muito necessitadas frias de seu trabalho estressante.
   Infelizmente, o fotgrafo colocara na cabea que a vida dela era muito mais interessante do que de fato era, e dali em diante, nem ele nem sua cmera estiveram
muito longe.
   Nick festejara a ateno. Naquele momento ela considerara aquilo como um sinal de que Nick, ao contrrio dos outros homens que namorara, seria capaz de lidar
com seu trabalho e seus efeitos em sua vida pessoal. No percebera que para Nick tudo tinha seu preo - incluindo fotografias dos dois juntos, se no dos dois transando,
o mais prximo disto possvel, desde que ela estivesse usando a parte de baixo do biquni e ele sunga de banho.
   Ela no fazia idia de que estavam tirando as fotos at que fosse tarde demais e tivessem sido publicadas. E naquela poca ela e Nick eram casados.
   Naturalmente, aos olhos do pblico, tinha de mascarar seus verdadeiros sentimentos e fingir que gostava da nova imagem de uma garota sensual, que topa tudo e
 vida por sexo, e que ficava simplesmente encantada em deixar que o mundo inteiro visse o quanto desejava seu novo marido. Mesmo que aquele novo marido a chamasse
na intimidade de frgida e intil na cama e passasse mais noites fora do casamento do que com ela.
   Ela olhou um pouco ansiosa para seu relgio. Passara mais tempo com seu advogado do que esperara, e, ainda, deveria ir  festa de aniversrio de noventa anos
de sua tia-av Alice.
   A tia Alice morava em Knightsbridge, em um enorme apartamento antigo que era sempre glido porque, apesar de ser rica, recusava-se a manter o aquecimento central
ligado.
   Ningum na famlia queria visit-la no inverno e, nem mesmo no vero, os espertos a visitavam equipados com camadas extras na forma de cardigan, pashminas ou
coisas do tipo, para precaverem-se das ventanias glidas que tia Alice insistia serem necessrias para uma boa sade e que eram a razo pela qual ainda estava em
perfeita forma aos noventa anos.
   - Ora bolas! - O primo mais novo de Lucy, John-ny, sempre alegava: a razo dela ainda estar viva  porque  sovina demais para morrer. S Deus sabe o que eu
poderia fazer com a minha parte dos milhes dela.
   - O que faz voc pensar que vai ter uma parte? - o irmo de Lucy Piers perguntou.
   -  meu destino - respondera Johnny presunosamente. - Sou o favorito dela.
   - ? Bem, voc certamente esfora-se o suficiente para isso - caoou Piers.
   Johnny tinha dezenove anos e, com seu estilo de vida levemente decadente, sua permanente falta de dinheiro e jeito aproveitador, tinha uma reputao dentro da
famlia de ser algum que estava constantemente fazendo trapaas, Lucy suspeitava que Marcus provavelmente desaprovava Johnny tanto quanto desaprovava ela.
   Marcus! Mas ela no o desaprovava, desaprovava? E esta era a causa disto, se no todas, ento certamente da maioria dos problemas de sua vida. Tinha sido, afinal
de contas, para escapar de Marcus, e do reconhecimento de que aquele amor nunca seria correspondido, que ela jogara-se nos braos de Nick. Ou era porque ainda amava
Marcus, apesar de todas as tentativas de parar de amar, que ela o tratava com hostilidade e ressentimento. Este era seu escudo, sua nica proteo contra a possvel
humilhao de Marcus - ou qualquer outra pessoa - se algum dia ele descobrisse o que ela sentia por ele.


   CAPTULO DOIS

   - Meu Deus. Est realmente quente aqui! - Lucy tirou seu cashmere assim que entrou no hall do apartamento da tia Alice.
   - Sim. Subornei Johnson, o irmo dela, para que ele ligasse o aquecedor - sorriu Piers.
   - Voc deveria ter me dito isto antes - Lucy resmungou carinhosamente enquanto abanava-se com a mo. - Qual foi a temperatura que voc pediu para ele colocar?
Est igual a uma sauna aqui dentro. As flores que trouxe para tia Alice vo murchar antes de eu dar para ela.
   - Deixa para l as flores, e quanto aos meus chocolates? - Piers disse-lhe com tristeza.
   - Piers pensou que Johnson ainda estivesse trabalhando em Fahrenheit - o pai de Lucy intrometeu-se.
   - Ento, disse a ele para colocar a temperatura a sessenta e oito graus. Nenhum de ns percebeu at que Johnson voltou e disse que o medidor s ia at os quarenta
graus.
   Lucy juntou-se s risadas de seu irmo, e de repente congelou quando a porta abriu e Marcus entrou.
   Era sua imaginao, ou houve um pequeno silncio
   - como se no apenas ela, mas todas as outras pessoas estivessem cientes de como Marcus era formidvel e imponente?
   No apenas porque era alto ou tinha os ombros largos e musculosos. Nem mesmo por causa daquela combinao de cabelos grossos e escuros e olhos cinzas impressionantes
que s vezes ficavam quase verdes.
   Ento, o que ele tinha que fazia com que no apenas as mulheres, mas os homens tambm, se virassem para olhar em direo a ele?
   Poderia ter algo a ver com o fato de que ele dirigia o Banco Mercantil que estava nas mos de sua famlia por tantas geraes? Por causa disso estava em uma posio
de grande confiana, responsvel no apenas pelo presente e futuro de seus clientes, mas, em muitos casos, tambm pelo segredo de seus antepassados.
   Mas mesmo se tirasse tudo isto dele - mesmo se tivesse entrado como um estranho - as mulheres ainda assim virariam os rostos para olh-lo, e continuariam olhando.
Lucy reconheceu. Porque Marcus era sexy. Na verdade, era muito sexy. Seu corao tentou saltar dentro do peito, mas depois percebeu que era tentar o impossvel
e acabou tristemente caindo no cho. Ela bebeu um gole na taa de champanhe que Piers entregara-lhe como uma razo para no ter de olhar para Marcus.
   Ele vestia um de seus costumeiros ternos pretos sob medida, uma camisa branca com listas azuis e gravata vermelha tpicas de um banqueiro.
   Ela bebeu outro gole de seu champanhe.
   - Quer outro? - perguntou-lhe Piers.
   Lucy balanou a cabea. Ela no bebia muito, e em seu tipo de trabalho era essencial manter a mente sempre citara. Ento, aprendera a beber um pequeno gole em
sua bebida e depois abandon-la discretamente em algum lugar. O lado positivo disso  que sempre estava sbria, sendo o negativo que seu corpo simplesmente no
estava acostumado a lidar com algo mais do que uma pequena taa de algo alcolico. Mas exatamente nesse momento, o efeito entorpecente de algumas taas de champanhe
era provavelmente o que precisava para ajud-la a lidar com a presena de Marcus, intimidadoramente perto, se no exatamente to pessoal como seu insensato corao
desejava.
   - Oh, que bom. Afinal de contas, Marcus conseguiu vir - Lucy ouviu sua me exclamar contente para a tia de Lucy. -- Charles, vai l e pede para ele juntar-se
a ns.
   - Meu Deus, est quente - disse Lucy. - Acho que  melhor eu colocar estas pobres flores na gua.
   Seu corao estava acelerado quando saiu sem ser percebida com taa de champanhe em mos, seguindo para os fundos do enorme apartamento.
   Como Johnson e a Sra. Johnson, com a ajuda apenas de uma diarista, conseguiam cuidar de um lugar desse tamanho? Lucy perguntou-se enquanto apressava-se em um
dos corredores e entrava na "sala das flores". Uma fila de vasos cheios de gua j havia sido colocada na bancada. Lucy desembrulhou seu prprio presente e ocupou-se
em colocar as flores uma a uma em um vaso.
   Estava com tanto medo assim de ver Marcus? A mo dela tremia. Realmente tinha de se fazer esta pergunta?
   Quantos anos tinha? Vinte e nove. E quanto tempo fazia desde que olhara para Marcus do outro lado da mesa do escritrio dele e percebera...?
   Lgrimas repentinamente embaaram sua viso.
   Oh, sim, ela, imediatamente, percebera que se apaixonara por ele. Mas soubera com a mesma rapidez que ele no correspondia aos seus sentimentos - que, na verdade,
quanto a ele, a presena dela na vida dele era uma inconvenincia e irritao que ele preferiria viver sem.
   Apesar disso, era jovem o suficiente para sonhar seus sonhos tolos, para fantasiar que as coisas mudariam, que um dia entraria no escritrio de Marcus e ele olharia
para ela como se quisesse arrancar as roupas dela e possu-la ali e agora. Passara momentos agradveis ouvindo as repreenses irritantes de Marcus, pois se permitia
imagin-lo levantando-se e vindo em direo a ela, pegando-a e usando sua cadeira ou sua mesa para outros fins.
   Mas a realidade era que, na verdade, era ela quem queria arrancar as roupas dele. Mas um dia olhara para ele e vira a maneira como ele a olhava. E, ento, deu-se
conta que suas fantasias ridculas e seus ainda mais ridculos sonhos romnticos eram apenas aquilo. Marcus no a queria nem a amava, e nunca a amaria. Foi quando
decidira que precisava achar outra pessoa - porque se no fizesse isso, um dia seus sentimentos iriam ser demais para ela e acabaria se humilhando ao declar-los
para Marcus.
   Certamente, um marido e depois, felizmente, uma famlia a impediria de fazer isso? Ela pensara. Mas seu casamento fora um desastre - privada e publicamente.
   Ela no era o tipo de pessoa que queria estar sozinha. Amava crianas e sempre desejou ter a sua. Sabia que um dia Marcus se casaria - e quando se casasse...um
tremor de dor atacou brutalmente suas emoes.
   Quando se casasse, forou-se a continuar, esperava estar protegida do que sabia que sentiria, pela alegria e amor que tinha por outro homem e sua famlia. Como
ela se iludira de forma tola e perigosa.
   No podia ficar ali na sala das flores para sempre, Lucy se deu conta e, com alguma sorte, Marcus poderia j ter ido embora. Dando uma ltima ajeitada nas flores,
virou-se para sair.
   Assim que abriu a porta que dava para o escritrio, a primeira pessoa que viu foi seu primo Johnny, que agarrou seu brao e anunciou avidamente,
   - timo. - Estive procurando por voc. - Mais champanhe? - Sem esperar que ela respondesse, pegou uma taa de um garom que passava e entregou-lhe.
   - Devo dizer que a velha garota no est economizando com o champanhe. Deve estar custando uma nota. Champanhe...garons. Foi voc quem organizou?
   -  Sim - disse Lucy com pesar, lembrando-se o quanto sua tia barganhara em relao aos custos, e como acabou desistindo, e sugeriu que desse a sua tia Alice o
servio como presente de aniversrio, contanto que sua tia desse o champanhe, as entradas e o pagamento dos garons. O que provavelmente explicava a falta de comida,
calculou Lucy.
   Tentou no olhar para Marcus, que estava distante, mas de frente para ela, e observando-a, podia ver, com um sorriso preso nos lbios. Ela bebeu um gole rpido
e nervoso em seu champanhe e depois outro. No podia suportar pensar no que aconteceria se Marcus algum dia soubesse da mentira idiota que dissera para o Sr. McVicar.
Na ausncia de um milagre, teria de dispor de um suposto investidor to rapidamente quanto o inventara.
   - Na verdade, Lucy, tem algo que gostaria de falar com voc.
   - O qu? - Lucy conseguiu desviar sua ateno de Marcus.
   - Preciso conversar com voc - repetiu Johnny com pacincia.
   - Precisa? Johnny, se  de um emprstimo que voc est atrs - comeou a adverti-lo - ainda no esqueci que voc ainda me deve cinqenta libras.
   - No  nada disso - Johnny assegurou-a honestamente. - O fato , doce prima, que um conhecido meu perguntou se eu no poderia apresent-lo a voc.
   - Perguntou? - disse Lucy com precauo.
   - Mmm. Pegue mais uma taa de champanhe - ele acrescentou, pegando a taa quase vazia de Lucy antes que ela pudesse recusar, e chamou um dos garons que circulavam
para que pudesse pegar para ela outra taa.
   Do outro lado da sala, o foco determinado de Marcus em direo a ela transformou-se em uma frieza que fez
   a mo de Lucy tremer tanto, que ela quase derramou o champanhe.
   - Se ele est pensando em contratar a Prt a Party para fazer um evento para ele... - comeou, tentando virar-se para assim no ver Marcus, mas no conseguiu,
pois ele tambm se movimentou.
   - No, o que ele tem em mente  investir dinheiro na Prt a Party.
   - O qu?
   - Oh, sim. Ele  um empreendedor e tanto. Ele faz montes de dinheiro. Fornece faxineiros, cozinheiros, algum para esperar o homem do gs, algum para coletar
seu lixo - todos esses tipos de coisas - para os ricos da cidade que no podem desperdiar tempo com isto. Ele viu o anncio na A-List Life e soube que voc era
minha prima e disse que a Prt a Party  exatamente o tipo de investimento que est procurando. Ento, disse que encontraria com voc hoje, e que iria sond-la.
   - Johnny... - Sua cabea estava girando e no lhe ocorreu que poderia ser o excesso de champanhe.
   - Por que voc no conversa com ele e deixa que ele mesmo explique o que tem em mente? Posso dar para ele o nmero de telefone do seu escritrio...
   Quando ela refletira que precisava de um milagre, nunca imaginara que aconteceria um - e certamente no um com esta magnitude. Ficou aliviada, quase tonta.
   - Bem, sim, tudo bem, Johnny - concordou ela agradecida.
   - timo - Johnny olhou para seu relgio, anunciando. - Deus,  esta a hora? Tenho de ir. A propsito, o nome dele  Andrew Walker.
   Ela no terminara seu champanhe, mas colocou sua taa na bandeja quando o garom passou e, distraidamente, pegou outra taa. No devia ter colocado estes sapatos
de salto-alto. Sapatos assim eram o estilo de Julia, no o seu.
   Infelizmente, o piso no era amigvel, pois estava escorregadio como um ringue de gelo.
   Ela olhou ao redor da sala, mas no conseguiu ver nem seus pais nem seu irmo, e estava pensando em dar sua escapada quando, de repente, Marcus apareceu em sua
frente, anunciando severamente:
   - Voc no acha que j chega?
   J chega do qu? Lucy queria perguntar-lhe. J chega de amar voc? J chega de querer voc e de sofrer por voc? J chega de sonhar com voc? J chega de saber
que voc nunca vai me amar? Oh, sim, j tinha o suficiente.
   - Na verdade, Marcus, no. - A dor familiar estava de volta e intensificava-se a cada segundo que tinha de passar em sua companhia. A dor agonizante a enlouquecia
de tal forma, que mal sabia o que estava dizendo.
   Marcus estava olhando para ela com um desdm e uma irritao familiares. Lucy levou um susto quando algum que estava atrs, acidentalmente, esbarrou nela. Os
efeitos vertiginosos combinados aos saltos, e de Marcus, definitivamente no eram bons para seu equilbrio, pensou Lucy miseravelmente quando Marcus agarrou seu
brao com firmeza.
   - Quantas taas de champanhe voc bebeu? - perguntou Marcus.
   - No o suficiente - respondeu Lucy com petulncia.
   Marcus olhava para ela com uma mistura de irritao e impacincia.
   - Voc mal consegue ficar de p - disse-lhe criticamente.
   - E da? - Lucy levantou a cabea. Ela estava desafiando Marcus! O que estava acontecendo com ela? Ela no conseguia se controlar. De alguma maneira, ela precisava
ver o olhar de raiva e irritao misturadas ao desdm nos olhos dele, apenas para lembr-la da futilidade que  sonhar sonhos impossveis.
   - Na verdade, acho que quero mais champanhe. Estou comemorando, voc v - disse de forma no caracterstica esvaziando sua taa antes que ele pudesse peg-la,
e olhando a sua volta em busca de um garom. Seus lbios estavam um pouco dormentes, era verdade, mas seus dedos do p tambm, e eles no tinham tido contato algum
com o champanhe, tinham?
   - Comemorando o qu? - perguntou Marcus segurando o brao dela com mais fora.
   - Um milagre - respondeu Lucy.
   - O nico milagre aqui  o fato de voc ainda estar de p - murmurou ele.
   O garom estava quase ao lado dela. Ela esticou o brao para pegar uma taa de champanhe cheia, mas Marcus chegou antes que ela pudesse levantar a taa, os dedos
da sua mo livre apertando com fora a sua.
   - Deixe isto onde est, Lucy - ordenou ele calmamente.
   - Estou com sede - protestou Lucy. Com sede do nctar do seu beijo, com sede de sentir o toque de sua boca, da sua pele, em todos os lugares. Ela olhou para a
mo dele, para os dedos longos em volta dos dela. Queria colocar sua outra mo sobre a mo dele para poder toc-lo. Queria levantar a mo dele at sua boca para
que pudesse sentir o cheiro da pele dele enquanto a explorava com os lbios e com a lngua. O desejo a queimava, saltava de nervo em nervo at que fosse tomada,
possuda por ele...
   - Acho que est na hora de irmos. - A frieza na voz de Marcus resfriou seus pensamentos superaquecidos.
   - Ns? - indagou ela.
   - Sim. Ns. J estava de sada e, a no ser que voc queira que os convidados de sua tia vejam voc esparramada no cho, acho melhor voc ser esperta e sair
comigo. Na verdade, vou insistir nisto.
   - Voc  meu curador, Marcus, no meu guardio.
   - Nesse exato momento, sou um homem muito perto do limite de sua pacincia. E, alm disso, preciso falar com voc sobre Prt a Party.
   Lucy enrijeceu o corpo defensivamente.
   - Se voc vai discursar sobre Nick novamente... - ela comeou, mas Marcus simplesmente ignorou-a e continuou como se ela no o tivesse interrompido.
   - Voc deve se lembrar que eu mencionei h um tempo atrs que minha irm Beatrice quer organizar uma festa surpresa para o aniversrio de cinqenta anos do marido
dela?
   - Sim - concordou Lucy. Beatrice era a irm mais velha de Marcus e seu marido George era algum muito importante nos mais altos escales do servio pblico.
   - Tenho de ver Beatrice no final desta semana e ela sugeriu que eu levasse voc comigo para que pudesse falar sobre a festa com voc. Acho que voc vai querer
checar sua agenda antes de marcarmos um encontro.
   Lucy estava agradecida por ter algum trabalho agora - mesmo que isso significasse passar algum tempo com Marcus.
   - Estou com a semana razoavelmente livre - respondeu com o mximo de indiferena possvel. A verdade era que tinha uma semana completamente livre.
   De alguma maneira, chegaram  porta que dava para o hall, onde sua tia j estava dando adeus para alguns de seus convidados, e era bvio que Marcus tinha toda
a inteno de arrast-la para l. Se ela casse por causa dos saltos, ele a arrastaria pelo piso?
   - Voc est caminhando rpido demais - disse-lhe sem flego, e ele parou to de repente que ela colidiu violentamente nele. Ela estava de p, o corpo colado no
dele. Ele estava com uma mo no brao dela enquanto a outra pressionava as costas dela, Ela podia sentir o perfume da colnia dele, misturada com cheiro de homem.
Quantas horas ela perdera nas lojas de departamento depois de ter sentido aquele cheiro pela primeira vez? Ela cheirava, testava e procurava, esperando poder reconhecer
e descobrir exatamente o que ele usava e, ento, compraria alguns e colocaria um pouco em seus travesseiros, ou ela mesma usaria se fosse necessrio - qualquer
coisa s para poder sentir-se mais perto dele. Mas nunca descobrira.
   Corpo a corpo com Marcus. Se ao menos, por algum milagre, ele agora a puxasse para mais perto e abaixasse a cabea para beijar sua boca - se ao menos, se ao menos...
   - Marcus, meu querido - to bom voc ter vindo. E Lucy...
   Lucy podia sentir seu rosto queimando enquanto Marcus afastava-se dela, mas continuava a segurar seu brao.
   - Uma ocasio encantadora, Alice. Obrigado por ter me convidado.
   - Meu querido, como no convidaria? Afinal de contas, sua famlia toma conta das finanas da nossa famlia desde antes da Guerra Peninsular.  claro que deveria
haver comida, mas sinto dizer que Lucy me desapontou neste aspecto.
   - Que... Ai! - protestou quando Marcus pisou nos ps dela, depois a arrastou at a rua, como se ela fosse uma prisioneira sob guarda armada, decidiu Lucy indignada.
   - Voc no est vendo que est em cima dos meus ps? - ela fez objeo.
   - Melhor meu p nos seus dedos do que seu p na sua prpria boca, voc no acha? - sugeriu Marcus.
   Lucy levou vrios segundos para se dar conta do que ele estava dizendo, mas assim que se deu conta, olhou furiosa para Marcus e disse-lhe:
   - Foi a prpria tia Alice que decidiu que no iria ter comida. No teve nada a ver comigo.
   - s vezes, voc me surpreende, sabe, Lucy - Marcus disse-lhe severamente. - Nunca lhe disseram que um pouco de tato  muito til para a reputao e manuteno
de um negcio?
   - Muito fcil falar! Voc nunca se preocupou em usar tato quando fala comigo, no?
   - Algumas situaes pedem medidas mais rgidas - respondeu Marcus severamente.
   - Se voc est se referindo ao meu casamento - comeou Lucy furiosamente, e depois parou.
   No achava seguro discutir com Marcus sobre seu casamento. A ltima coisa que queria era t-lo investigando todos os motivos de seu relacionamento com Nick.
No havia sentido em entrar em uma discusso que j sabia que no iria ganhar.
   - Voc pode me largar agora, Marcus - sibilou Lucy valentemente quando vrios segundos depois ele ainda a segurava. Mas Marcus ignorou-a, segurando seu brao
com firmeza enquanto chamava um txi e depois abria a porta para ela, quase a empurrando para dentro. Lucy moveu-se para o mais longe dele possvel quando ele sentou-se
ao seu lado.
   - Vai para onde? - perguntou o motorista do txi.
   - Praa Wendover. Numero vinte e um.
   - Rua Arncott.
   Os dois falaram juntos.
   - Decidam-se - reclamou o taxista.
   - Praa Wendover - repetiu Marcus antes que Lucy pudesse falar.
   - Seria mais fcil se ele me deixasse primeiro, Marcus.
   - Quero falar com voc - Marcus disse-lhe friamente.
   - Ento, fale - disse ela despreocupadamente.
   - Em particular - Marcus informou-lhe.
   O motorista estava virando na Praa Wendover onde havia casas elegantes com vista para uma das praas particulares mais atraentes de Londres.
   A casa de Marcus - a mesma casa em que o av e o bisav dele haviam morado. Na verdade, todos os seus antepassados at o Carring, que fundara o banco na poca
da Guerra Peninsular. A casa tinha quatro andares e duas frentes, com um jardim de fundos. Era uma verdadeira casa de famlia, e Lucy pde perceber a admirao do
taxista quando saltou do txi e destrancou a porta para eles.
   - Eu realmente espero que o que voc tem a me dizer no v demorar demais, Marcus. - Lucy estava tentando soai o mais profissional possvel, uma tarefa difcil
quando, de repente, por nenhuma razo discernvel, parecia estar enrolando a lngua e, alm disso, o movimento do txi a deixara um tanto tonta.
   - Sem a Sra. Crabtree? - ela conseguiu articular, quando Marcus abriu a porta, e no houve sinal de sua governanta.
   - Ela saiu para ficar com a filha, para ajudar a cuidar do novo beb.
   - Oh! - exclamou Lucy surpresa quando tropeou no corredor.
   - Eu disse que voc tinha bebido demais - disse Marcus severamente. - E, certamente, no est em condies de ir a lugar algum sozinha.
   A acusao dele doeu - e muito mais porque no era verdade. Ela no bebeu! Mas antes que pudesse dizer isto, ele continuou rudemente:
   - Voc no est refletindo bem, Lucy. O tipo de mulher Bridget Jones de trinta e alguma coisa e levemente embriagada j passou. A moda agora  a me comprometida
com o trabalho, marido e dois filhos - e se voc no acredita em mim, olhe para suas prprias amigas. Carly e Julia esto casadas, e as duas so mes.
   Como se ele precisasse lembr-la disto!
   - No tenho trinta e alguma coisa - disse-lhe zangada. - E, caso voc tenha esquecido, fui casada.
   - Esquecido? Como algum poderia esquecer disso?
   - E eu no bebi demais - acrescentou Lucy vigorosamente.
   O olhar de Marcus fez com que seu corpo inteiro queimasse.
   - No? Bem, tudo o que posso dizer  que se era esse o estado em que voc se encontrava quando Nick Blayne ganhou voc, no  de se admirar...
   - No  de se admirar o qu? - Lucy interrompeu-o. - No  de se admirar que eu tenha ido para cama com ele? Bem, para sua informao, eu fui para cama com ele
porque...
   - Poupe-me de seus comentrios, Lucy. - Marcus disse-lhe categoricamente. - Blayne viu voc chegando e se aproveitou, financeiramente, emocionalmente e, que
eu saiba, sexualmente tambm. Ele usou voc, Lucy, e voc deixou. Voc no percebeu quem ele era? - perguntou exasperado. - Acho que at mesmo uma virgem de dezesseis
anos teria percebido que o homem era um aproveitador.
   - Virgens de dezesseis anos provavelmente tm uma viso melhor do que as solteiras de mais de vinte - retaliou Lucy. - Eu amava Nick - mentiu.
   - Amava? Ou apenas queria ir para cama com ele?
   - Uma garota no tem de casar com um homem para transar com ele, Marcus. Nem mesmo precisa am-lo. Tudo o que precisa fazer,  simplesmente fazer.
   Ela podia ver o desprezo cintilando em seus olhos enquanto a olhava.
   - Voc faz idia de como sua declarao foi provocativa? Ou de como voc est vulnervel?
   Lucy encarou-o.
   - O que voc quer dizer com isso?
   - Quero dizer que nesse exato momento qualquer homem poderia lev-la para cama.
   - Isto no  verdade!
   - No? Quer que eu prove para voc?
   - Voc no conseguiria. - Lucy fez objeo.
   - No?
   Ele pegou-a to de repente, que ela nem mesmo teve tempo para pensar em livrar-se dele. Um minuto estava de p no hall da sua casa, no seguinte, estava nos braos
de Marcus. A boca dele veio at a sua, firme e confiante, quente do orgulho e da raiva masculinos. E ela no se importou, no se importou nem um pouquinho. Um sentimento
muito mais forte do que as bolhas de milhares de garrafas de champanhe atingiram suas emoes. Ele estava beijando-a. Marcus estava beijando-a.
   Marcus estava beijando-a.
   Marcus estava beijando-a!


   CAPTULO TRS

   - Oh. Mmm. Oh... - Lucy agarrou-se vorazmente, tanto  sensao quanto ao homem que a causava, erguendo o corpo para segurar o pescoo de Marcus com as mos.
Ela o quisera tanto e por tanto tempo para resistir a isso... este milagre dos milagres, decidiu ela impetuosamente, e aproximou-se ainda mais dele, tentando
abrandar a dor que sentia bem dentro de seu corpo, movendo seu corpo contra o dele.
   - Oh, Marcus... - suspirou, quando sentiu a inconfundvel ondulao de sua ereo pressionando-a.
   - Lucy... no! - Ele empurrou-a. Consternada e atordoada, ela olhou-o com reprovao.
   - Voc viu, este  exatamente o tipo de situao que quis evitar trazendo-a para c - disse-lhe bruscamente.
   - Se eu tivesse deixado voc ir para casa sozinha...
   - Mas e se eu no quiser evitar? - perguntou Lucy provocando-o. - E se eu quiser... - O que ela estava dizendo? Mais um minuto e ela estaria dizendo a Marcus
que era com isto que sonhava desde a primeira vez que o vira. Sonhando, cobiando, ansiando...
   - Esquea o que voc quer - disse-lhe Marcus amargamente. - O que voc precisa nesse exato momento  curar essa bebedeira.
   Humilhada, Lucy comeou a andar em direo  porta.
   - Bem, neste caso, era melhor eu ter ido para casa, no era? - disse ela com petulncia. A verdade era que embora no estivesse bbada, a taa e meia de champanhe
que bebera era muito mais do que normalmente bebia - e tambm estava de estmago vazio. No havia dvidas de que a presena de Marcus, a privacidade de sua casa
e a intensidade de seus sentimentos por ele estavam todos trabalhando para fazer com que ela colocasse em prtica os desejos ardentes que escondera por tanto tempo.
Embora estivesse tonta de desejo, ainda estava sob controle suficiente para reconhecer que o melhor lugar para ela, no momento, era algum lugar com uma cama confortvel
sem Marcus.
   - De jeito nenhum. - Marcus parou-a. - Voc pode curar a bebedeira aqui. Venha, por aqui.
   Ele a virara e estava praticamente arrastando-a a fora pelas escadas, reconheceu Lucy indignada. Ela tentou livrar-se dele, mas, para sua humilhao, perdeu
o equilbrio.
   - Certo, ento  isto - anunciou Marcus, levantando-a em seus braos para subir os ltimos dois degraus.
   Com seu rosto enterrado em seu ombro e a mo nas costas dele, sentindo perfeitamente o plo masculino que havia sobre a blusa, Lucy sentiu-se como se estivesse
se tornado uma verso sexual de Lucy no Pas das Maravilhas, jogada em um mundo mgico.
   Ainda carregando-a, Marcus abriu a porta do quarto de uma maneira um tanto hollywoodiana, empurrando-a com o sapato.
   O quarto em que estavam era, obviamente, o de hspedes.
   Marcus deslizava-a pelo seu corpo de uma maneira to deliciosa, colocando-a no cho, e tentava afastar-se dela, ela percebeu. Mas ela no permitiria.
   O choque de seus prprios pensamentos foi uma onda poderosa de adrenalina, e encheu-a de uma determinao que a tornava uma pessoa que mal reconhecia. Algum
que queria saber por que no podia ter o que queria; por que no podia fazer como os outros, e simplesmente ter o que queria? Por que, pela primeira vez na vida,
no podia colocar a si mesma e seus desejos em primeiro lugar?
   Ela nunca experimentara algo to tentador... to irresistvel. Por que ela deveria tentar resistir? Por que no aproveitar esta oportunidade? Por que no poderia
seduzir Marcus para cama? Por que no poderia fazer o que as mulheres faziam o tempo inteiro, ao invs de negar para si mesma o que desesperadamente queria? Por
que no poderia permitir-se esta nica noite?
   E amanh? Quando tivesse de encarar a raiva e a rejeio de Marcus?
   Mas isto no era o amanh. Era hoje. Era o aqui e agora. Ela j lidava com a rejeio de Marcus h anos. Por que no poderia torn-la mais agradvel com memrias
que queimariam em seus lugares mais secretos para sempre?
   - Marcus... Marcus... - sussurrou ardentemente e encostou sua boca na dele, contorcendo seu corpo o mais prximo dele possvel, alheia ao fato de que seus movimentos
fizeram com que os botes que fechavam seu vestido de seda abriram-se at sentir a presena indesejada de sua manga no meio de seus braos.
   Logo se livrou da intruso indesejada de seu vestido. Simplesmente, abaixou os braos e deixou que o vestido casse at o cho. Agora que estava livre, levantou
os braos e colocou-os em volta do pescoo de Marcus, apenas com um sapato, uma camisola de seda e calcinha. Talvez fosse ridculo, mas uma das primeiras coisas
que fizera depois da traio de Nick, e o subseqente divrcio, foi entrar em uma loja de lingerie e comprar o que toda mulher sensual tinha o direito de usar -
mesmo se seu marido a tivesse rotulado de assexual.
   Marcus estava tentando dizer-lhe alguma coisa, ela percebeu, enquanto esfregava o nariz no pescoo dele com um prazer sexual evidente. E ela podia sentir os dedos
dele apertando a pele de seus antebraos. Mas ela estava totalmente nas nuvens para prestar qualquer ateno no que ele estava tentando dizer. Por que falar? Lucy
decidiu enquanto criava ao seu redor a fantasia familiar que confortara a falta do corpo de Marcus por tanto tempo. A fantasia na qual Marcus no conseguia resistir
a ela e nem mesmo queria. Pobre Marcus. Ele provavelmente estava muito desconfortvel com todas aquelas roupas e, com certeza, cabia a ela ajud-lo a tir-las?
   Ela tentou primeiro a gravata.
   - Lucy!
   - Mmm? - Ela usara gravata na escola, como parte do uniforme, ento, com certeza, desatar o n desta...?
   - Lucy... - as mos de Marcus cobriram as dela. Lucy olhou-o e sorriu. Obviamente ele compartilhava da mesma ansiedade para livrar-se das prprias roupas e queria
ajud-la. Ela tinha a inteno de dizer isto, mas de repente ficou distrada olhando para a boca dele e depois no conseguia olhar para outro lugar.
   - Marcus - ela sussurrou o nome dele com deleite olhando e desejando sua boca.
   Erguendo o corpo, pressionou sua boca suavemente na dele. Os lbios dele estavam firmes, e ela deu beijinhos neles, mordidinhas que ficavam mais fortes  medida
que o gosto dele fazia com que precisasse de mais. As mos de Marcus largaram os braos de Lucy e seguraram sua cintura.
   Era bom ser segurada com tanta firmeza, reconheceu, mas seria ainda melhor se ele tocasse em seus seios. Com certeza, muito mais fcil, pois ela simplesmente
tiraria sua mo e a colocaria sob a seda de sua camisola e a deixaria l enquanto a lngua dela movia-se excitada em sua boca.
   - Lucy!
   O que Marcus estava fazendo? Ele no podia estar afastando-a. Freneticamente, ela esticou-se para alcan-lo, mas perdeu o equilbrio e comeou a cair na cama
que havia atrs dela.
   Marcus tentou segur-la imediatamente, mas j era tarde demais... l estava... deitada na cama, com Marcus sobre seu corpo. O peso do corpo dele a pressionava
no colcho, e era gostoso. Na verdade, era como... ele era como o cu... Ela suspirou de prazer, e colocou os braos com firmeza em volta do pescoo de Marcus pressionando
sua boca contra a dele. E depois as mos deles estavam nos cabelos dela, seus dedos firmes e calorosos em seu couro cabeludo e sua boca movia-se na dela.
   Ela achava que sabia o que era um beijo? Mas no sabia nada - menos do que nada, admitiu Lucy, com bolhas de champanhe emocionais explodindo de prazer e descrena
dentro dela, bolhas que corriam por suas veias a todas as partes de seu corpo. Mais especialmente aquelas partes de seu corpo que eram particularmente receptivas
a este tipo de prazer.
   Ento era assim sentir-se completamente excitada? Estava presa ao que Marcus estava fazendo com ela; precisava e queria mais. A ponta da lngua dele provocava
a sensibilidade de seus lbios com pequenos e atormentadores carinhos antes de entrar em sua boca com fora, no apenas uma vez, mas repetidas vezes, at que seu
corpo inteiro comeasse a tremer em resposta a esses estmulos.
   Lucy refletiu que pedira por um milagre, mas na verdade estava tendo dois! Era assim que os milagres funcionavam? Uma vez que voc tivesse afinada com os milagres,
eles continuavam vindo?
   Pequenos milagres, aqui, ali e em todos os lugares?
   - Oh, eu realmente espero ter mais - suspirou em xtase quando Marcus largou sua boca.
   - O qu? - perguntou ele, olhando-a, impaciente de desejo.
   - Mais - repetiu docemente, sorrindo de forma beatfica - queria mais, Marcus. Muito mais - enfatizou.
   Por que ele estava olhando para ela daquela forma? Como se no acreditasse no que estava ouvindo. Como se o pulsar forte de sua ereo no existisse?
   Lucy no ia permitir-se sair da fantasia.
   - Oh, sim - concordou ela. Agora que ele a beijara e ela sentira o gosto dele, seu corpo estava to fixado nele que provavelmente se rebelaria se ficasse sem
Marcus agora. Ela o queria e iria t-lo, decidiu. Ela merecia t-lo.
   - Faz tanto tempo - disse-lhe. E fazia muito, muito tempo desde a primeira vez que o olhara e o quisera. E agora o milagre estava aqui, fazendo com que fosse
possvel t-lo.  claro que ela queria mais. Mas, nesse exato momento, ela no tinha tempo para explicar tudo isso a ele porque nesse exato momento... nesse exato
momento ela tinha coisas muito mais importantes e excitantes a fazer.
   Ela olhou nos olhos dele e depois cedeu  tentao de passar sua lngua no pescoo dele. Ela ouviu-o gemer, sentiu-o tremer e depois as mos dele estavam no corpo
dela, como ela tanto desejara que estivessem, segurando seus seios enquanto ela tirava a gravata dele e seus dedos ocupavam-se em desabotoar a camisa. Seus dedos
acariciaram seus mamilos trgidos at ela gemer de prazer com o efeito que seu carinho na seda de sua camisola tinha em sua pele sensvel.
   Ela desabotoara a camisa dele e estava livre para passar sua mo dentro dela, a palma da mo no msculo de seu peito. Ergueu o rosto e beijou-lhe o pescoo, Os
dedos dele pegaram um mamilo eroticamente enquanto seus movimentos insistentes fizeram com que o outro sasse para fora da camisola. Ela moveu repetidamente a ponta
de sua lngua nos mamilos masculinos rgidos de Marcus, experimentando um e depois o outro, atormentando-se ao reconhecer o prazer que ainda estava por vir quando
passou suas mos e sua boca pelo corpo dele.
   Marcus abaixou sua cabea e beijou o pescoo dela. A ponta de seus dedos traaram o formato de sua orelha, enquanto seus dentes mordiscavam levemente o lbulo.
Um espasmo de prazer intenso e de desejo passou atravs de seu corpo, e ela, emitindo um pequeno gemido, arqueou as costas para trazer seus seios inteiros at a
mo de Marcus. Seus dedos do p tencionaram-se, e ela automaticamente abriu suas pernas em uma splica ansiosa.
   Podia sentir contra seu corpo o calor ereto de Marcus, a solidez de sua excitao enquanto o que fazia com aquela pequena parte do seu corpo estava praticamente
levando-a ao orgasmo.
   A mo dele acariciou os quadris dela e depois desceu mais, encontrando a curva de suas ndegas sob a seda de sua calcinha. Sem precisar remov-la, a mo dele
j tinha se movido para os cachos sedosos dos plos entre suas pernas e seu dedo polegar a massageava at que seus dedos comearam a provoc-la e a abri-la.
   Lucy gemeu, retorceu-se, e ergueu o corpo, depois ficou ofegante quando ele comeou a acariciar sua umidade com mos hbeis, no mesmo ritmo que os lbios dele
acariciavam-lhe os mamilos.
   Ela sentia-se como se uma corda mgica estivesse de alguma forma esticada de seu peito at sua barriga e o que Marcus fazia com ela era puxar at o ponto onde
ela queria gritar de um desejo louco para que ele fizesse mais, para que ele a levasse para mais longe.
   - Marcus, vou gozar - protestou. Mas ao invs de prestar ateno em sua advertncia e tirar suas roupas, para que pudesse deslizar para dentro dela, ele ergueu
a cabea e olhou-a fixamente enquanto seus dedos moviam-se sobre ela. Sobre ela e dentro dela. Acariciando-a, provocando-a, at que ela ficasse to quente, e to
molhada e com tanto desejo...
   - No vou gozar at que voc esteja dentro de mim - disse-lhe, ofegante, segurando-se para no gozar, os dedos fechando-se no tecido da camisa dele e o corpo
tremendo, violentamente excitado, ao perceber o quo forte ele realmente era...
   Ele despiu-se rapidamente, mal lhe dando tempo para aproveitar o prazer de ver seu corpo nu. Depois ele despiu-a e posicionou-se entre suas coxas ansiosas.
   - Posio missionria? - ela fez uma pequena careta.
   - S temos tempo para isso, se voc quer que eu esteja dentro de voc quando gozarmos - disse-lhe Marcus, antes de abaixar a cabea para beijar os seus seios
nus enquanto passava a cabea quente e dura de sua ereo em seu clitris at que ela gritasse freneticamente por ele, implorando que ele a satisfizesse.
   Lucy sentiu seu orgasmo agarr-la no terceiro impulso de Marcus, os msculos tencionando-se em volta dele para segur-lo e acarici-lo, para tirar dele o doce
suco da vida.

   Ela soube no momento em que abriu os olhos que no estava em sua prpria cama.
   Soltou um gemido um pouco desesperado, conforme os eventos da tarde e da noite anterior formavam imagens dentro de sua cabea - imagens que se forava a ver.
   Que diabos a possura para fazer com que se comportasse daquele jeito? bvio, amava Marcus e sempre o amaria, mas noite passada ela tinha... Engoliu a seco,
seu corpo queimava nas chamas das prprias memrias.
   Olhou para seu relgio. Dez da manh.
   Levantou-se da cama imediatamente. No podia ser! Sempre acordava s sete horas, no mximo - sempre. Mesmo em sua lua-de-mel.
   Mas, noite passada, com Marcus, tivera o tipo de sexo, a qualidade de sexo que definitivamente no tivera com Nick - nem durante a lua-de-mel, nem em qualquer
outro momento.
   Marcus? Onde ele estava? Ela puxou a coberta, segurando-a para que cobrisse seus seios nus, embora seu sexto sentido lhe dissesse que a casa era zona livre de
Marcus. As roupas dela, que ela lembrava envergonhadamente de ter abandonado por todos os lugares, tinha sido recolhida e dobrada - embora no pudesse ver sua calcinha
- e havia um envelope colocado na cmoda com seu nome escrito pela mo imperiosa de Marcus. Mantendo a coberta em volta do corpo, ela saiu da cama e foi at a cmoda.
Dentro do envelope havia um pedao de papel no qual Marcus escrevera rapidamente.
   Sua roupa de baixo est na secadora. No saa sem tomar caf da manh - caf, frutas, cereal etc, no armrio e geladeira. Vamos nos falar esta tarde sobre visita
a Beatrice.
   Sua calcinha estava na secadora! Que domstico, que autoritrio - tpico de Marcus.
   E como era adorvel saber que estaria limpa.
   A decorao da casa de Marcus podia ser um pouco antiquada, mas o banheiro de hspedes tinha tudo o que uma visita poderia precisar. Lucy sorriu com aprovao
quando achou uma escova de dente nova na cesta ao lado da pia, junto com uma nova escova de cabelo, um pequeno pote fechado de creme para o rosto e at mesmo desodorante.
   Felizmente, seu cabelo era naturalmente liso, ento no precisava fazer nada alm de lav-los e escov-los, pois sabia que quando chegasse ao seu escritrio estariam
secos. E mais felizmente ainda, ela podia ir direto para l e colocar uns jeans assim que chegasse. Sempre guardava roupas l caso precisasse.
   Sua cabea comeou a doer intensamente - uma combinao de ansiedade em relao ao que Marcus poderia dizer-lhe sobre noite passada e a falta de cafena, constatou
Lucy, enquanto descia as escadas em seu vestido de seda, exceto os sapatos de salto alto.
   A cozinha de Marcus era,  claro, imaculada. Depois de pegar sua calcinha na lavanderia e rapidamente vesti-la, apressou-se at a cozinha, precisando desesperadamente
de uma xcara de caf bem forte.
   Dez minutos depois, depois de procurar em todos os armrios e encontrar apenas caf descafeinado, foi forada a admitir que havia uma lacuna entra sua idia
do que era um caf preto apropriado e a de Marcus.
   Descafeinado. Ela torceu o nariz de desgosto quando se serviu de uma xcara e comeu uma banana.
   O frio no estmago no estava l apenas porque precisava de cafena. Estava l porque noite passada ela seduzira Marcus. Porque se atirara nele - e sobre ele.
Seu rosto comeou a queimar, no apenas pela vergonha que sentia. Sua mente poderia sentir-se culpada e envergonhada, e ainda temer encontrar com Marcus, mas seu
fsico estava vangloriando-se do prazer, revivendo com satisfao cada carinho ntimo e cada beijo. E, com certeza, no tinha inteno alguma de sentir qualquer
tipo de vergonha.
   Mas e o lado emocional? Lucy desejou saber tristemente ao sair de casa e seguir at seu escritrio que ficava a uma pequena distncia dali. O lado emocional estava
em meio a duas foras opostas de sua mente e corpo. Seu lado emocional dizia-lhe que amava Marcus e desejava que ele tambm a amasse. Sua mente dizia-lhe que isto
simplesmente no era possvel e advertia-lhe em relao  dor e humilhao. Seu fsico, ao contrrio, ainda estava nadando no xito triunfante do sexo que tivera
com um amante que elevara a experincia a um plano at aqui desconhecido para ela, a no ser nas fantasias e sonhos erticos.
   Lucy passou na cafeteria, onde regularmente obtinha sua dose de cafena. Para seu alvio, era a nica cliente.
   - O de sempre? - a garota de trs do balco perguntou animada.
   - Por favor, Sarah... no, faa dois - disse-lhe Lucy. - E dois brownies de chocolate tambm.
   Sarah sorriu para a Lucy.
   - Cafena e carboidrato? A noite deve ter sido boa.
   - A melhor, pelo menos, o que consigo me lembrar dela - concordou Lucy sorrindo de volta. Verdade. Tinha sido a melhor - e provavelmente permaneceria sendo a
melhor, ela lembrou-se com tristeza pegando seus cafs e os brownies, e voltando para o sol do final da manh.
   Marcus certamente no iria querer uma reprise e, agora que suas fantasias tornaram-se realidade, teria de passar o resto da vida no apenas sabendo que nunca
poderia amar outra pessoa, mas tambm sabendo que nunca mais iria querer transar com outra pessoa.
   Era terrvel ter de admitir para si mesma, Lucy pensou enquanto entrava s pressas no prdio onde ficava os escritrios da Prt a Party.
   Antes, os escritrios da Prt a Party ficavam tomados pelo barulho dos toques dos telefones, cliente ligando, pelas risadas de suas duas melhores amigas e scias.
Mas agora estavam vazios e silenciosos. Fechando a porta com os ps, Lucy lutava para no pensar em como Marcus abrira a porta do quarto noite passada - e no que
acontecera depois disso.
   Cinco minutos depois, j de calas jeans, Lucy saboreou o ltimo gole delicioso de seu caf enquanto checava seus e-mails.
   No havia novos pedidos de servio para a Prt a Party, ela viu com tristeza. A nica encomenda que tinha pendente era o lanamento de uma nova chuteira de um
fabricante de artigos de esportes que aconteceria em uma casa noturna da moda.
   J estava tudo organizado para o lanamento, mas enquanto bebia seu segundo caf, Lucy abriu os registros de produo para chec-los.
   Ela baseara o evento inteiro no logo e nas cores do fabricante. Torcedoras vestindo uma verso altamente sexy de um uniforme de futebol entreteriam os convidados
cantarolando o nome dos clientes, um novo coquetel iria ser servido, e Lucy decidira que a comida iria ser pores em miniatura da comida favorita - curry e batatinhas
em embalagens de plstico.
   Quando o telefone de repente tocou, ela olhou-o apreensivamente. Marcus. Tinha de ser! Ela atendeu-o nervosa.
   - Poderia falar com a Honorvel Lucy Blayne, por favor?
   Que alvio! Pensou Lucy corrigindo discretamente a pessoa que ligava,
   - Lucy Cardrew falando.
   - Oh, oi.  Andrew Walker, seu primo Johnny... Andr Walker. O milagre que talvez fosse salvar Prt a Party.
   - Oh, sim, claro!
   - Olha, sei que est muito em cima, mas vou ter de viajar para fora do pas amanh, ento pensei se no haveria a possibilidade de voc estar livre para almoarmos
hoje, e ento conversarmos.
   Lucy olhou para seu relgio. J passava do meio-dia.
   - Poderamos almoar a uma e meia? - sugeriu ela.
   -  timo. A brasserie na rua Pont est bem para voc?
   - Perfeito - confirmou Lucy. A rua Pont ficava praticamente na esquina de seu escritrio, e a brasserie era um de seus lugares favoritos.
   - Excelente. Ento, vejo voc l a uma e meia. Colocando o telefone no gancho, Lucy olhou para seus jeans. Teria de troc-los para algo mais apropriado a um almoo
de negcios. Seu terno Armani, provavelmente - Lucy sempre o vestia quando tinha reunies de negcios. E sempre que ia ver Marcus para pedir que liberasse mais
dinheiro de seus fundos.


   CAPTULO QUATRO

   Exatamente a uma e meia, fortalecida por mais duas xcaras de caf expresso, Lucy abriu caminho na confuso de cmeras e motos de paparazzi do lado de fora da
brasserie, esperando que celebridades chegassem e sassem. Foi imediatamente recebida pela recepcionista com um sorriso.
   - Vou almoar com a Sr. Walker, Andrew Walker?
   - O Sr. Walker j est aqui esperando na mesa - o maitre informou-lhe.
   - Oh, ngelo, voc voltou! Que maravilha. Foi bom em Sidnei com o filho e netos? - perguntou Lucy calorosamente.
   - Aquele garoto, est se dando to bem. Ele tem o prprio restaurante agora - informou-lhe ngelo com orgulho enquanto a levava para uma mesa em um lugar discreto.
   O homem que estava sentado l se levantou e aproximou-se dela, estendendo a mo.
   - Andrew Walker - apresentou-se, Lucy apertou-lhe a mo e sentou-se.
   - Ol, Andrew - Lucy Cardrew.
   Ele era um homem de altura mediana. Vestia um terno como os que Marcus usava. Mas, enquanto Marcus ir parecia completamente em casa e confortvel na formalidade
de seus ternos escuros, Andrew Walker parecia um tanto desconfortvel em suas roupas.
   Enquanto fazia sinal para o garom, ele disse a Lucy:
   - Seu primo j mencionou que eu talvez me interesse em investir em seus negcios?
   - Sim - confirmou Lucy, agradecendo ao garom pelo menu e sacudindo a cabea quando Andrew perguntou-lhe que vinho gostaria de beber.
   - Apenas gua para mim - disse-lhe com firmeza. Andrew no recomeou a falar sobre seus planos at
   que a comida j estivesse sido servida e, mesmo assim, manteve a voz baixa e conspiratria quando se curvou para dizer-lhe:
   - Tenho de ressaltar que neste estgio  imperativo que voc no fale sobre minha aproximao de voc com ningum.
   - Mas meu advogado naturalmente vai ter de saber?
   - No mximo ele, talvez. Embora eu preferia que meu advogado faa todos os acordos necessrios primeiro. - Ela sacudiu os ombros. - Descobri que o sucesso do
meu negcio resulta em as outras pessoas ficarem muito interessadas em descobrir quais sero meus prximos passos financeiros. Quanto de negcios voc tem em mo
nesse momento?
   - Muito pouco - disse-lhe Lucy honestamente. - Espero que voc saiba sobre os problemas financeiros que minha empresa teve de enfrentar depois do meu divrcio?
   -  claro.
   - Tenho um grande evento semana que vem, o lanamento de uma nova chuteira...
   - E este tipo de negcio  lucrativo?
   - Eventos empresariais so muito mais lucrativos comparados aos particulares - explicou Lucy. - Quando me pedem para organizar um evento onde um cliente quer
acesso ao meu caderno de endereos para assegurar que tenham um nmero suficiente de celebridades que lhe garantam uma cobertura mxima da mdia. Posso cobrar
mais do que quando estou organizando um evento particular, onde a lista de convidados  dada pela pessoa que est oferecendo o evento. Obviamente, qualquer tipo
de lanamento  um evento onde a presena de celebridades mais importantes  essencial. Para este evento, por exemplo, o cliente garantiu a presena da estrela
da primeira liga de futebol, que  o principal rosto da marca deles, e eu mandei convites para todos na minha lista de endereos, o que garante a cobertura da
imprensa no evento.
   - Todos sendo...? Lucy encolheu os ombros.
   - Algumas modelos de primeira linha e estrelas da TV - os nomes mais importante, no a lista B ou C - e algumas estrelas da msica, mais alguns milionrios. Pessoas
glamourosas, que valham a pena para a imprensa, e que vo acrescentar brilho ao evento.
   - Entendo... Ento, suponho que a maior parte do valor de mercado da Prt a Party est em seu caderno de endereos?
   - De alguma maneira sim - concordou Lucy.
   - Em relao  organizao de comida e bebida, local, flores, este tipo de coisa, quem  responsvel por isto?
   - Prt a Party - disse-lhe Lucy prontamente. - Sou muito rigorosa em relao ao que usar e a quem no usar. A reputao da Prt a Party foi construda baseada
na qualidade de tudo o que fornecemos - e isto inclui os servios que usamos.
   - Mmra. Voc j pensou em vender o conceito Prt a Party como uma franquia?
   - No.
   - Bem, esta  uma das reas na qual estou muito interessado. Vai ser caro comear,  claro, at que os rendimentos da franquia comecem a entrar. Mas o que eu
tenho em mente  usar os contatos que j fiz com minha empresa para construir nossa prpria empresa de servios auxiliares - para que ns possamos suprir nossas
franquias com tudo que precisam e na garantia de qualidade da Prt a Party. Compramos nossos prprios toldos e os funcionrios para levant-los. Teremos nossos garons,
copos e bebidas. Provemos os floristas, os msicos e a equipe de limpeza - na verdade, fazemos tudo e qualquer coisa que nossas franquias e os clientes precisem.
   Lucy olhou-o fixamente, a comida esquecida.
   - Isto  brilhante - disse-lhe, os olhos brilhando. - Mas vai custar uma fortuna...
   - De fato, vai. Mas acho que o retorno vai fazer com que o investimento valha a pena.
   Lucy no sabia o que dizer. O mximo que estava esperando era a injeo de capital para desencalhar a empresa, mas Andrew Walker estava falando sobre a criao
de um imprio empresarial.
   - Como j disse, gostaria que voc me garantisse que o que estamos discutindo aqui seja mantido em segredo entre ns dois nesse estgio.
   Lucy balanou a cabea.
   - Gostaria que as coisas comeassem a se movimentar o mais rpido possvel, mas, obviamente, voc vai precisar de tempo para pensar sobre minha proposta. O que
voc acha de ns nos encontrarmos novamente quando eu voltar de viagem?
   - Tudo... tudo bem - Lucy disse, lutando para conseguir soar profissional, pois estava atordoada de alegria e alvio.
   - Aqui est o meu carto - disse-lhe Andrew Walker. - Acabo de comprar uma nova propriedade em Holland Park. Est sendo reformada neste momento, mas assim que
as reformas acabarem, tenho a inteno de dar uma grande festa para meus amigos e contatos de trabalho. Se tudo correr como espero, a festa ser organizada por
Prt a Party, e ser uma maneira de apresentarmos nossa nova aventura a todo mundo.
   - Brilhante - repetiu Lucy.
   Eram trs da tarde quando Lucy voltou ao escritrio, a cabea zunindo de pensamentos e planos. Ela mal conseguia acreditar na sua sorte.
   O nico lado ruim desta maravilhosa sorte era que no podia dizer nada a Marcus. Ou, pelo menos, no | ainda. Seria um grande alvio saber que no precisaria
:| implorar para que ele mudasse de idia e permitisse que ela usasse o que sobrara de seu dinheiro para pagar as dvidas da Prt a Party. Ela olhou para o telefone.
No havia mensagem alguma de Marcus, apesar do fato de ele ter dito que entraria em contato com ela. Ele mudara de idia? Pensara sobre a noite passada e decidira
que simplesmente nunca mais iria querer v-la, a ttulo de preveno, caso ela tentasse repetir o comportamento da noite anterior?
   E se ele ligasse, o que diria?
   Precisava de um caf, Lucy concluiu.

   Marcus olhava pela janela de seu escritrio franzindo a testa. Seu pai, av, bisav e todos que vieram antes deles ocuparam este escritrio, e Marcus sempre
soube que um dia teria de se responsabilizar pelo banco e pelos clientes.  morte de seu pai, quando Marcus tinha apenas seis anos de idade, o levara a ser criado
por sua me e sua av, que deixaram-no ciente de quanto o banco era importante e que esperavam que Marcus dedicasse sua vida a ele. Aos vinte e um anos, recm sado
da Universidade, Marcus ressentira-se com esta responsabilidade, mesmo sentindo-se moralmente obrigado a aceitar. Seu av, com quase oitenta anos, precisava que
lhe fosse permitida a aposentadoria e ele tinha o dever de assumir sua posio.
   Ento, teve de colocar de lado seus sonhos de viajar pelo mundo, e focar-se no que tinha de fazer.
   Ele era quase seis anos mais velho que Lucy, e a primeira vez que ela colocara os ps em seu escritrio, seus sentimentos por ela foram uma mistura de irritao
e impacincia. Irritao porque j  tinha de lidar com muitas coisas alm de ser curadora dela, e impacincia porque vira nos olhos dela o jeito atordoado de uma
jovem prestes a desenvolver nele uma enorme e indesejada paixo.
   Marcus no se considerava presunoso. Mas j tivera relacionamentos suficientes para saber o que significava o olhar que Lucy dera para ele. Ele no tinha outra
escolha alm de fazer o que esperavam que ele fizesse e assumir o controle do banco, mas determinara-se a manter o casamento  distncia pelo maior tempo que conseguisse.
Um dia, sim, se casaria e proveria o banco de um novo administrador, mas no ainda. E certamente no tinha inteno alguma de um dia se apaixonar.
   Marcus vira de primeira mo a destruio que " apaixonar-se" podia causar. Seu prprio pai apaixonara-se quando Marcus tinha seis anos, e deixara sua esposa
- a me de Marcus - abandonando ela e seus dois filhos por causa daquele 'amor'. Ele destrura a famlia deles e fez com que Marcus se sentisse trado e desolado.
E, como no conseguira odiar seu pai que amara tanto, sua cabea de seis anos de idade, ao invs disso, voltou seu dio para o sentimento que fizera ele sair de
casa.
   Trs semanas depois de sair de casa, o pai de Marcus morreu em um acidente - junto com sua amante. Marcus chorara a morte do pai e prometera a si mesmo que nunca
cometeria o mesmo erro de seu pai. Nunca, nunca se permitiria ficar apaixonado. Por causa disso, s namorava e dormia com mulheres sofisticadas e recm-divorciadas.
Mulheres que gostavam de sexo e que eram socialmente conscientes, mulheres que entendiam as regras do jogo - mulheres, em resumo, que eram completamente o oposto
de Lucy.
   Com o passar dos anos, a irritao e impacincia iniciais que sentia por Lucy uniram-se para dar lugar a uma reao imediata que era ativada toda vez que a via,
e intensificara-se a ponto de no acreditar que ela seria capaz de se casar com Nick Blayne.
   Ela deveria ter visto quem Nick era. Mas obviamente ficara to cega pelo 'amor para se importar com isso. Amor e desejo.
   Irritao, impacincia, raiva - e, se fosse honesto consigo mesmo, talvez, um pouco de culpa?
   Culpa? Pelo que deveria se sentir culpado? No fora o responsvel pelo casamento dela com Blayne, ou os acontecimentos catastrficos que se seguiram. Fizera tudo
ao seu alcance para fazer com que Lucy no destrusse suas finanas, mas ela recusara-se a escut-lo.
   Mas, ridiculamente, ele realmente se sentia culpado. E, por alguma razo, isto fazia com que ele se sentisse ainda mais irritado e zangado com Lucy.
   Agora estava implacavelmente determinado a proteger o que sobrara de sua herana - da prpria Lucy, se fosse necessrio.
   Ficou bem claro para ele que seu acanhamento original e curiosidade sexual em relao a ele tornara-se ressentimento margeado por apreenso. Ele deixara claro
que no seria persuadido a permitir que ela sacasse o que sobrara de seus fundos, no importando o tamanho da presso que ela fizesse.
   Prt a Party estava sofrendo por ganncia e m administrao. A nica coisa que poderia salv-la agora era uma injeo massiva de capital e mos firmes em controle.
   Ele estivera de prontido e observara - primeiro de forma avaliativa, depois relutantemente, e depois com uma admirao - fez da Prt a Party um pequeno negcio
muito bom, mesmo que continuasse a irrit-lo com seu quase agressivo antagonismo ps-paixonite em relao a ele e sua recusa em escutar os conselhos dele.
   Mas tudo isto fora antes da noite passada! Levar Lucy para cama era a ltima coisa que tinha em mente quando a tirou da festa.
   Mas ele levara. E agora...
   Ele tinha quase trinta e cinco anos - uma idade na qual todos os seus antepassados j tinham se casado e eram pais de um herdeiro que iria tomar conta do banco
da famlia. Como nunca se apaixonara, era difcil para Marcus imaginar como era "estar apaixonado". Propositalmente, escolhera relacionamentos que o permitiam evitar
o casamento, mas, ao mesmo tempo, sabia que tinha de se casar. Precisava de uma esposa e de um herdeiro.
   Encontrar uma esposa no seria um problema, mas achar o tipo certo de esposa - que se adaptaria ao seu estilo de vida e entenderia seus deveres e responsabilidades.
Especialmente, quando o tipo de casamento que queria era baseado mais na praticidade do que na emoo.
   Estava na hora de achar uma esposa. Uma mulher com a qual era social e sexualmente compatvel. Uma mulher, talvez como Lucy.
   Lucy? Enlouquecera? Ela o exasperava como nenhuma outra mulher, e seu casamento com Nick Blayne apenas aumentara sua raiva em relao a ela.
   Mas noite passada, ela o seduzira e excitara como nenhuma outra mulher.
   A verdade era que Lucy precisava de proteo dela mesma. Ele certamente seria um marido muito mais seguro e adequado para ela do que um outro Nick Blayne. Um
casamento entre eles traria benefcios aos dois. Ele precisava de uma esposa, e Lucy certamente precisava de um marido - ao menos para preveni-la de repetir o mesmo
erro que fizera casando-se com Blayne.
   E Lucy amava crianas.
   Na verdade, o casamento entre os dois era inteiramente lgico em muitos aspectos. Ela entendia o mundo em que ele vivia porque tambm era o mundo dela. Os dois
queriam filhos, e sexualmente ele tivera toda a experincia que queria - mesmo se uma parte dele ainda lamentava a perda de seu sonho de adolescncia de viajar
e se aventurar.
   Estava decidido. Tinha a inteno de se casar com Lucy. E o quanto antes melhor.
   Tudo o que tinha de fazer era achar uma maneira para convencer que ela precisava se casar com ele, E Marcus sabia exatamente como fazer isto.
   A sensualidade que Lucy demonstrara noite passada o surpreendera. Lucy era uma mulher sexualmente quente, uma mulher atualmente sem um parceiro sexual em sua
vida e que claramente queria um.
   S precisava fazer com que a necessidade dela trabalhasse ao seu favor, Marcus decidiu com frieza. Foi at sua mesa e pegou o telefone.

   A luz de mensagens estava piscando em seu telefone quando Lucy retornou ao seu escritrio. Ela passara mais tempo na cafeteria do que o esperado. Seu corao
foi at a boca quando ouviu a voz de Marcus dizendo-lhe que combinara que eles visitassem sua irm e que a buscaria no escritrio s quatro horas.
   Quatro horas? Eram dez para as quatro agora.
   Treze minutos e meio depois estava descendo as escadas, o cabelo penteado, gloss nos lbios e o corao batendo como um tambor.
   - A est voc... vamos.
   No houve como fazer objeo quando Marcus pegou seu brao e apressou-se, levando-a at o carro.
   Lucy encostou a cabea em seu assento e fechou os olhos, respirando o mais devagar possvel.
   - Nosso vo sai s seis, o que significa que voc tem tempo apenas para arrumar as malas se eu lev-la a seu apartamento agora.
   - O qu? Que vo? Para onde ns vamos? - Ela abriu os olhos rapidamente e inclinou o corpo.
   - Ver Beatrice,  claro - disse Marcus com pacincia. - Lembra-se?
   - Sua irm mora em Chelsea! - protestou Lucy.
   - Na maior parte do tempo, sim. Mas ela e George tambm tm uma casa em Maiorca, e  exatamente onde est agora. Achou que seria uma boa idia se voc fosse v-la
enquanto ela est l para que vocs possam falar sobre a festa de George quando ele no estiver por perto. Ela no quer que ele descubra o que est se passando.
   Em silncio, Lucy digeriu o que ele estava dizendo. No era particularmente fora do comum fazer com que ela pegasse um avio, mas Marcus dissera bem claramente
'nosso vo', o que significava...
   - Voc tambm vai para Maiorca? - perguntou ela.
   - Tenho de conversar com Beatrice sobre alguns negcios de famlia, ento ela sugeriu que eu fosse tambm - disse-lhe Marcus calmamente. - Vamos ficar por dois
dias.
   - Vou ter de me trocar. No posso viajar vestindo este terninho.
   Marcus virou na praa Sloane, e depois cortou algumas ruas estreitas, parando em um estacionamento prximo ao bloco de apartamentos onde ela morava.
   - Vou subir com voc.
   Marcus no iria falar nada sobre a noite passada? Temera encontrar com ele o dia inteiro, preocupando-se com o que ele diria e como ela reagiria.
   Ela dissera a si mesma que o pior seria se ele simplesmente soubesse a verdade. Ela at mesmo ensaiara a cena em sua mente.
   Marcus diria: Voc est apaixonada por mim, no est?
   Lucy: - O qu? Claro que no. O que faz voc pensar que eu esteja?
   Com aquela voz seca e preocupada que usava para surtir um efeito dramtico, Marcus: - Noite passada.
   Lucy, parecendo indiferente; - Oh, meu Deus, no! S queria algum para me aquecer. Era Tudo.
   Mas evidentemente no iria ser como aconteceu.
   Deixando que Marcus a seguisse, Lucy apressou-se at a portaria com um rpido ol, e depois subiu as escadas. Seu apartamento ficava no primeiro andar e era
bem pequeno.
   Ela destrancou a porta e entrou pelo pequeno corredor. O espao fechado e sem janelas tornara-se maior e mais claro com os dois espelhos que ela pegara "emprestado"
do sto de sua casa. Uma pequena mesa, tambm resgatada no sto, ficava abaixo de um dos espelhos.
   Depois do hall, havia uma sala de estar mnima, mobiliada e decorada em vrios tons de creme.
   - Antes de fazer qualquer coisa, vou preparar um caf - Lucy disse a Marcus. - Voc quer?
   - No, obrigada. No temos muito tempo, no esquea - lembrou-a.
   - Foi voc quem organizou isso, no eu, e no vou a lugar algum sem tomar minha dose de cafena - informou Lucy a Marcus com teimosia, seguindo para a cozinha.
   - Tudo bem! Onde voc guarda seu passaporte, Lucy?
   - Na escrivaninha atrs do sof - disse-lhe Lucy da cozinha.
   Marcos abriu a escrivaninha e imediatamente viu passaportes. Dois estavam presos por um elstico. Ele tirou o elstico e abriu um, e depois desejou que no tivesse
aberto. Era o passaporte que Lucy tinha quando era casada, e a fotografia mostrava uma jovem alegre de olhos cintilantes. Seu passaporte atual, no entanto - o que
ela tirou depois do divrcio, quando voltara a usar o nome de solteira - mostrava uma jovem de rosto fino cujos olhos continham dor e desespero. Que diabos ela vira
em Nick Blayne? Como ela podia ter amado ele?
   - Voc encontrou o passaporte? - perguntou Lucy enquanto passava por ele com seu caf e abria a porta do quarto. Tirando uma pequena mala que estava debaixo da
cama e colocando-a sobre esta, comeou a abrir e pr na mala o que achava que seria necessrio.
   - Olha, enquanto voc est fazendo isso, poderia ir arrumando as suas coisas de toalete?
   Ter Marcus fora de sua viso, ao invs de parado a sua frente fazendo-a pensar na noite passada, era uma boa idia. Lucy aceitou a ajuda. Ento balanou a cabea
para Marcus e entregou-lhe uma bolsa que usava para isto.
   Lucy comeou a dobrar suas roupas com determinao.
   - Lucy, e suas plulas? ~- perguntou Marcus do banheiro.
   As plulas! Graas a Deus ele a lembrara. Ela aprendera a nunca ir a lugar algum sem suas plulas para alergia.
   - No gabinete - respondeu ela. - Segunda prateleira de cima para baixo, lado direito.
   Ela ouviu-o abrir o gabinete, e depois ele disse:
   - No consigo ach-las.
   Colocando o saco que segurava em cima da cama, Lucy entrou no banheiro.
   - Esto aqui - disse-lhe, pegando a carteia de remdios de alergia da prateleira.
   - isto no  plula anticoncepcional - Marcus fez objeo.
   Plulas anticoncepcionais?
   - No. No tomo plulas anticoncepcionais. No preciso. Nunca precisei. Nick sempre usava camisinha. Era obcecado com isso. Ele disse para mim que nunca transaria
sem usar.
   Este no era um assunto sobre o qual queria discutir com Marcus. Mas no podia evitar de pensar se o fato de ter sido to bom ter ele dentro dela noite passada
no fora porque ele estivera dentro dela peie na pele, e ela adorava essa intimidade.
   Quando Lucy apressou-se de volta ao quarto, Marcus franziu a testa. Noite passada, com uma falta de cuidado s.em precedentes, a ltima coisa que passara em sua
cabea fora a necessidade de qualquer tipo de contraceptivo ou preveno de doenas. Ele tinha de admitir que ouvir que o ex-marido de Lucy insistira em usar camisinha
era muito bom.
   Ele observou-a terminar de fazer suas malas. Podia sentir seu corpo tencionando-se e um desejo muito especfico agarrando-o. Ele a queria.
   Era para ele se concentrar em fazer com que ela o quisesse, e no se permitir quer-la.
   - Pronta? - perguntou ele concisamente. Lucy balanou a cabea em consentimento.


   CAPTULO CINCO

   O aeroporto de Palma estava sempre cheio, e hoje no era exceo. Lucy esforava-se para acompanhar Marcus que, apesar de estar segurando suas malas, conseguia
fazer com que as pessoas abrissem caminho.
   Marcus alcanara a sada, onde duas mulheres bonitas aproximaram-se dele vestindo uniforme de uma certa companhia de aluguel de carros.
   - Estava explicando a estas senhoritas que o hotel mandou um carro nos buscar - disse ele a Lucy.
   - O hotel? Que hotel? - perguntou Lucy enquanto ele comeava a andar em direo aos motoristas que esperavam com placas com nome de clientes. - Pensei que fossemos
ficar com Beatrice.
   - Pensou? A cidade  muito pequena e remota, e como Beatrice est l para supervisionar umas obras nos banheiros, no acho que seria uma boa idia esperar que
ela nos acomodasse. Fiz uma reserva no hotel. Fica em Deia, muito prximo de Residncia. E no se preocupe com a conta. Vou pagar. Ah, l est nosso motorista.
   Se ficasse nas pontas dos ps, poderia ver um motorista uniformizado segurando uma placa que dizia "Hotel Boutique, Deia".
   Lucy conhecia muito bem Maiorca, pois recentemente tornara-se o lugar para se ficar, e muitas celebridades compraram casas em um encrave exclusivo de residncias
luxuosas e hotis de alta qualidade. A Residncia era o lugar para se ficar e, pelo que tinha ouvido, o novo Hotel Boutique era ainda mais especial.
   Do lado de fora do aeroporto, o calor da noite envolveu-a como um macio cashmere.
   O motorista abriu as portas da enorme limusine Mercedes.
   Marcus sentou-se ao lado dela e o motorista fechou as portas.
   - Onde exatamente fica a casa de Beatrice? - perguntou a Marcus.
   - Nas montanhas, fora de Palma.
   - Mas fica longe de Deia - Lucy fez objeo. - No teria sido melhor ter ficado em um lugar mais prximo?
   - O Boutique tem uma reputao excelente e achei que fosse preferir ficar aqui.
   - Quanto tempo vamos levar para chegar l? - perguntou Lucy.
   - No muito. Por qu?
   - Preciso de mais uma dose de cafena. Estou deses-., perada por uma xcara de caf.
   E ele estava desesperado por ela, Marcus se viu pensando,
   - Voc quer que eu pea ao motorista para parar em algum lugar?
   Lucy balanou a cabea.
   - No, eu espero.
   Ela estava comeando a se sentir cansada, mas apesar do conforto da Mercedes, no conseguia relaxar de forma adequada - no com Marcus exatamente ao seu lado.
   O carro subia e fazia curvas em volta das montanhas, e depois comeou a descer novamente. Abaixo delas, Lucy podia ver as luzes das casas, e abaixo delas um pequeno
porto. Um carto postal.
   O Mercedes entrou em um tnel estreito. Em segundos, ou assim pareceu, estavam no foyer com cheiro de jasmim, um enorme ventilador girando e os tradicionais
azulejos terracota sob seus ps, e a decorao ecoando o melhor dos tradicionais interiores de Maiorca. As paredes brancas com quadros chamativos e tapetes em cores
de terra.
   - Se vocs seguirem Jos, ele lhe mostrar as sutes. - A recepcionista sorriu entregando a Marcus os dois cartes, e um maiorcano muito jovem e bonito apareceu
para dar-lhes assistncia.
   Enquanto estavam no elevador, Jos disse-lhes com orgulho;
   - Vocs esto com as melhores sutes do hotel. O rei da Espanha ficou l com sua famlia.
   O elevador parou, havia um largo corredor  frente dela, as paredes pintadas de branco com vrios quadros pendurados.
   Havia apenas duas portas no corredor. Jos parou na primeira delas e abriu-a, convidando Lucy a entrar.
   Quando assim o fez, seus olhos arregalaram-se. A sua frente havia um quarto enorme de teto alto, mobiliado com a tradicional madeira escura que inclua uma enorme
cama de dossel. Persianas do cho ao teto preenchiam a parede e quando Jos abriu-as, Lucy ficou sem ar. As persianas escondiam janelas de vidro alm das quais
havia um terrao particular com sua prpria piscina, e alm dela uma vista ininterrupta de mar e cu.
   - Obrigada, Jos - sorriu Lucy e deu-lhe gorjeta para que sasse e mostrasse a Marcus sua sute.
   Assim que fechou a porta, Lucy pegou o telefone e ligou para o servio de quarto. S quando pedira seu to inigualvel caf, comeou a olhar a sute detalhada-mente.
   Uma tela de madeira que podia ser dobrada separava o quarto da enorme e luxuosa banheira redonda que ficava exatamente de frente para as janelas do ptio para
que se pudesse deitar nela e olhar para o terrao e alm dele.
   Ela ouviu uma batida na porta de seu quarto. Seu caf! Maravilha! Mas quando foi abrir a porta, era Marcus.
   - Trouxe isto para voc - disse-lhe, entregando-lhe uma chave-carto. - Vou ligar para Beatrice em um minuto e marcar um encontro com ela amanh. Quanto ao jantar,
parece que tem um excelente restaurante prximo ao porto. So oito horas agora, e se eu reservar uma mesa para s dez,..?
   - Tudo bem - concordou Lucy, aliviada quando viu o garom vindo pelo corredor.
   Dez minutos depois, com seu nvel de cafena reabastecido, Lucy explorou o resto da sute.
   Alm de seu quarto-banheiro, tambm tinha um quarto de vestir e um segundo banheiro com outro chuveiro, mais bid e privada.
   Teria de se trocar antes de sair para jantar. Uma chuveirada seria mais rpido, mas no conseguiria resistir  tentao de entrar na banheira.
   Lucy estava de molho na banheira com gua morna e espuma, deleitando-se na sensualidade da experincia. Deixara as persianas abertas para que assim pudesse aproveitar
a vista, at o mar se tivesse energia o suficiente para levantar a cabea do encosto da banheira. Ao invs disso, no entanto, ela abriu os olhos e olhou para o
espelho que havia a sua frente. Havia algo irresistivelmente sensual na combinao de uma enorme banheira e um espelho. Esta era definitivamente uma sute para
amantes.
   Amantes. Havia apenas um homem que ela queria como seu amante. Apenas um homem que sempre quis, e ponto final. E este homem era Marcus.
   Marcus.
   A sute dele era como a sua? Nesse momento, estaria ele descansando em uma banheira de gua corpo nu sob a espuma de sabo? Sentiu um tremor de prazer sexual.
   Mas ela suspeitava que era mais provvel que Marcus tivesse preferido um banho de chuveiro. E ele ainda no dissera uma palavra sobre a noite passada.
   Lucy fechou os olhos e passou a gua com sabo sobre seu corpo, imaginado que ainda era a noite passada, e que Marcus estava l com ela, tocando-a, acariciando-a.
Um calor mido que no tinha nada a ver com a gua invadiu seu sexo. Isso estava ficando perigoso. Mas ela no conseguia resistir  tentao de ficar ali fantasiando,
imaginado e se lembrando. Fechou os olhos...
   Quase cara no sono na banheira! E olha a hora! J passavam das nove. Lucy saiu da banheira e pegou uma das toalhas. O espelho refletia a sua imagem - a espuma
branca escorria pelo seu corpo, cobrindo seu sexo e depois o revelando. Podia sentir o calor de seu prprio desejo. Seus dedos tocaram seu prprio corpo, acariciando
a espuma que havia em seu monte e depois descendo. Ela observava seus movimentos pelo espelho, incapaz de olhar para outro lugar. Seu corao comeou a disparar,
um desejo feroz preenchendo-a. Lenta e delicadamente, com a ponta de sua lngua pressionando seus dentes, Lucy colocou um dedo sobre seu clitris.
   Marcus... Imediatamente sua carne ficou inchada, o corao batendo com fora...
   Em algum lugar fora de sua concentrao, ela ouviu um barulho que parecia uma porta abrindo...
   Uma porta abrindo! Ela tirou imediatamente sua mo de onde estava e pegou a toalha, e percebeu que Marcus estava em seu quarto.
   Por quanto tempo ele estava ali? O que ele vira? Atrs dele, ela viu o que devia ser uma porta que ligava as duas sutes. Ele deve ter batido, mas ela obviamente
estava preocupada demais para ouvi-lo.
   - Mais quanto tempo voc vai levar para ficar pronta? - perguntou-lhe. - J so quase nove e meia.
   Lucy percebeu que ele j tinha trocado de roupa.
   - Estou quase l - respondeu ela, ficando vermelha ao perceber o duplo sentido de seu comentrio.
   -  uma longa caminhada at o porto, ento pedi que o hotel providenciasse um carro com motorista. - Marcus anunciou enquanto entravam no foyer, e Lucy olhou
paras as suas sandlias. As mesmas que havia usado na noite passada...
   Ela no era f de salto-alto, mas o vestido que usava pedia um belo sapato.
   O porto em si era pequeno e repleto de iates luxuosos - assim como os restaurantes a sua frente.
   Deram apenas alguns passos depois de sarem do carro e ela vira no mnimo uma dzia de rostos famosos entre os grupos de pessoas que j estavam sentadas nas
mesas do lado de fora dos bares e restaurantes.
   - O lugar que reservei para ns tem uma reputao por servir um peixe de alta qualidade - disse-lhe Marcus. - E, sabendo o quanto voc gosta de peixe, achei
que voc fosse preferir este a um restaurante mais tradicional.
   - Sim, prefiro - concordou Lucy, dando um pequeno bocejo.
   - Est com sono?
   - No. Acho que meu banho deve ter me deixado cansada - respondeu Lucy sem pensar e depois sentiu seu corpo inteiro tencionar-se, temendo escutar Marcus dizer
que sabia exatamente porque ela devia estar se sentindo cansada.
   Realmente no havia razo para ela se sentir envergonhada em relao a uma coisa to natural. Meu Deus, ela no conhecia mulher alguma na sua idade que no estava
preparada para trocar opinies sobre os ltimos vibradores. Mas de alguma maneira, o fato de Marcus ter visto ela quase no meio de um ato to ntimo e pessoal a
fazia realmente se sentir envergonhada. Especialmente depois da noite passada. Agora ele iria pensar que era o seu desejo por ele que a levara a tal ao.
   Ele poderia pensar isso, mas ela na verdade sabia disso, Lucy admitiu para si mesma, enquanto Marcus a guiava entre as mesas lotadas e para dentro do restaurante.
Como era tpico, Marcus conseguira reservar uma mesa com a melhor Vista possvel do porto e ele estivera certo em relao  comida, Lucy viu, quando seu pedido foi
colocado em sua frente. Ela comeou a salivar. Escalopes fritos com uma salada asiana variada. Marcus, ela observou, escolheu um fil de atum.
   - Mais vinho?
   Lucy balanou a cabea negativamente. J estava em sua segunda taa e comeando a se sentir relaxada. No precisava ou queria mais.
   Marcus s bebera duas tambm, embora ela tenha notado que, ao contrrio dela, ele no balanou a cabea quando o garom perguntou-lhe se eles queriam caf.
   - Expresso? - comentou ele depois que ela fez o podido. - Voc no vai dormir nunca.
   - Voc vai ver s - respondeu Lucy e depois ficou vermelha. Meu Deus, Marcus iria pensar que ela estava propondo alguma coisa a ele se continuasse a dizer coisas
idiotas como estas.
   V-la? Oh, ele amaria... E no apenas v-la.
   - A que horas voc disse que vamos ver Beatrice amanh? - perguntou Lucy a Marcus rapidamente, tentando soar profissional e eficiente.
   - Ela vai me ligar de manh para confirmar - disse Marcus olhando para seu relgio. - No quero te apressar, mas o carro j deve estar chegando.
   Seu caf chegara e Lucy bebeu-o com vontade, apreciando tanto seu cheiro quanto seu sabor, enquanto Marcus chamava o garom e pedia a conta.
   Ela certamente no se arriscaria a tomar outro banho de banheira depois do que aconteceu mais cedo, Lucy decidiu enquanto fechava a porta de sua sute e tirava
as sandlias. Ao invs disso, tomaria um banho de chuveiro.
   Depois da noite passada, e de Marcus quase a vendo tocar-se, ela devia ter ficado nervosa a noite inteira, mas, ao contrrio, sentiu-se muito relaxada - to relaxada,
na verdade, que em algumas ocasies at mesmo dera risada. Marcus provou ser uma companhia divertida e interessante, e ela ficara triste quando a noite chegou
ao fim - e no apenas porque teria preferido acab-la nos braos de Marcus, na cama de Marcus.
   Ela despiu-se rapidamente e entrou no chuveiro.
   Assim que acabou, colocou o roupo de banho, quando ouviu uma batida na janela do ptio. Percebeu que Marcus estava do lado de fora, acenando para ela. Como
ela, ele tambm estava vestindo roupo, Marcus tinha obviamente vindo da sua sute, e ela se deu conta que dividiam o mesmo terrao.
   - Marcus, estava quase indo para cama - protestou.
   Ele ignorou-a, pegando seu brao.
   - Venha ver isto - disse ele levando-a ao parapeito do terrao.
   - Ver o qu? - perguntou ela, e depois ficou imvel, um leve Oh! de admirao escapando de seus lbios quando viu, em uma das residncias que havia abaixo do
hotel, fogos de artifcio explodirem no cu.
   - Fogos de artifcio - sussurrou ela, encantada.
   - Lembrei-me do quanto voc gosta - sorriu Marcus.
   - So mgicos, como champanhe no cu - respondeu Lucy. - Algum deve estar celebrando alguma coisa.
   Como ele queria celebr-la, pensou Marcus. Mas de um jeito muito mais ntimo. Ele criaria, com prazer, fogos de artifcio sexuais, se assim ela permitisse.
   Uma outra exploso de estrelas seguiu-se da primeira, desta fez um chuveiro branco e prata no cu negro da noite.
   Ela parecia uma criana, agitada e encantada, refletiu Marcus, quando ela apoiou-se na balaustrada. Mas no era uma criana.
   Lucy podia sentir Marcus atrs dela, o calor de seu corpo tirando dela a brisa fresca da noite e fazendo com que quisesse se apoiar nele... pele contra pele...
enquanto os fogos de artifcio iluminavam o cu e seu prprio desejo explodisse dentro dela. Ela olhou para baixo, Marcus estava se inclinando para ter uma viso
melhor dos fogos, as mos do lado das dela, e, assim, ela ficou cercada entre o corpo dele e o parapeito.
   Uma exploso de ouro e vermelho apareceu na escurido antes de cair na terra...
   - Oh, Marcus... - Sem pensar, ela virou-se. Ele estava to perto dela. To perto.
   - Marcus... - Ela olhou para sua boca e engoliu a seco.
   Oh, Deus, mas ela o queria.
   - Acabou.  melhor eu entrar - disse-lhe, quase o empurrando de seu caminho em seu desejo desesperado de livrar-se dele antes de fazer algo ainda mais estpido
do que j tinha feito.
   Estava com tanta pressa que no percebeu que ele a seguira, entrara na sua sute e j estava fechando a porta do ptio.
   No conseguia nem se mexer quando ele comeou a caminhar em direo a ela, sua boca de repente ficou seca demais para falar, e as pernas fracas demais para se
movimentarem.
   Em absoluto silncio, ele pegou a mo dela e puxou-a com ele at a banheira e depois ela, at que os dois estivessem de p em frente ao espelho. Exatamente onde
estava mais cedo, quando ele...
   Ela ficou vermelha e depois branca quando ele pegou-a em seus braos e comeou a beij-la, segurando seu rosto nas mos, at que esquecesse de tudo, menos  do
desejo de ter a boca dele na dela, por mais tempo e com mais fora. As mos dela levantaram para cobrir os ombros dele, os dedos afundando-se em seus msculos. Ela
sentiu a mo dele em seu corpo, tirando o robe de seus ombros. Ela imediatamente deixou seus braos carem para que pudesse livrar-se do robe.
   Lentamente, Marcus virou-a novamente e puxou-a para que suas costas se encostassem a seu corpo e ela ficasse de frente para o espelho. As mos dele percorreram
seu corpo, acariciando sua pele, segurando seus seios, enquanto seus mamilos intumesciam-se avidamente ao seu toque, e a boca provocava os lugares sensveis atrs
de sua orelha.
   O corpo inteiro dela curvava-se, ofegante de desejo ertico. Lucy fechou os olhos - um pouco chocada com a viso de sua prpria excitao e os movimentos erticos
das mos de Marcus em seu corpo. Estava to excitada que gostaria que ele a possusse ali mesmo. Que a empurrasse para frente at que pudesse encostar as mos no
espelho, seu cabelo casse sobre seu rosto e ele abrisse suas coxas, colocando as mos em seus quadris enquanto penetrava no corao de sua feminilidade em uma
posio to sensual, to chocante, to primitiva e imediata.
   Ela est mida, to mida, to quente e latejante, os msculos tremendo em antecipao do prazer e satisfao que seu corpo desejava,
   - Abra os olhos, Lucy, e olhe para o espelho. Ela abriu bem devagar.
   Marcus acariciava seus ombros nus, as mos descendo para pegarem em seus seios enquanto beijava seu pescoo. A sensao de seus dedos nos seus sensveis mamilos
fez com que ela gritasse e se curvasse para trazer seus seios para mais perto de seus carinhos enquanto pressionava suas ndegas contra ele em movimentos vidos
e prementes.
   - Est gostoso?
   A voz dele parecia estar mais grossa. Ele mexia seus mamilos eroticamente, a pele bronzeada dele em contraste com a sua plida.
   As mos dele desciam, sobre suas costelas, mais abaixo... Lucy suspirava e contorcia-se, fechando os olhos em antecipao.
   - No...abra os olhos e me observe - insistiu Marcus.
   Ele estava acariciando o sexo dela. Lucy no conseguia tirar o olhar do movimento das mos dele. Seu corao comeou a disparar quando ele abriu sua pele macia
- exatamente como ela havia feito mais cedo. Ela olhou o espelho e viu nos olhos dele que ele a vira, sabia o que ela estava pensando. O que ela estivera prestes
a fazer...
   - Assim no  melhor? - perguntou calmamente. - Por que dar prazer a voc mesma, quando eu posso fazer para voc?
   A boca dele acariciava o lugar mgico logo abaixo de sua orelha e seu corpo inteiro ficou agitado.
   - Voc sabia que as terminaes nervosas deste lugar aqui esto diretamente conectadas com as terminaes nervosas daqui? - ouviu-o sussurrar em seu ouvido
enquanto beijava sua pele e acariciava com os dedos a carne mida e rosa de seu sexo, massageava seu clitris com a ponta de seu dedo polegar.
   Uma vez. Duas. E depois mais rpido. At que ela ficasse ofegante e seu corpo inteiro tremesse  espera do orgasmo.
   Ela no conseguia se mover. No conseguia nem mesmo ficar de p. Sentia-se mole, sem peso... e satisfeita. Marcus pegou-a em seus braos e carregou-a at a cama.
   Somente quando ele a tinha colocado na cama e tirado o prprio roupo, somente quando seu desejo direcionara seus dedos para pegar a sua ereo, e ela se permitira
aproveitar o que o delicioso prazer de toc-lo liberava em cada um de seus sentidos, ela disse incerta:
   - Marcus, acho que no devamos estar fazendo isso...
   - Por que no? Voc gostou da noite passada, no gostou?
   Claro que ela tinha gostado. Mas no era essa a questo.
   E, no entanto, ela murmurou meio tonta:
   - Oh, sim, gostei.
   - Eu tambm. Ento no existe problema algum, existe?
   - No, acho que no - concordou Lucy.
   Como poderia haver qualquer tipo de problema quando Marcus a tocava dessa forma? Beijando-a dessa forma? " Mmm" - ela suspirou com felicidade na boca dele, e
depois envolveu seus braos com firmeza em volta dele.


   CAPTULO SEIS

   Lucy olhou para o travesseiro prximo ao seu. Ainda estava amassado de ter tido a cabea de Marcus dormindo nele. Ela esticou a mo e passou suavemente no travesseiro,
um sorriso de felicidade curvando sua boca. A noite passada foi to maravilhosa - o que fizera com que fosse ainda mais maravilhosa tinha sido cair no sono aconchegada
nele. Ela acordara vrias vezes durante a noite, apenas pelo prazer de saber que ele ainda estava l.
   Mas ele no estaria l para sempre, estaria? Ela no fazia idia do que levara Marcus a esta breve e inesperada aventura sexual, mas j sabia o quanto iria doer
quando ele se cansasse disso - e dela. No queria Marcus para um caso rpido. O queria por toda a vida. O desespero inundou sua euforia anterior.
   - Vamos l, dorminhoca, acorde. Pedi o caf da manh e daqui a pouco vai chegar.
   Marcus! Lucy sentou-se na cama e cobriu os seios com o cobertor, ciente da expresso entretida de Marcus. Ele sentou-se ao lado dela, tirou sua "proteo" e
curvou-se para primeiro beijar um mamilo e depois o outro. Depois murmurou:
   - Talvez devesse ligar para o servio de quarto e pedir tragam o caf mais tarde.
   - Mmm - concordou Lucy, pegando o cobertor novamente quando ouviu uma batida na porta.
   - Vou pedir que levem nosso caf da manh para o terrao pela minha sute - ofereceu Marcus, saindo da cama para fechar as persianas. - Mas no ouse voltar a
dormir.
   Dormir! Esta era a ltima coisa que sentia vontade de fazer, pensou Lucy indo em direo ao chuveiro.
   - J estava vindo para ter certeza de que voc no tinha voltado a dormir - Marcus disse-lhe dez minutos depois, quando ela abriu a persiana e andou at o terrao.
   - Pedi caf preto para voc - continuou ele. - E suco de fruta, ovos com tomates e cogumelos- Tem torrada tambm.
   Lucy sentou-se, e imediatamente olhou com ansiedade para o bule de caf.
   Marcus j estava servindo o caf para ela. Notou que Marcus estava tomando ch verde.
   - O corpo precisa de protena na manh - Marcus disse-lhe, retirando o invlucro de seu prprio caf de manh.
   - Oh, obrigada, Dr. Atkins -- replicou Lucy pegando seu caf. Mas os ovos realmente pareciam apetitosos. Ela esticou a mo e pegou um cogumelo do prato de Marcus.
   - Coma - ordenou Marcus, entregando-lhe o caf da manh. - Assim que terminarmos, vou ligar para Beatrice para ver a que horas ela quer nos encontrai - acrescentou
ele. - Mas primeiro queria falar uma coisa com voc.
   Lucy teve de colocar sua xcara na mesa porque sua mo comeara a tremer. Aqui estava - o pedido de uma explicao que ela tanto temera.
   - Se for sobre a noite passada... e... o dia anterior... - comeou ela na defensiva.
   -  - concordou Marcus. - Me parece, Lucy, que, seria uma tima idia se eu e voc nos casssemos.
   Ela o escutara corretamente? Ele estava tentando fazer algum tipo de piada?
   - Casar? - perguntou ela cautelosamente.
   -  claro.
   -Mas - mas, Marcus... por qu? Quero dizer, por que voc - ns - iria querer fazer isto? Quero dizer, voc nem mesmo gosta muito de mim! - disse Lucy impulsivamente,
chocada demais para no ser sincera.
   - Acho que eu e voc nos daramos muito bem. Lucy pegou sua xcara de caf e deu um enorme gole.
   Ele no dissera que gostava dela, ela percebeu. E certamente no dissera que a amava.
   - Compartilhamos uma mesma maneira de ver o mundo. Ns dois, eu acho, queremos filhos e, apesar do fim de seu casamento com Nick, acredito que, como eu, voc
acha que o compromisso feito atravs do casamento  para vida - para melhor ou para pior, em um relacionamento com o qual ficamos totalmente comprometidos. Se
ns nos casarmos, ficarei completamente comprometido com nosso casamento, com voc e com nossos filhos, e devo esperar o mesmo comprometimento vindo de voc.
   Comprometimento total de Marcus com ela? Ela estava sonhando?
   - Mas - mas...
   - Mas o qu? - perguntou Marcus friamente. - Como os ltimos dias mostraram, somos excepcionalmente compatveis sexualmente.
   - Mas as pessoas no se casam pelo sexo! - protestou Lucy. - Voc no pode querer se casar comigo por causa disso Marcus.
   - Existem outras razes - concordou ele.
   - Que outras razes?
   - Vou fazer trinta e cinco anos em dezembro - disse Marcus calmamente. - Todos os homens da minha famlia -meu pai, meu av, meu bisav e antes deles casaram-se
antes dos trinta e cinco.  uma tradio de famlia.
   Ele quis dizer que se ela o recusasse, ele acharia outra pessoa?
   Ela pensou como seria estar casada com Marcus sem ser amada por ele, quando ela o amava tanto. Iria doer - e muito. Depois pensou como se sentiria vendo Marcus
casado com outra pessoa.
   No conseguia suportar a idia de ver Marcus casado com outra pessoa quando ela mesma podia estar casada com ele.
   - E temos de estar cientes do fato de que, j que voc no toma plula e eu no tenho usado forma alguma de proteo, voc j podia ter concebido um filho - lembrou-a.
- Sei o quanto voc gosta de crianas, Lucy, mas acho que voc no vai querer ser me solteira - e eu certamente no iria permitir que voc criasse meu filho sem
fazer parte da vida dele. Seria muito mais prtico se nos casssemos.
   Prtico! Ela no queria praticidade. Ela queria amor eterno e promessas de que seria banhada com beijos dia e noite,
   Mas Marcus no a amava, Lucy lembrou a si mesma.
   Ela no podia casar-se com ele. E no podia no se casar com ele.
   Ela nunca havia amado Nick, ou havia? Mas amava Marcus de verdade - e, alm disso, Marcus era um homem completamente diferente. Marcus declarara firmemente
que o casamento dos dois seria um compromisso eterno. E ela queria isto. Queria muito. Queria acordar todas as manhs em uma cama que dividia com ele, queria conceber
os filhos dele, e queria envelhecer com ele.
   O amor poderia nascer, no poderia? E Marcus a queria. Ao contrrio de Nick, Marcus queria transar com ela. Ao contrrio de Nick, Marcus gostava de transar com
ela - ele dissera isso.
   - Marcus, se nos tornssemos um casal, voc no acha que as pessoas poderiam achar um tanto estranho e comearem a fazer perguntas?
   - Por qu? Se fizerem isto, vou simplesmente dizer que sempre planejei me casar com voc.
   Lgrimas comearam a arder em seus olhos. Se ao menos isso fosse verdade.
   - Ento, voc vai aceitar minha proposta? Juro que acho que um casamento entre ns dois daria muito certo, Lucy, e vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance
para assegurar que d certo.
   - No sei. Estou to confusa.
   Marcus soava mais como se estivesse fazendo um negcio do que a pedindo em casamento. Mas para ele, sem dvida alguma, o casamento entre eles era um tipo de
negcio, pensou ela com tristeza.
   - Talvez devesse levar voc de volta para cama - murmurou Marcus. - Isto pode ajudar voc a se decidir.
   Ela derreteu-se e, ento, de alguma maneira, estava balanando a cabea para ele, e Marcus dizia com frieza.
   - timo, ento est combinado. No vamos dizer nada oficialmente at que eu tenha a chance de falar com seu pai - e, alm disso, preferiria que esperssemos
at voltarmos para Londres para escolher seu anel. H uma jia de famlia - to feia, de acordo com minha me, que ela ameaou no se casar com meu pai a no ser
que ele deixasse que ela escolhesse algo para ela - mas, pessoalmente, acho que  mais pessoal o casal escolher o anel, do que um anel de famlia.
   - Concordo com voc - interrompeu-o Lucy. Isso estava realmente acontecendo? Estava aqui sentada tomando caf da manh com Marcus e conversando sobre casamento
e anel de noivado, depois de ter passado uma noite maravilhosa com ele?
   - Estamos quase em outubro - continuou Marcus
   - Meu aniversrio  no incio de dezembro. Gostaria de me casar antes do fim de novembro, se fosse possvel. Algo simples - tudo bem para voc?
   - Oh, claro. Uma cerimnia simples no cartrio...
   - No. - Marcus sacudiu a cabea, silenciando-a.
   - No, eu prefiro a cerimnia na igreja, Lucy. Afinal de contas, acho que ns dois concordamos que isso  para a vida toda. J que voc e Blayne no se casaram
na igreja, no h, na minha opinio, razo alguma, legal ou moral, para no nos casarmos na igreja. E mesmo que o casamento oficial tenha de ser no cartrio, gostaria
da bno da igreja. Acho que o Oratrio Brompton seria a: melhor opo...
   Lucy olhava-o fixamente. O Oratrio era uma igreja grandiosa escolhida por vrias noivas da sociedade. Marcus olhou para seu relgio.
   - J so quase onze horas e vamos encontrar Beatrice meio dia e meia em Palma para almoarmos com ela. Temos meia hora para ficarmos prontos.
   Os dois levantaram-se e, como por impulso, Lucy colocou a mo no brao de Marcus e puxou a manga do roupo dele, e ele encostou a cabea dele na dela. Levantando-se
pelas pontas dos ps, beijou-lhe a boca suavemente.
   Ela podia sentir a rigidez dos msculos de Marcus, e o rosto dela queimou quando o soltou e passou na frente dele.
   Marcus observou-a. Ele no tinha certeza da intensidade com a qual a queria. Caberia muito bem aos seus objetivos se ela perdesse o controle em seus braos,
mas ele certamente no queria que seu autocontrole fosse perdido - e no gostava de admitir que poderia perder - especialmente por Lucy.
   No entanto, no podia arriscar-se a parecer estar rejeitando-a.
   Lucy ficou chocada quando Marcus alcanou-a e puxou-a de volta para seus braos.
   Como e quando as mos de Marcus deslizaram para dentro de seu roupo e tocaram seu corpo nu? - ela desejou saber, quando de repente percebeu que a sensao da
boca dele no era o nico prazer sexual que sentia.
   Instintivamente, ela aproximou-se dele e descobriu, para seu prazer, que ele estava excitado. Ela soltou um pequeno gemido de prazer e aprovao quando se aproximou
ainda mais - e, ento, relutantemente, lembrou-se de Beatrice.
   - Voc disse que deveramos nos arrumar para encontrar sua irm - lembrou-o, as palavras meio abafadas sob a crescente paixo do beijo dele.
   - Dane-se a Beatrice - ouviu-o responder, mas ele comeou a solt-la, dando-lhe um beijo intenso quando assim o fez. - Sim, voc est certa.  melhor nos movimentarmos.
   Chegaram em Palma cinco minutos mais cedo.
   - Achei que fssemos at  casa de Beatrice para falar sobre a festa - comentou Lucy.
   - Beatrice sugeriu que nos encontrssemos para ai- j moar - respondeu Marcus. - O restaurante  logo ali.
   Sabendo o quanto elegantemente a irm de Marcus se vestia, Lucy decidira vestir algo um pouco mais formal e agora que vira onde iriam almoar, ficara feliz com
o fato.
   - Obviamente Beatrice ainda no chegou, mas vamos direto para nossa mesa e esper-la l - a no ser que voc queira beber alguma coisa no bar primeiro? - sugeriu
Marcus.
   - No, vamos direto para mesa - disse-lhe Lucy. No queria que ele pensasse que no conseguia passar o dia sem uma bebida alcolica, especialmente quando no
era verdade. Caf, agora, bem, era diferente.
   Esperaram por cinco minutos quando a porta do restaurante abriu e a irm de Marcus entrou apressada. Alta de cabelos escuros, como Marcus, vestia calas de linho
pretas e uma blusa de algodo bege, cabelo puxado para trs e enormes culos escuros na cabea.
   - Marcus! - exclamou e correu para beij-lo. - Desculpem o atraso. E Lucy - como voc  gentil de| perder seu tempo desta forma.
   - Ainda no pedimos nada, Bea. Voc quer alguma; coisa para beber? - perguntou Marcus enquanto o garom puxava a cadeira para ela.
   - Oh, sim, um spritzer, por favor. Estou dirigindo. Foi por isso que me atrasei. No achava vaga para estacionar. Como est o tempo l? Outro dia, quando falei
com mame, ela disse que estava chovendo. Vou ter de ficar aqui at as frias, e o maldito bombeiro disse que no conseguiu os azulejos que pedimos, o que significa
que quando Boffy e Izzy vierem para as frias, teremos apenas um banheiro.
   - Eu definitivamente recomendo a comida daqui, Lucy - disse-lhe Beatrice. - Especialmente o peixe.
   Os menus chegaram e, enquanto Marcus e Beatrice conversavam, ou melhor, Beatrice falava e Marcus escutava, Lucy olhou o seu.
   - Voc j pensou em alguma coisa para a festa de George, Beatrice? - perguntou Lucy assim que o garom anotara seus pedidos.
   - O qu? Oh, no de verdade. George quer algo pequeno - apenas alguns amigos e a famlia. Ele tem uma coisa com castelos, e se talvez pudssemos alugar um em
algum lugar. O que voc acha?
   - Bem, isto  certamente possvel - concordou Lucy, revirando mentalmente os olhos.
   A comida chegou, e Lucy olhou para seu prato com apetite. A quantidade de sexo devia estar dando-lhe esse apetite, concluiu ela, enrubescendo quando, o pensamento
em sexo e apetite de alguma forma levaram-na a pensai' nestes dois elementos combinados e todas as maneiras com as quais Marcus poderia satisfazer sua fome por
ele.
   - Meu Deus, Lucy, voc est corada. Voc est bem? Est quente aqui. Acho que podemos falar mais sobre a festa de George quando voltarmos para Londres.
   Afinal de contas, temos at o ano que vem, e agora estes | malditos me deixaram em tal estado, que no consigo;, pensar em outra coisa.
   Todos tinham terminado de comer, e Marcus virou4 se para Lucy e perguntou com calma.
   - O que voc acha de um pudim?
   - Para mim no. Mas adoraria um caf expresso,
   - Um expresso? Toda esta cafena no seu corpo vai; fazer com que voc no pare de falar o dia inteiro.
   Lucy teve de morder a parte de dentro de sua boca: para segurar a risada, e depois cometeu o erro de olhar para Marcus. Ele parecia estar se divertindo tanto
quanto ela, e ele sorriu para ela de forma muito particular. Ela e Marcus estavam compartilhando um momento ntimo de entendimento e humor, como se realmente estivessem
se relacionando de forma apropriada.
   De repente, Lucy sentiu-se como se estivesse tocando o cu e alcanando algo - talvez um dia, o amor de Marcus.
   - Mal posso esperar para ligar para mame e dizer que vi vocs dois - disse Beatrice vinte minutos depois, quando levaram-na at seu carro. Em seguida, ela no
apenas abraou Lucy, como tambm a beijou carinhosamente, antes de dizer - Mame vai ficar to contente. Ela sempre gostou de Lucy...
   - Marcus, acho que Beatrice percebeu - advertiu-o; Lucy depois que deram adeus para ela.
   - Deveria esperar por isso, depois de todas as insinuaes que fiz.
   - O qu? Voc disse que no amos dizer a ningum ainda!
   - No disse a ela. Apenas fiz algumas insinuaes. Conhecendo Beatrice como conheo, no vai demorar muito at que esteja convencida de que j sabia de ns dois
h dcadas, e isto ajudaria em relao s perguntas sobre a rapidez com que as coisas aconteceram.
   E tambm impediria que Lucy mudasse de idia, refletiu Marcus com cinismo.
   - Ainda temos uma hora at que o motorista do hotel venha nos buscar. O que voc acha de uma caminhada?
   - timo - disse-lhe Lucy com sinceridade. Marcus decidiu andar em direo a uma joalheria carssima e virou-a para a vitrine.
   - Voc v alguma coisa de que gosta?
   - Voc no disse que iramos comprar um anel antes de voltarmos?
   - Sim,  claro, mas neste momento no estava pensando em um anel, Lucy. Voc acabou de aceitar se casar comigo e gostaria de celebrar com algo mais ntimo,
uns brincos, talvez? Como aqueles? - acrescentou, apontando exatamente para os brincos de diamante que Lucy no conseguia parar de olhar.
   - Marcus, voc no precisa comprar nada pra mim - protestou ela.
   - Est certo, no preciso - concordou amavelmente. - Mas eu realmente quero.
   Eles estavam dentro da loja e, assim que Marcus disse a um dos vendedores o que queria, foram levados a uma pequena sala privada onde foram convidados a sentar.
   - Gostariam de uma bebida: gua, caf? - ofereceu o vendedor.
   - Caf, por favor - agradeceu-lhe Lucy, ignorando o jeito como Marcus levantou a sobrancelha. - Tudo bem, voc no usa cafena - sussurrou assim que ficaram
sozinhos. - Mas eu uso.
   - Cafena e champanhe - concordou Marcus.
   O vendedor retornou trazendo o caf de Lucy acompanhado de um funcionrio da loja mais velho, obviamente mais experiente. Era tarde demais para Lucy defender-se
da acusao em relao ao champanhe.
   - Seus olhos so excelentes, se assim posso dizer, senhora - o vendedor disse para Lucy colocando o rolo de tecido com os brincos na mesa de vidro.
   - Estas pedras tm uma qualidade excelente. So qualidade D, o que significa que tm transparncia e pureza excepcionais. Um quilate e meio cada uma e fixados
em platina.
   E custariam uma fortuna, reconheceu Lucy, quando disse adeus mentalmente para eles.
   - So lindos - comeou ela. - Mas...
   - Por que voc no experimenta? - Marcus atropelou-a.
   Relutantemente, Lucy experimentou e olhou-se no espelho que o vendedor lhe deu.
   - Por favor, vocs me do um minuto - murmurou o vendedor, levantando-se e saindo da sala.
   - Marcus, voc no pode comprar isto para mim - disse-lhe Lucy assim que ficaram sozinhos.
   - Por que no? Voc no gostou? Eu pessoalmente acho que ficaram muito bem em voc.
   Ele estava brincando? No existe mulher que no gostaria de diamantes como estes.
   -  claro que gosto. Mas no  essa a questo.
   - No? Ento o que ? - provocou-a.
   - O preo,  claro. Marcus, so muito caros. - Ela parecia to preocupada, com a testa enrugada e os olhos ansiosos, que ele mesmo franziu os olhos. Ela era a
primeira mulher que lhe implorava para que no comprasse uma jia por causa do preo.
   O vendedor voltara, carregando uma pequena caixa quadrada.
   - Vamos levar os brincos. Minha noiva amou - anunciou Marcus.
   O vendedor sorriu radiante.
   - Ah, o senhor no vai se arrepender, eu lhe garanto. E me ocorreu que vocs talvez gostariam de dar uma olhada neste bracelete, que tem o mesmo tipo de pedras.
O bracelete  feito de platina e ouro branco. O design  moderno, mas delicado - disse entusiasmado, retirando o bracelete da caixa para que eles pudessem ver.
   Lucy teve de segurar a respirao mais uma vez. O bracelete era lindo, simples e elegante.
   - Experimente - insistiu Marcus. Lucy balanou a cabea.
   - No - disse-lhe com firmeza, levantando-se com tal determinao que ela mesma ficou surpresa... -  lindo - concordou ela, virando-se para o vendedor. - Mas
eu quase no uso jias, alm do meu relgio. Os brincos j so mais do que o suficiente.
   Lucy esperou discretamente na parte principal da| loja enquanto Marcus pagava pelos brincos, depois saram da loja. Ela tinha vontade de aproximar-se dele, pegar
seu brao, ou ento pegar a mo dele. Mas  claro que ela no fez isso. Uma pequena e inesperada dor apoderou-se dela.
   - Obrigada pelos brincos, Marcus - disse-lhe calmamente, lutando contra o desejo de beij-lo. - So lindos, mas voc realmente no precisava.
   Ela observou-o sacudir os ombros.
   -  claro que precisava. Tem mais alguma coisa que voc gostaria de olhar? Nosso carro vai chegar em alguns minutos.
   Lucy balanou a cabea. Se fosse sincera, o que queria nesse exato momento, mais do que qualquer outra coisa, era voltar para o hotel para que pudesse ficar
sozinha com Marcus.
   O desejo que comeara mais cedo em seu quarto, quando ele a beijara, aumentara gradualmente de intensidade toda vez que estava com ele, e era agora um desejo
ardente que ultrapassava qualquer outro desejo que pudesse ter. Queria Marcus desesperadamente, completa e incondicionalmente.
   - O que voc acha de jantarmos aqui no terrao esta noite? Podemos sair, se voc quiser, ou jantar no restaurante do hotel. Mas pensei que como vamos voltar
para Londres amanh de manh, no nosso papel de noivos, esta noite seria uma boa oportunidade para falarmos de qualquer preocupao que possa ter em relao ao futuro.
   - Jantar no terrao me parece maravilhoso - disse Lucy a Marcus com sinceridade. Eles estavam na sute dela e tinham acabado de chegar de Palma.
   - Vamos falar sobre Prt a Party, e como voc visualiza o futuro dela - continuou Marcus.
   Prt a Party! Lucy percebeu chocada que ela mal pensara nisto desde que ela e Marcus entraram no avio para Palma.
   - Oh, voc no... - Ela comeou imediatamente a assegurar Marcus de que ele no precisava se preocupar de que ela estaria esperando que ele fosse ajud-la, e
depois parou. Andrew Walker dissera que no queria que ela mencionasse a conversa deles com ningum nesse estgio, e at que ele viesse novamente a ela com uma
oferta certa, no havia realmente nada a discutir, havia? Se ela dissesse a Marcus agora que seus problemas em relao a sua empresa tinham terminado, e que a Prt
a Party tinha um investidor em potencial, e depois ter de dizer a ele que tinha sido desapontada, iria parecer muito boba e ingnua. Assim como ela fizera quando
Nick a traiu. Ainda podia lembrar como Marcus ficou zangado. No queria que isso acontecesse uma segunda vez.
   - Temos de falar sobre Prt a Party esta noite? - Lucy perguntou-lhe. - Pensei...
   - Pensou o qu?
   - Pensei que esta noite seria.. .para ns - sussurrou Lucy.
   - Para ns? Bem, certamente seria uma boa idia se pudssemos falar sobre algumas questes prticas que precisam ser resolvidas.
   O desapontamento preencheu-a.
   - Questes prticas? - Ela queria dizer coisas do tipo contraceptivos? Se fosse, ela teria de achar as palavras para dizer a ele que gostava tanto de senti-lo
dentro dela, sem nada entre eles, que preferiria ser a responsvel, por isso tomaria plula anticoncepcional.
   - Sim. Questes prticas - repetiu Marcus. - Tais como onde vamos morar. Preferiria continuar na Praa Wendover. Afinal de contas,  da minha famlia h quase
duzentos anos.
   -  uma casa adorvel - concordou Lucy -, especialmente o jardim. Mas vou querer redecor-la. E, definitivamente, vou querer uma mquina de caf expresso na
cozinha - acrescentou ela de brincadeira.
   - Em relao a decorao, no tem problema - respondeu Marcus. - Em relao  mquina de caf expresso precisamos de uma conversa mais aprofundada e de uma
concesso. Talvez at mesmo uma compensao. Mas gosto da idia de ter um stio -- continuou ele,
   - Mmm, gostaria tambm. Embora eu v querer continuar a trabalhar, Marcus.
   -  claro. Eu tambm - concordou ele brincando, antes de olhar para seu relgio dizendo-lhe. - Mas lembre-se, j que estamos transando sem nos prevenir, voc
pode at mesmo j estar grvida. Administrar um negcio e cuidar de um beb no seria fcil. Olha, so seis horas e eu preciso de um banho. Vou para minha sute
e fao o pedido do jantar para s oito. Por que no nos encontramos s sete e meia?
   - Perfeito - disse-lhe Lucy, embora estivesse desapontada.
   Decidiu que ela tambm tomaria um banho. Depois um pequeno sorriso esboou-se em seus lbios quando olhou em direo  banheira. Pensar em aproveitar uma banheira
era muito tentador, especialmente com as memrias erticas que tinha em mente.
   Ela pegou o telefone e discou os nmeros do servio de quarto para pedir caf, depois fechou as persianas e puxou a porta que separava o chuveiro e a rea do
banheiro do resto. Ser surpreendida na banheira por Marcus era uma coisa; ter um dos garons entrando enquanto estava no chuveiro era outra.
   Ela no demorou muito no banho. Amava o luxo das toalhas de hotel, pensava ela, enquanto se secava.
   O caf chegou e ela foi at a usual mesa para servi-lo, fazendo uma pausa e enrugando a testa quando viu uma caixa embrulhada na mesa ao lado da bandeja de caf.
Imediatamente, reconheceu o nome gravado na fita. Era o nome da joalheria onde estiveram  tarde.
   Lucy pegou a caixa e comeou a desembrulh-la. Ela era grande demais para conter seus brincos. Sua suspeita virou certeza quando abriu-a e viu o bracelete que
lhe mostraram na loja.
   Marcus comprara para ela? Assim como os brincos? Ele estava realmente a mimando. Materialmente, sim, ele estava mimando-a. Mas ela preferiria ser mimada por seu
amor.
   No fim das contas, decidiram que deveriam ficar de roupo para o jantar. No havia ningum para v-los e, alm disso, acrescentava uma intimidade especial na
noite dos dois. Lucy olhou para o bracelete que agora usava. A lua cheia iluminava o terrao. Lucy pegou um de seus camares e mergulhou no molho de maionese, lambendo
os dedos depois de ter terminado e sorriu.
   - Por que o sorriso? - perguntou Marcus.
   - Estava pensando sobre a cena no filme de Henry Fielding Tom Jones - voc sabe, o sexo e a comida...
   - Oh, sim. Isto  uma insinuao? Lucy balanou a cabea.
   - Com certeza, no - replicou, mas quando ele levantou-se e comeou a andar cheio de inteno em direo a ela, seu corao deu um salto mortal.
   Mas quando ele parou em frente a ela, no era para peg-la em seus braos, como estivera esperando. Ao invs disso, apresentou a pequena caixa que continha os
brincos.
   - Deveria ter dado isto a voc.
   Ele foi to abrupto e frio, que Lucy enrugou a testa. Ele podia ter dito que queria se casar com ela, mas com certeza no estava se comportando como se quisesse.
   - Voc no deveria ter me comprado isto tambm
   - disse-lhe, tocando seu bracelete. - Os brincos j so mais do que suficiente. - Enquanto falava, pegou a caixa, mas para sua surpresa, Marcus balanou a cabea
e pegou a mo dela, levantando-a.
   Ela teve de segurar a respirao quando ele cuidadosamente colocou-os em sua orelha. Tinha medo que pudesse denunciar o que sentia por ele. A sensao da respirao
quente dele em sua pele era to sensual que fez com que seu corpo inteiro derretesse de desejo por ele. Ela sabia que tremia por dentro com a intensidade de seus
sentimentos e, muito em breve, tambm estaria tremendo por fora.
   Os brincos estavam no lugar e, se ele a amasse, este certamente seria o momento em que Marcus a beijaria
   - um momento especial que os dois se lembrariam para sempre - mas ele afastou-se dela.
   Mas em seguida, to de repente, de forma to surpreendente, ele voltou para ela, tirando o roupo dela e beijando-a com tanta intensidade que ela podia sentir
a forte batida do corao dele.
   O nico som que quebrava o silncio era a combinao da respirao acelerada dos dois. To de repente como quando a segurara, Marcus deixou sua boca e comeou
a acarici-la avidamente.
   A luz da lua celebrava a beleza do corpo nu de Luey. O terrao era privado o suficiente pra Lucy saber que ningum podia v-los e havia algo gloriosamente ertico
e excitante em estar nua sob a luz da lua enquanto Marcus acariciava sua peie com os dedos, passando a lngua em seu pescoo.
   - Voc est molhada - murmurou Marcus quando seus dedos entraram em seu sexo.
   - Voc me deixa assim - respondeu-lhe Lucy tremendo. Afinal de contas, era verdade.
   Marcus olhou para os mamilos dela e, em seguida, curvou sua cabea para chupar eroticamente um deles, enquanto seus dedos a acariciavam com mais firmeza. Ainda
acariciando-a, ele colocou as costas de Lucy em seus.braos para que assim seu corpo inteiro fosse oferecido a ele.
   Ele podia senti-la movendo-se cada vez com mais desejo.
   - Marcus - gemeu Lucy. - Acho que vou gozar...
   - timo - disse-lhe, tirando a boca de seu seio e beijando-a. - Eu quero.
   - Quero voc dentro de mim - implorou Lucy.
   - Mais tarde. No fale agora - disse-lhe. - Apenas aproveite.
   No fale. Lucy fechou os olhos e gemeu conforme seu corpo tencionava-se e o prazer fazia com que seu corpo tremesse por dentro.


   CAPTULO SETE

   - Marcus, voc tem certeza de que estamos fazendo a coisa certa?
   Eles tinham acabado de chegar de uma visita  casa dos pais dela, que ficaram alegres com o fato de que iriam se casar, mas desde que voltaram para Londres, Lucy
comeou a se sentir triste.
   Em Maiorca, lavada pelo sexo e pela fantasia, ela sentira-se como se qualquer coisa fosse possvel, at mesmo que Marcus poderia am-la um dia - mas agora, em
Londres, algumas realidades estavam recusando-se a ir embora.
   - O que voc quer dizer exatamente? - perguntou Marcus. Ele franzia a testa para ela com aquela mistura de impacincia e irritao familiares que sempre esmagavam
seu corao. - Pensei que com a reao que nossas famlias tiveram fosse bvio que estamos fazendo a coisa certa. - Ele levantou-se e andou at a janela, e Lucy
pegou sua caneca de caf com os dedos tensos. Estava claro que ele no queria continuar a conversa, mas ela precisava. Precisava... Precisava do seu amor, ela admitiu.
E na ausncia disso, precisava que ele lhe assegurasse que ela no tinha nada a temer. Precisava de esperana. Precisava acreditar que ele poderia algum dia am-la.
Mas ela no podia dizer nada disso para ele, admitiu ela, pesarosamente, porque sabia que ele no entenderia suas necessidades e ficaria irritado com elas.
   - Nossas famlias supem que... que gostamos um do outro - disse-lhe cautelosamente. - No sabem a verdade. E no sei se um... um relacionamento, um casamento,
sem amor pode sobreviver.
   - Amor? - Marcus sacudiu a cabea, a expresso ficando sombria. - Por que as pessoas so obcecadas pela iluso de que o que se chama de amor  algo de valor?
No  - disse-lhe asperamente. - Voc deveria saber disto. Afinal de contas, voc se casou com Blayne porque o amava, e olha onde isto levou voc.
   - -Voc e eu temos motivos prticos para nos casarmos que so muito mais importantes do que amor. Preciso e quero uma esposa que entenda meu estilo de vida
e que divida comigo o desejo de ter filhos, eu certamente no quero ser o primeiro Carring a no produzir um herdeiro ou uma herdeira. Sexualmente, como j vimos,
somos compatveis. Voc quer ter filhos e no  o tipo de mulher que gostaria de t-los fora de um casamento. Voc se casou uma vez pelo suposto amor, Lucy. Achei
que voc fosse inteligente o suficiente para reconhecer que foi um erro e que no quer repeti-lo.
   - Mas e se um dia voc se apaixonar por algum. Marcus?
   - Me apaixonar? - Ele olhou para ela como se ela tivesse sugerido que ele matasse a prpria me. - Voc no ouviu nada do que venho dizendo? Meu pai se apaixonou
quando abandonou a minha me. Ele abandonou minha me e os filhos por causa deste amor, e se no fosse o acidente que o matou, teria acabado com o banco e com a
felicidade de minha me. Vi ento o que era o amor, e jurei a mim mesmo que nunca iria me entregar a uma coisa destas.
   Mas voc tinha seis anos de idade! Lucy queria protestar. Mas sabiamente conteve-se. No tinha idia de que Marcus tinha uma viso to forte e amarga sobre o
amor, ou que era to contra ele.
   Seu caf esfriara, mas ela ainda mantinha a mo em volta da caneca, como se buscasse dela calor e conforto.
   - O que foi? - perguntou ele quando a olhou e viu o desespero em seus olhos.
   Ela balanou a cabea.
   - No... no sei se devemos nos casar, Marcus.
   - Agora  tarde demais - disse-lhe. - Sua me j est organizando o casamento e... - Ele fez uma pausa, e ento a lembrou. - No vamos esquecer: voc pode estar
grvida de um filho meu. Vamos nos casar, Lucy. - Ele reforou calmamente. - E nada vai mudar isto.
   Assim como nada mudaria sua opinio sobre  amor, Lucy reconheceu desesperada. Como ela pde ter se enganado acreditando que ele a amaria? Marcus nunca a amaria.
Marcus no queria am-la. No queria amar ningum.
   - Quero falar com voc sobre Prt a Party - continuou ele rapidamente.
   Lucy ficou tensa. No queria falar com Marcus sobre isso. Ela recebera uma carta de Andrew Walker reiterando que no queria que ela falasse sobre o encontro
que tiveram com ningum, e explicando que ainda estava fora do pas a negcios e entraria em contato quando retornasse.  claro que no poderia haver segredos entre
marido e mulher, mas dera sua palavra e no tinha a inteno de quebr-la - e, alm disso... a traio de Nick deixara uma cicatriz. Ela sabia que Marcus nunca
a trairia financeiramente, mas sua crescente insegurana em relao ao futuro do casamento deles fazia com que ela segurasse Prt a Party com firmeza.
   - Decidi que a maneira mais simples de lidar com a situao atual seria atravs de uma injeo de capital suficiente para saldar as dvidas - disse ele.
   - No! No, no quero que voc faa isso. Lucy podia ver que sua exploso o surpreendera.
   - Por que no? H menos de dois meses atrs voc implorou para que eu permitisse que voc utilizasse o que ainda restava em seus fundos para colocar na empresa.
   - Era diferente - disse-lhe obstinadamente. - Era meu dinheiro, no o seu. E, alm disso... - Ela mordeu os lbios. No podia contar para ele sobre Andrew Walker,
no ainda, e mesmo se contasse, ela suspeitava que ele no entenderia como ela seria capaz de aceitar ajuda financeira de outra pessoa. Ter um marido envolvido ,j
em seus negcios e quase o destruindo, dera-lhe uma lio que no queria repetir.
   Marcus franziu a testa quando a olhou. Estava bvio para ele que Lucy reconsiderava o casamento. Era porque, apesar de tudo o que ele fizera, ela ainda amava
Nick Blayne? E por que ela no queria aceitar que ele pagasse as dvidas da Prt a Party?
   - Lucy...
   Ela interrompeu-o.
   - Prt a Party  minha responsabilidade, Marcus, e quero que continue sendo.
   Sua responsabilidade e talvez salvao, caso ele decidisse algum dia acabar com o casamento.
   Uma intensa solido invadiu-a. s vezes, era como se toda sua vida emocional mantivesse segredos que no podia compartilhar com outra pessoa. Ela queria muito
chorar, mas  clara que no podia. Suas duas melhores H amigas tiveram tanta sorte, encontraram suas almas gmeas e parceiros verdadeiros - homens com os quais podiam
dividir qualquer parte de suas vidas. Mas ela no. Nunca tivera, e agora nunca poderia dividir seus desejos mais ntimos com algum.
   Casar-se com Marcus significaria fechar a porta de seus sentimentos para sempre. Mas ela sabia que no era forte o suficiente para deix-lo afastar-se dela e
achar outra pessoa. A dor seria simplesmente demais para suportar. E, como o prprio Marcus a lembrara, j podia ser tarde demais para ela desistir do casamento.
Ela podia j estar grvida.
   Lucy olhou para seu relgio. Marcus estaria em Edinburgh. Ele disse que ficaria fora por apenas dois dias, mas ela j estava sentindo sua falta.
   Hoje era o lanamento da nova chuteira de futebol - o ltimo grande evento da Prt a Party. Estava contente com as respostas das pessoas aos convites que mandara
e at mesmo Dorland estaria l. Embora eventos corporativos, no importando o quo prdigos fossem, realmente no fizessem seu estilo.
   Seu celular tocou, e seu corao deu um salto quando viu que era Marcus que estava ligando.
   Embora ainda no estivesse morando oficialmente com ele, estava passando mais noites na cama de Marcus do que na sua.
   - A sua me j mandou os convites de casamento? - perguntou ele.
   - Foram enviados ontem - disse-lhe Lucy. -- Embora tambm tenha telefonado por causa da falta de tempo. Voc sabe quantos convidados teremos em nosso casamento,
no sabe, Marcus? - Ela o precaveu.
   - Duzentos - e isto no inclui meus primos de segundo grau.
   - O qu? No, Marcus. - Lucy entrou em pnico.
   - Est mais prximo de...
   - Duzentos cada. Quer dizer, minha me est planejando convidar duzentas pessoas e sua me no pode ter uma lista com menos de duzentos e cinqenta.
   - Oh, Marcus - lamentou Lucy. - Dissemos que queramos um casamento discreto.
   - Fale com sua me - disse-lhe Marcus secamente. Lucy suspirou.
   - Graas a Deus no estamos no vero. Mame disse que se fosse, seria uma boa idia construir um toldo no jardim da sua casa.
   - .
   - Bem, acho que ns dois estamos de acordo que queremos um casamento simples em algum lugar como o Lanesborough, no quinhentas pessoas eu um salo no Ritz.
   - Bem, talvez ns estejamos de acordo, mas no somos nossas mes. Pare de se preocupar com isto - Marcus aconselhou-a - e deixe que elas dem prosseguimento
a isto e se divirtam. No quero voc exausta e sem poder curtir a nossa lua-de-mel.
   Lucy sentiu seu rosto comear a queimar.
   - Se eu estiver, no vai ser por causa das preparaes do casamento - disse-lhe corajosamente.
   - J est exausta? - Marcus perguntou-a direta-mente.
   - Totalmente - concordou Lucy. No havia sentido desejar que ele tivesse falado mais amorosamente. - Quando voc volta?
   - Oh, no to exausta que no vai querer mais?
   - Estava perguntando por causa do batismo - disse-lhe Lucy com uma voz sria.
   - Uh-huh? Bem, no se preocupe, no esqueci que temos o batismo na quinta.
   Julia e Silas iam batizar o filho de trs meses no fim de semana e Lucy fora chamada para ser uma das madrinhas com Carly. O batizado ia ser em uma pequena cidade
onde os avs de Julia tinham uma casa.
   - Melhor eu ir, se cuida - disse-lhe Marcus calmamente, antes de desligar.
   Se eu te amo... Mas como? Marcus no a amava.
   - Estou indo, Sra. Crabtree - Lucy gritou para a governanta, segurando as lgrimas.
   A governanta deixara claro que gostava da idia de Marcus se casar, e ela e Lucy passaram vrias tardes alegres conversando sobre como renovar a cozinha.
   - Acabou de chegar um embrulho para voc, Lucy - disse ela de volta.
   - Oh? - Lucy correu at a cozinha e olhou para a grande caixa que havia na mesa.
   Havia um bilhete com a letra de Marcus. "Espero que isto faa com que nossas manhs juntos valham a pena."
   Levemente corada, Lucy comeou a abri-la. Era difcil imaginar como ele poderia fazer a manh deles ainda mais sexual do que j eram.
   Mas percebeu que estivera errada quando abriu a caixa e viu que no era algum tipo de brinquedo sexual, mas sim uma mquina de caf expresso.
   - Oh, Marcus - sussurrou ela, de repente dominada pelas emoes que tivera tentando suprimir.
   Queria desesperadamente ligar para ele e agradec-lo, mas se contentou simplesmente em passar-lhe uma mensagem de texto - caso ainda estivesse com seu cliente.
   Lucy respirou aliviada. Parecia que a noite iria ter o sucesso que seus clientes estavam esperando. Ter aqui meia dzia de estrelas da Primeira Liga do futebol
certamente fora uma boa sacada, e as modelos aglomeradas em volta deles estavam trazendo invases de pessoas no coquetel listrado de vermelho e laranja inventado
para combinar com o vermelho e laranja das chuteiras que estavam sendo promovidas.
   - Lucy!
   - Dorland - sorriu Lucy afetuosamente quando o dono da revista pegou seu brao e levou-a at uma das mesas.
   - Voc  uma garota muito levada... no me falou nada sobre voc e Marcus - disse-lhe, levantando o dedo para ela. - Tive de ler sobre seu noivado.
   - Culpe Marcus por isso, Dorland, no eu. Mas voc vem ao casamento, no vem?
   -  claro.
   Lucy insistira que Dorland tinha de ser convidado, embora sua me no aprovasse totalmente.
   - Lucy, preciso falar com voc sobre uma coisa - acrescentou Dorland com uma seriedade pouco familiar.
   - O que h de errado? - perguntou-lhe Lucy assim que estavam em um canto.
   - Um de meus fotgrafos disse que viu voc almoando na brasserie com Andrew Walker.
   Que falta de sorte. Ela vira o paparazzi do lado de fora da brasserie e deveria ter presumido que seria vista. Dorland tinha olhos e ouvidos em todos os lugares.
   - Ele conhece meu primo - respondeu Lucy o mais casualmente possvel, mas Dorland estava sacudindo a cabea.
   - Ele  um cara do mau, Lucy. No se envolva com ele.
   O choque por Dorland estar to srio e dizendo algo to estarrecedor fez com que ela olhasse para ele preocupada.
   - O que voc quer dizer com isso?
   - O quanto voc sabe sobre ele? - perguntou-lhe Dorland.
   -  um empresrio muito bem-sucedido que construiu uma empresa sediada em Londres que fornece para os ricos os tipos de servios domsticos que eles no tm
tempo para fazer.
   - Esta  a ponta legtima do iceberg - disse-lhe Dorland. A verdade  que ele trabalha para a mfia oriental de lavagem de dinheiro. Os trabalhadores de sua empresa
so na sua maioria ilegais. Em primeiro lugar, os pobres sujeitos tm de pagar milhares de libras para entrar neste pas, e depois quando chegam aqui lhe  | dizem
que podem ser mandados de volta a qualquer hora se as autoridades descobrirem que esto aqui. Ento so forados a trabalhar por quase nada.
   - E isto no  o pior. As jovens - garotas -, que s vezes so vendidas pela prpria famlia e s vezes roubadas, so colocadas na prostituio e passadas de
dono para dono. Ele est envolvido em um dos negcios mais cruis do mundo. Ele trafica com a misria e a degradao humana. E, a propsito, Andrew Walker no 
nem mesmo seu nome verdadeiro.
   - Como voc sabe de tudo isto? - protestou Lucy.
   - Sei porque ano passado ele aproximou-se de mim com uma oferta para comprar uma parte da A-List Life. Disseque estava procurando onde investir os lucros de seu
negcio. Falou sobre levar a A-List Life para a Europa e at mesmo para Rssia. Admito que fiquei tentado, no apenas pelo dinheiro do qual falava - que era fenomenal.
Mas assim que comecei a fazer perguntas, todos os tipos de coisas comearam a sair da obscuridade.
   - A razo pela qual queria comprar a A-List-Life era porque estava procurando uma maneira de lavar o dinheiro que estava ganhando com o comrcio de trabalhadores
ilegais e prostitutas.
   A cada palavra que Dorland pronunciava, o corao de Lucy batia mais forte.
   - No vou me intrometer em seus negcios, Lucy, mas sei como estas pessoas trabalham - oferecem um negcio extraordinrio. Se era por isto que voc estava almoando
com ele, ento aceite meu conselho e no se envolva.
   - Mas se ele  to mau assim como voc diz, por que as autoridades no fizeram nada em relao a isto? - perguntou Lucy.
   - Provavelmente, porque ele  esperto demais para que provem alguma coisa. A nica razo pela qual eu sei  porque perguntei para as pessoas certas. Os oligarcas
russos atuam em Londres, e alguns deles eu conheo, e eles conhecem pessoas que conhecem outras pessoas etc. No esto envolvidos de maneira alguma com ele ou
com o que ele faz, mas tem contato com quem tem contatos. E me disseram: no se envolva. Ele e as pessoas com quem trabalha jogam muito sujo. Voc contou a Marcus
sobre ter almoado com ele? Lucy balanou a cabea.
   - No. E... e no poderia. No agora.
   - No. Ele definitivamente no gostaria - concordou Dorland.
   - S tivemos uma reunio, isto  tudo - ressaltou Lucy. - Nada alm.
   - Bem, se eu fosse voc, Lucy, no teria outras reunies. E tambm certificaria Walker de que voc no est interessada em nenhuma de suas propostas. Isto no
 da minha conta, eu sei disso, mas sempre gostei da Prt a Party e de voc. Voc tem classe, Lucy, e eu gosto disso. Admiro o que voc fez com a Prt a Party, mesmo
as coisas no tendo dado certo. Mas  exatamente isto que ele est procurando, e quando ele colocar voc na lama com ele, para voc sair vai ser o diabo. Estas pessoas
sabem manter suas vtimas encurraladas e dependente deles.
   Lucy olhou para a carta que acabara de fazer. Era para Andrew Walker, dizendo-lhe que como ia se casar, decidira no ir adiante com o negcio sobre o qual conversaram.
Seu marido iria se tomar seu novo scio.
   Ela assinou a carta e dobrou-a com cuidado colocando-a no envelope.
   S para ter certeza de que Andrew Walker a receberia, iria aos Correios naquele minuto.
   Graas a Deus Dorland a alertara em relao  verdadeira natureza dos negcios de Andrew Walker. Ela apenas desejava que as autoridades pudessem fazer alguma
coisa para impedir que ele continuasse com este terrvel comrcio. Mas quando ela dissera isso a Dorland, Dorland balanara a cabea e dissera-lhe implacavelmente:
"Tir-lo do negcio, no resolveria o problema. Haver centenas de homens ou mais querendo tomar o lugar dele. Esse negcio  grande e homens como Walker subornam
em dobro - em primeiro lugar quando os pobres diabos pagam achando que esto comprando o que acreditam ser sua liberdade em outro pas e, em segundo, quando tm
de comprar com a maior parte de seus salrios o silncio das pessoas responsveis por eles estarem ali. No podem ganhar, e homens como Walker no podem perder.
E  por isso que  to difcil para as autoridades fazerem qualquer coisa. As suas vtimas temem dizer qualquer coisa."
   E Prt a Party seria um veculo ideal para lavagem de dinheiro. Lucy reconheceu.
   Graas a Deus no contara a Marcus sobre isto.
   Marcus. Ele estaria de volta naquela tarde e amanh iriam para o interior para o batizado.
   - Voc est muito quieta.
   - Estou? - sorriu Lucy para Marcus, feliz com o sol, pois isto significava que podia se esconder atrs de seus culos escuros enquanto Marcus dirigia. Estavam
indo dois dias antes para que Lucy, Carly e Julia pudessem passar algum tempo juntas antes que os outros convidados chegassem.
   Marcus reservara um quarto para os dois em um pequeno hotel, brincando que eles poderiam treinar para a lua-de-mel que seria no Caribe.
   Ela sentira uma saudade desesperadora dele enquanto ele estava fora, mas na noite passada, quando ele voltou, estava to  flor da pele por causa de Andrew
Walker, que no conseguira relaxar.
   Nem mesmo na cama.
   - Como foi o lanamento da chuteira?
   - Bem. - Lucy podia sentir seu rosto queimando, simplesmente por causa da ligao daquele evento com as revelaes de Dorland e sua culpa.
   Marcus enrugou a testa enquanto a escutava. Algo mudara enquanto estivera fora. Lucy mudara, pensou ele. Por qu? Por que ainda estava reconsiderando o casamento?
Ele no tinha inteno alguma de desistir dela. Para ningum. E se suas dvidas estavam sendo causadas por Nick Blayne, com mais certeza ainda ele no desistiria
dela.
   - Falei com McVicar, e disse a ele que tinha a inteno de colocar dinheiro suficiente para saldar todas as dvidas da Prt a Party e mais algum capital para
investir na empresa.
   - No!
   Lucy percebeu que sua objeo instintiva fora mais alta do que previra.
   - J disse que no quero que voc faa isso.
   Lucy temia que Marcus a lembrasse de como fora idiota em relao a Nick. Mas como ela podia dizer a algum, especialmente a Marcus, que se sentira to culpada
em se casar com Nick sem am-lo que se sentia incapaz de questionar qualquer coisa que ele havia feito?
   - Sei que voc no se importa em pagar minhas dvidas, Marcus, mas no quero que voc faa isto. Eu mesma quero pag-las. No quero me sentir financeiramente
em dvida com voc.
   - Muito bem, ento. Se voc pensa assim, por que eu no entro como scio da Prt a Party? Ns poderamos ser... scios sem ningum saber, ele estivera prestes
a dizer. Mas antes disso. Lucy disse bruscamente.
   - No! No. Eu no quero.
   Por qu? Marcus queria pergunt-la. Mas ele podia ver o quanto estava ficando irritada, e ele estava com medo... Ele estava com medo de perd-la, Marcus reconheceu.
   Ela ainda amava Blayne? Blayne a deixara por outra mulher, mas Lucy tinha esperanas que um dia ele fosse voltar? Ela achava que conservando a Prt a Party em
seu poder ela poderia seduzi-lo a voltar?
   O que estava acontecendo? Ela parecera feliz em estar com ele, feliz em relao ao futuro dos dois - e certamente feliz com ele na cama. Parecera... Mas noite
passada, ela estava tensa em seus braos, e agora, hoje, ela estava se comportando como se ele fosse a ltima pessoa com quem queria estar.
   Ele reconheceu que o fato de Lucy recusar-se a ter sua ajuda estava machucando-o de verdade. Como? Por qu?
   Ela desejava desesperadamente que a relao entre os dois fosse diferente, que pudesse contar-lhe sobre Andrew Walker. Mas no podia.
   - Vamos sair da rodovia no prximo cruzamento - escutou Marcus dizer-lhe depois de um tempo, acrescentando. - O hotel fica a apenas alguns quilmetros adiante.
Achei que voc fosse querer deixar nossas coisas J primeiro. A que horas voc disse que Julia e Silas estaro nos esperando?
   - Depois das duas. No tem porque termos pressa. - Ele entenderia que ela estava tentando insinuar que gostaria de passar algum tempo sozinha com ele? Poderia
ser uma oportunidade para que pudesse corrigir a noite passada. Lucy esperava que sim.
   - Parece que eles vo ter sorte com o tempo - acrescentou ela sem emoo. - A previso do tempo  boa para o fim de semana.
   - Aqui est nosso cruzamento - disse-lhe Marcus.
   Ele no falou muito durante vrios quilmetros percorridos em lindas estradas e atravs de pequenas cidades. Apenas disse casualmente:
   - Aqui  muito bonito, e conveniente para quem mora em Londres. Vale a pena considerarmos a possibilidade de procurar uma casa por aqui. O que voc acha?
   - Amo este lugar - admitiu Lucy, - Costumava -vir e ficar com Julia durante as nossas frias na escola, e sempre pensei que era um lugar onde gostaria de morar.
   - Aqui est o nosso hotel.
   Folhas de outono, fumaas vindo das chamins, cheiro de madeira queimando e ar fresco: o que era mais evocativo em uma casa de fazenda inglesa? Lucy refletiu,
de p ao lado do carro olhando para os cervos no parque.
   Na recepo, o cheiro de cera de abelha misturava-se com essncia de rosa e lavanda. A recepcionista sorridente explicou-lhes que reservara para eles uma sute
na parte principal do hotel, um celeiro convertido.
   - Acho que vocs vo gostar. Mas venham e dem uma olhada.
   Quando atravessaram o jardim, Lucy podia ver um lago com dois cisnes e um grupo de patos.
   - Eles nos adotaram - explicou a recepcionista com um sorriso. - A propsito, temos paves tambm. Por favor, no se assustem quando os escutarem, mas eu pessoalmente
acho que.a beleza deles compensa.
   Era um prdio de dois andares, com hall e escadas largas.
   - Temos duas sutes no andar de baixo e duas no de cima. Colocamos vocs no segundo andar.
   Lucy e Marcus a seguiram e esperaram que ela destrancasse as duas portas com chaves antigas pesadas.
   Alm da porta, havia uni pequeno corredor e, alm dele. um enorme quarto com uma cama imensa e uma lareira.
   - A sute tem dois banheiros, um de cada lado da cama - explicou ela, indicando duas portas. - Os sofs do quarto viram camas extras para as famlias, e por
aqui... - Levou-os a uma porta prxima a lareira e abriu-a. Havia uma sala para caf da manh com uma varanda e vista para o campo.
   - O que achou? - perguntou Marcus a Lucy.
   -  adorvel - disse ela  recepcionista calorosamente.
   - Bom, fico feliz que vocs tenham gostado. Vou chamar algum para ajudar vocs com a bagagem.
   - Marcus,  lindo - disse-lhe Lucy assim que estavam sozinhos. - Muito romntico. Especialmente com a lareira. - Ela andou em direo a ele. Sentira-se to culpada
na noite passada que no ousara deixar que ele a abraasse com medo de desabafar e contar tudo. Mas nesse momento, ela o desejava demais. Por que ela no deixava
para trs toda a histria sobre Andrew Walker e aproveitava a companhia de Marcus?
   - Mmm. Olha,  melhor nos apressarmos. Levamos mais tempo para chegar aqui do que eu esperava.
   Marcus estava ignorando sua sutil insinuao de que gostaria que ele a levasse para cama. Ela reconheceu os indcios com facilidade. Afinal de contas, vivenciara-os
com freqncia com Nick.


   CAPTULO OITO

   - Lucy!
   Lucy forou-se a sorrir quando Julia abraou-a com fora.
   - Voc est aqui! Oh, estou to animada. E Marcus tambm. Deixe-me ver o anel. Oh, Lucy!  claro que Silas insiste que sempre soube que havia alguma coisa entre
voc e Marcus - no  querido? - perguntou Julia ao seu marido.
   - No podia deixar de achar que havia alguma coisa a mais quando voc insistia que odiava Marcus. E como ns sabemos muito bem...
   -  ...que o dio e o amor andam de mos dadas - Julia uniu-se a Silas.
   Lucy podia sentir que seu rosto comeava a ficar quente. Ela rapidamente esticou os braos e implorou:
   - Silas, por favor, deixe-me segurar meu novo afilhado.
   - Ele est pesado, Lucy - advertiu-a Julia.
   - Carly ligou um pouco antes de voc chegar. Ela e Ricardo devem estar quase chegando. Voc sabia que eles alugaram uma casa para o fim de semana?
   - Sim, ela me passou um e-mail contando.
   - Adoraria ter um quarto aqui para hospedar vocs, mas j temos a nossa famlia. Tem certeza de que meu filho no est pesado demais para voc? - perguntou. Estavam
todos de p na sala de estar, sentindo que Julia j estava ansiosa para ter seu beb de volta, foi at ela, e entregou-lhe de volta.
   Marcus estava ao lado de Silas, supostamente escutando o que Silas dizia sobre a situao atual do dlar, mas no conseguia parar de olh-la. Julia podia ser
a me de Nat, mas era Lucy cuja expresso era a de uma tradicional e radiante Madonna. Havia um sentimento no corao de Marcus como se ele estivesse sendo arrancado
por duas mos gigantes. Irritado, ele lutou para suprimi-lo.
   Quando ela entregou Nat de volta para Julia, Lucy no conseguiu evitar pensar que se Marcus continuasse a se comportar to friamente em relao a ela como fizera
mais cedo, na sute do hotel, ento, se ela j no estivesse grvida, provavelmente nunca carregaria um filho seu. O que ela tinha que a fazia to indesejvel
pelos homens que deveriam quer-la? Primeiro Nick, e agora Marcus. Olhou para onde Marcus estava conversando com Silas.
   - Lucy, venha sentar-se - convidou Julia, batendo no lugar vazio que havia no sof ao seu lado.
   - Fico to feliz em relao a voc e a Marcus - sorriu radiante quando Lucy obedeceu a sua instruo. - Sei o quanto infeliz Nick fez voc, e eu me senti to
culpada em relao a isso porque voc o conheceu atravs de mim. Marcus vai... - Parou de falar quando uma Mercedes passou pela janela, e depois exclamou com felicidade.
- Oh, timo,  Carly e Ricardo.
   Cinco minutos depois, a grande sala estava cheia de vozes femininas excitadas contando as novidades.
   - Veja como ele cresceu - exclamou Lucy admirada olhando para o filho de Carly e Ricardo antes de acrescentar. - E olhe para voc tambm, Carly - seis meses
de gravidez e ainda est elegante e formidvel como sempre.
   Com tanto a dizer um para o outro, e dois bebes adorveis para admirar, Lucy comeou a relaxar, seu sorriso forado de antes dando lugar para um muito mais
natural. Mais ainda quando Marcus veio at onde ela estava sentada com Carly e Julia e as crianas, e colocou uma mo no ombro dela. Ela teve de tencionar o corpo
inteiro para evitar encostar-se nele e permitir que ele soubesse o quanto significava para ela.
   - Estou to ansiosa com o seu casamento, Lucy - anunciou Carly animada.
   - Tambm estou ansiosa.- disse Julia. - Quando voc percebeu que amava Lucy, Marcus? - perguntou-lhe.
   Lucy imediatamente abaixou a cabea para esconder sua expresso.
   - No cedo o suficiente - respondeu Marcus calmamente. - Nunca teria permitido que ela se casasse com Blayne.
   Todos sorriram e Lucy respirou aliviada. O que ela temia que ele dissesse? Que ele no a amava? Marcus era racional demais para dar uma escorregada dessas.
   Foi uma noite muito agradvel.
   - Fico feliz que voc tenha gostado - respondeu Lucy quando as luzes da casa dos avs de Julia iam ficando para trs.
   - Estou ainda mais convencido de que se vamos pensar em comprar uma casa fora de Londres, esta seria uma boa rea a se considerar. O que voc acha?
   - Como eu disse antes,  linda - concordou Lucy, - E Julia disse que ela e Silas esperam poder passar mais tempo aqui.  claro que quando o av de Julia morrer,
Silas vai herdar a propriedade e a casa.
   Ela encostou-se em seu assento e fechou os olhos. Fora uma noite muito agradvel. Houve at mesmo momentos em que ela quase conseguira convencer a si mesma de
que ela e Marcus eram um casal normal prestes a se casarem.
   Ela certamente desejava que fossem. Assim como desejava que nesse momento estivessem voltando para a sute do hotel como amantes genunos que mal podiam esperar
para ficarem sozinhos.
   Lucy cara no sono em minutos, e quando ele parou o carro no estacionamento do hotel, virou-se em seu assento para olh-la.
   Ficaria feliz quando estivesse casado com ela e ele poderia focar sua ateno no banco, ao invs de ficar constantemente defendendo-se, caso Lucy mudasse de idia
e se recusasse a dar prosseguimento ao casamento.
   Esticou os braos e tocou o brao dela, dizendo calmamente:
   - Lucy acorde. Chegamos.
   - Marcus? - A emoo iluminou seu rosto inteiro quando olhou para ele. Marcus sentiu-se de repente como se tivesse levado um chute no peito e no conseguisse
mais respirar. Alguma coisa, um sentimento, uma necessidade - bradou dentro dele, ameaando destruir suas crenas.
   Alheio ao que estava acontecendo com ele, Lucy continuou sonolenta:
   - Estava sonhando com voc e...
   - E? - interrogou Marcus, a voz rouca enquanto lutava contra o desejo no habitual de segur-la e continuar segurando-a para que pudesse satisfazer seu desejo
de fisicamente vivenci-la.
   - Nada. - Lucy balanou a cabea, sentindo que seu rosto comeava a enrubescer. Era bvio que Marcus adivinhara com o que estivera sonhando, porque, de repente,
apareceu um brilho de alegria bem especfico nos olhos dele.
   - Posso supor por esse rosa em seu rosto que foi o tipo de sonho que adoraria fazer com que se tornasse realidade? - perguntou ele, seu corpo reagindo ao desejo
que ele podia ver nos olhos dela.
   - Bem, certamente adoraria que voc fizesse isso, Marcus. Marcus! - protestou quando ele de repente beijou-a com tanta voracidade que ela mal pde respirar.
   - Venha - comandou ele, soltando-a, saindo do carro e dando a volta para abrir a porta para ela.
   O caminho do carro at a sute deles foi realizada entre tantos beijos, que Lucy estava delirante de desejo quando chegaram ao quarto. Segurando-a por um brao,
Marcus continuou a beij-la enquanto colocava a chave na fechadura.
   Um fogo queimava em seu corao.
   - Marcus... - suspirou ela.
   - Mmm?
   - Depressa.
   - Assim, voc quer dizer?
   Ele estava tocando-a, apesar do fato de estarem os dois completamente vestidos.
   - Minhas roupas... -- protestou ela, querendo livrar-se delas. Mas seu corpo dizia a Marcus que no queria esperar. - E ele, percebeu, tambm no queria.
   Pegou-a rpida e calorosamente, naquele mesmo lugar, no quarto sombrio, compelido e levado por seu desejo de possu-la e faz-la sua de uma maneira totalmente
diferente do jeito que j tinha vivenciado antes.
   Ela amava o que ele estava fazendo - e do jeito que estava fazendo, Lucy pensou tonta enquanto envolvia as pernas em volta dele e sentia ondas de prazer a possurem.
Mais tarde, haveria tempo para eles tirarem suas roupas, para satisfazerem um ao outro mais vagarosa e completamente, mas, nesse exato momento, era exatamente isso
que queria e como queria.

   Ela ainda no conseguia digerir completamente o fato de que daqui a algumas semanas seria a esposa de Marcus. Lucy deu um gole em seu caf e lembrou a si mesma
da razo pela qual estava ali em seu escritrio: era para trabalhar e no para pensar sobre os diversos prazeres de tornar-se a Sra. Marcus Carring. Prazeres que,
nesse momento, suprimiam as dvidas que a atormentaram. Era, afinal de contas, uma verdade inegvel que os prazeres eram tantos e to variados que era quase impossvel
fantasi-los. E ento...
   Rapidamente, forou-se a se concentrar no que era para estar fazendo - atualizar sua lista de endereos e cuidar de alguns papis.
   Lucy deu mais um gole em seu caf e passou os olhos na matria de duas pginas com fotografias do batizado de Nat. Havia uma foto especialmente bonita com ela
segurando seu afilhado e Marcus ao seu lado.
   Marcus... Estava fazendo a coisa certa em casar-se com ele, disse a si mesma com firmeza.
   Houve uma batida na porta meio aberta de seu escritrio, virou-se ansiosa, esperando ver Marcus, embora tivesse dito a ela que hoje estaria indo para Manchester
ver um cliente.
   - Lucy, que bom. Esperava que voc estivesse aqui.
   Andrew Walker.
   Lucy olhou apreensiva para sua inesperada e definitivamente indesejada visita, incapaz de dizer qualquer coisa alm de um desconfortvel:
   - Oh! Andrew. Voc recebeu minha carta, no?
   - Sim, Lucy. Recebi sua carta - confirmou, passando por ela e indo at a janela.
   - Fiquei muito triste em saber que voc no queria mais dar prosseguimento aos nossos planos. Na verdade, fiquei to desapontado que pensei em vir aqui para
ver se encontrava uma maneira de convenc-la.
   Era imaginao sua ou havia uma sutil ameaa naquelas palavras calmamente pronunciadas?
   - Expliquei em minha carta, Andrew. Vou me casar e...
   - Sim,  verdade. Com Marcus Carring.
   - Sim. E assim que estivermos casados, Marcus quer se tornar meu scio. - Isso deveria convencer Andrew Walker de que no era apenas com ela que ele deveria
se entender, mesmo se ela estivesse dizendo uma mentira.
   -  mesmo?
   Havia algo no jeito de Andrew Walker olhar para ela que fez com que Lucy ficasse com medo. . - Voc sabe, minha querida, que est rejeitando uma oportunidade
maravilhosa. E quanto a permitir que seu futuro marido se torne seu scio... Nunca sabemos qual ser o futuro de um casamento. Uma mulher sensata deveria considerar
uma boa idia manter uma independncia financeira.
   Andrew lera sua mente? O que ele acabara de dizer ecoava tudo o que estivera dizendo para si mesma?
   - Meus scios e eu estamos preparados para fazer uma oferta bem generosa para comprarmos a Prt a Party, Lucy. Posso garantir a voc que lidaremos com tudo de
forma bem discreta. O dinheiro poderia ser depositado em um banco no exterior se voc quisesse, e ningum alm de ns precisa saber da transao.
   Se ela no soubesse a verdade sobre ele, ficaria muito tentada a aceitar o que ele estava lhe oferecendo, admitiu Lucy. Porque, apesar do fato de Marcus desej-la
fisicamente, no conseguia evitar o medo de que sem amor o casamento no poderia sobreviver. Era esse medo que a impedira de aceitar a ajuda financeira de Marcus.
   Mas a afirmao de Andrew Walker a lembrara de tudo o que Dorland lhe dissera.
   - No, suponho que no precisem, incluindo os pobres coitados cuja vida voc arruinou - desabafou impetuosamente. - Sei porque voc quer a Prt a Party, e o
que est fazendo.
   Houve um breve silncio, e depois Andrew Walker disse bruscamente.
   -  mesmo?
   Cometera outro erro, percebeu Lucy.
   Dorland estava certo. Este homem era terrvel. O medo invadiu-a,
   Exatamente o mesmo sentimento que sentira quando soubera que Nick a trara. E exatamente como antes, seu primeiro pensamento foi de que desejava desesperadamente
que Marcus estivesse ali para ajud-la. O segundo, de que estava igualmente feliz por ele no estar ali para testemunhar sua estupidez.
   No entanto, ela no conseguia parar de repetir:
   - Eu sei tudo sobre como voc e seus scios ganham dinheiro, e porque voc quer Prt a Party.
   - Sabe, Lucy, voc realmente no deveria dar ouvido s fofocas vindas de fontes invejosas e no confiveis - disse-lhe Andrew Walker. - Por que no segue meu
conselho e pensa um pouquinho mais sobre a nossa oferta e em relao a Marcus tornar-se seu scio? No seria um passo muito bom a ser dado, e meus colegas certamente
no ficariam contentes se voc fizesse isto. Afinal de contas, como eu acabei de dizer, nada  certo na vida, especialmente o casamento. Voc j esteve casada uma
vez e...
   - No vou ouvir mais nada - interrompeu-o com veemncia. - No faz sentido algum voc me pressionar oferecendo dinheiro. No quero e no vou mudar de idia.
   - Voc tem certeza de que est fazendo a coisa certa se casando com Carring, Lucy?
   Esta pergunta pegou-a desprevenida.
   - Sim, claro, tenho certeza - mentiu. - Eu amo Marcus. Pelo menos, isto era verdade. Na verdade, eu sempre o amei - acrescentou ela desafiadoramente.
   Ela podia ver que sua declarao no o agradara. Ele sem dvida alguma sabia que no poderia enganar Marcus da maneira que tentara fazer com ela.
   - Aconselharia a voc pensar com muito cuidado no que eu acabei de dizer. Ah, e se fosse voc no contaria a Marcus Carring sobre nossa conversa, pelo seu bem
e o dele.
   Andrew Walker ignorou a tentativa dela de responder e passou por ela para abrir a porta do escritrio.
   - Entro em contato com voc.
   Ele foi embora. Lucy sentiu-se aliviada. Quando ela tentou levantar-se para trancar a porta do escritrio e ter certeza de que ele no iria voltar, suas pernas
simplesmente no a sustentaram.
   Ela agora teria de fechar Prt a Party completamente, decidiu tremendo. No conseguia pensar em nenhum outro jeito de proteger a si mesma e seu negcio.
   Quando Marcus a questionasse em relao ao porque estava desistindo de seu negcio que se esforara tanto tempo para manter, simplesmente teria de dizer-lhe que
queria se concentrar neles dois - no casamento e no futuro juntos.
   Mentir para ele, em outras palavras.
   Mas que outra escolha ela tinha? Como ela poderia dizer a verdade agora?
   - D azar ver o vestido antes do casamento, voc sabe - Lucy repreendeu Marcus.
   - Voc no est com seu vestido de casamento - ressaltou ele. - Pelo menos, a no ser que voc tenha mudado de idia, e pretende casar-se comigo usando jeans.
   - No seja bobo. No estou com o vestido agora, mas estava quando voc apareceu.
   - Mas eu no vi voc - assegurou-lhe Marcus, mas Lucy podia ver que ele estava com os dedos cruzados atrs das costas. Estes ltimos dias foram to estressantes.
   - Anime-se, logo vai acabar - disse-lhe Marcus, como se de alguma maneira tivesse adivinhado como ela se sentia. - E quando estivermos em lua-de-mel, voc vai
poder relaxar.
   - Mal posso esperar.
   Os dois se olharam em silncio.
   - Estas ltimas semanas foram longas - disse-lhe Lucy sem flego. A expresso nos olhos dele fazia seu corao bater rpido dentro de seu peito.
   Marcus permaneceu olhando-a e ficou de repente ciente de uma emoo um tanto peculiar preenchendo-o e conduzindo-o. Uma necessidade - quase uma compulso - de
pegar Lucy em seus braos e deix-la l, enquanto ele...
   - Ele balanou a cabea, tentando dissipar as emoes no familiares que o assaltavam.
   - Por que ns no...? - comeou ele lentamente e depois franziu a testa quando foram interrompidos pela campainha. Ele foi abrir a porta, pegou um pacote do entregador
e assinou um papel,
   - Voc quer preparar um drinque para ns dois enquanto eu vejo o que  isto? - perguntou-lhe.
   Ela no conseguia resistir  tentao de olhar para ele, Lucy admitiu, observando-o abrir o pacote. Quando ele abriu-o, duas fotografias caram no cho.
   Lucy foi automaticamente peg-las.
   - No, no toque nelas, Deixa.
   A rispidez de seu comando fez com que Lucy imediatamente se lembrasse do velho Marcus.
   - O qu? - comeou ela e, em seguida, parou quando olhou para o cho e para a fotografia que estava virada para cima.
   Ela sentiu como se seu sangue estivesse sendo drenado e substitudo por algo como gelo.
   - Marcus... - Sua voz era um murmrio angustiado e chocado. Olhou para a fotografia, depois para a expresso indecifrvel de Marcus, e depois para a fotografia
novamente.
   Estava nua na fotografia. Os braos e as pernas esticados, segurados por quatro pares de mos masculinas enquanto um quinto homem estava entre suas pernas, obviamente
transando com ela.
   Como algum em transe, ela agachou-se e pegou a outra fotografia.
   - Lucy! No!
   Ignorando-o como se no tivesse nem mesmo o escutado, Lucy virou a segunda fotografia. Era ainda pior. Uma mulher juntara-se aos homens, uma mulher usando um
vibrador, ela e os homens, estavam todos fazendo as coisas mais imorais um com o outro. Ela estava ansiosa e querendo participar de tudo.
   Ela olhou para o que Marcus estava segurando. Havia urna foto dela na capa de um vdeo - nua, as pernas abertas. Havia escrito: Lucy ama sexo selvagem. Veja
ela em ao!
   Lucy sentiu seu estmago embrulhar.
   Correu para o banheiro e imediatamente vomitou. Tremendo, apoiou-se na pia, lavou o rosto e escovou os dentes. Queria arrancar suas roupas e ficar debaixo do
chuveiro mais quente e mais forte que pudesse encontrar. Queria esfregar sua pele e de alguma maneira remover a sujeira que sentia agarrada a ela.
   - Lucy.
   Marcus estava de p na porta do banheiro, uma expresso nos olhos que parecia de dor, mas que ela sabia que devia ser de averso.
   - No sou eu - disse-lhe, lenta e cuidadosamente, fixando seu olhar na parede para no ter de olhar para ele. - Sei que parece comigo, mas no .
   Silncio.
   O que ela esperava? Que ele fosse peg-la em seus braos e dizer que a amava? Depois de ver isto?
   - Voc no vai querer se casar comigo,  claro. Como poderia? - Ela ficou surpresa em como soara calma e compreensiva. -  melhor eu ir para casa e contar a todo
mundo. - Como ela estava conseguindo ser educada? Como se estivesse em uma festa na casa de sua tia-av, suportando o que estava passando?
   Ela sentia tanto frio como se estivesse na casa de sua tia-av, admitiu comeando a bater os dentes.
   - Lucy.
   O corpo de Marcus estava to perto.
   - Por favor, no - ela implorou-o conforme as lgrimas brotavam de seus olhos e escorriam em seu rosto. - Por favor, no faa com que seja ainda mais difcil
para mim, Marcus. Sei o que voc deve estar pensando e como deve estar se sentindo.
   - Sabe? - perguntou ele to brutalmente que a fez esquivar-se dele. - No, no acredito que saiba - disse-lhe asperamente. - No acho que voc consegue saber
como me sinto sabendo que voc foi exposta a este tipo de...de sujeira.
   - Marcus, no fui. No sou eu. Por favor, acredite em mim. No sou eu. - Ela no conseguia mais segurar as palavras, embora soubesse que ele no acreditaria nela.
No com a evidncia daquelas fotos terrveis.
   - Sei que no  voc - disse ele. -  bvio que no poderia ser voc. Como seria?
   Ele acreditava nela?
   - Voc... voc sabe que no sou eu? - repetiu Lucy com medo de acreditar no que escutara.
   - Sim,  claro que sei que no  voc - respondeu Marcus, com uma impacincia familiar.
   - Mas como? Como voc pode saber? - perguntou-lhe Lucy tremendo.
   - Alm de qualquer outra coisa, voc tem uma pinta muito caracterstica na coxa esquerda - disse-lhe Marcus calmamente. - E quem quer que tenha posado para esta,
esta abominao no tem...
   - Oh!
   Como era estranho que a coisa mais importante da sua vida inteira fosse estar ligada  existncia de uma minscula pinta marrom; que algo no muito maior que
uma cabea de alfinete poderia fazer a diferena entre a infelicidade ou a tristeza - entre a confiana e a dvida, entre verdades e mentiras, entre estar casada
com Marcus ou ser rejeitada por ele.
   -  bvio que algum sobreps seu rosto no corpo de outra pessoa.
   - Mas algum sem a minha pinta - disse Lucy. Marcus estava franzindo a testa agora.
   - A pinta  simplesmente a confirmao do que eu j sabia, Lucy - disse-lhe friamente. - Minha opinio sobre voc  tudo o que preciso para saber que voc nunca
seria a mulher dessas fotografias.
   Para a prpria descrena de Marcus, ele percebeu que queria abra-la; que queria dizer-lhe que iria matar lenta e dolorosamente quem quer que fosse o responsvel
pelo que acontecera; queria dizer-lhe que sabia que ela era sensual, uma mulher que amava a intimidade do sexo a dois, uma mulher que celebrava sua feminilidade
no ato de compartilhar prazer com apenas um homem.
   Mas como ele podia estar se sentindo assim? Ele no sentia coisas. Pensava lgica e calmamente. No permitia que as emoes influenciassem suas opinies. E,
acima de tudo, no permitia a si mesmo que seu corao ficasse naquela agonia porque a dor de Lucy era a sua dor. Porque se permitisse, ento isto significava que...
   Ela interrompeu furiosamente o pensamento que no queria aceitar.
   - Mas por que fariam uma coisa dessa? - perguntava Lucy dando-lhe algo de lgico em que ele pudesse se focar.
   -  provavelmente uma brincadeira - disse-lhe Marcus tentando recusar-se a analisar o que estava acontecendo dentro de sua cabea. No, no na sua cabea, mas
no seu corao - aquela parte dele que dissera a si mesmo que s funcionaria fisicamente, nunca emocionalmente.
   - Uma brincadeira?
   - Sim, sempre acontece. - Ele sacudiu os ombros. - Afinal de contas, ns dois pudemos ver que  uma brincadeira estpida e de muito mau gosto, e na pior das hipteses
uma tentativa mal-intencionada de acabar com nosso relacionamento.
   - Mas quem faria uma coisa dessa? - perguntou Lucy, franzindo a testa.
   - Quem vai saber? A melhor coisa que podemos fazer agora  ignorar e esquecer - repetiu Marcus. Mas sabia que no estava sendo sincero com ela.
   Exatamente naquela manh, ele escutara que a mulher pela qual Nick Blayne deixara Lucy acabara com o relacionamento e que ele agora estava sem um tosto.
   No havia bilhete no pacote, mas Marcus suspeitava que o vdeo e as fotografias eram o incio de uma tentativa desastrosa de chantage-lo para pagar pela cpia
originai. Mas Marcus no queria perturbar Lucy.
   Ou por que estava preocupado que se ela soubesse que Blayne estava livre novamente, ela poderia ficar tentada a voltar para ele?
   - Marcus?
   Lgrimas escorriam pelo rosto de Lucy. Seus pensamentos eram uma mistura de confuso e medo, acrescido do alvio por Marcus ter reagido.
   - Est tudo bem, Lucy. Est tudo bem - disse-lhe Marcos.
   - No estou chorando porque estou aflita - Lucy conseguiu dizer. - S estou chorando porque estou to feliz por voc no ter pensado que era eu. Oh... mas, Marcus,
se voc no soubesse da minha pinta...
   - Lucy, olha para mim.
   - Meu rmel escorreu e meu nariz est vermelho - ela fez objeo, fungando.
   - Verdade - concordou Marcus, mas sua expresso era a mais calorosa que podia lembrar-se de ter visto. - Mas ainda consigo te reconhecer, Lucy. E mesmo que
voc no tivesse sua pinta, ainda assim reconheceria o corpo naquelas fotografias e, naquela situao, nunca pertenceria a voc.
   - Como voc saberia?
   - Porque eu sei - respondeu Marcus honestamente. E era verdade. Realmente sabia que Lucy nunca seria a garota das fotos.
   E agora estava comeando a saber sobre algo mais.
   Mas ele ainda no estava pronto para ceder. Seu desejo em se casar com Lucy veio da lgica e no do amor. Veio agora? Ou viera originalmente?
   Lucy lanou-lhe um pequeno e trmulo sorriso.
   - Ento, voc ainda quer se casar comigo?
   Marcus arqueou uma sobrancelha.
   -  claro. Precisaria ser um homem mais corajoso para desapontar uma me que planejou um casamento para quinhentas pessoas.
   - Eu disse a ela que queramos uni casamento discreto.
   - Quinhentas, cinco mil ou cinco, francamente, minha querida, tudo o que importa  voc estar l, Lucy,
   - Porque voc j tem quase trinta e cinco anos e precisa de um herdeiro? - Ela segurou a respirao, desejando que por algum milagre ele negasse seu comentrio
e falasse que a amava.
   -  claro - concordou ele imediatamente.
   Sua tola esperana foi embora, deixando-a faminta por conforto e preenchida pela dor.
   - Vou lev-la para casa de seus pais agora - disse ele.
   - Marcus! - protestou Lucy.
   - Estou falando srio, Lucy. Voc no pode ficar aqui esta noite. Ns dois sabemos disto.
   E ele sabia que se a tocasse no conseguiria deix-la partir, Marcus forou-se a admitir.


   CAPTULO NOVE

   Lucy recusara-se categoricamente a usar vestido branco, e j estava a ponto de desistir de procurar algo adequado quando viu um vestido da Vera Wang na Harrods.
   O vestido longo de seda crua era de duas peas com um top bem justo no corpo. Tambm no queria usar um vu, mas no final concordou em vestir um pequeno chapu
com um pequeno 'quase' vu.
   Marcus sabia que ela tinha entrado pelos movimentos excitados nos bancos da igreja s suas costas e, para sua surpresa, sentiu-se compelido a virar-se e v-la
entrando em direo a ele.
   Ele ficou tenso e seu corao palpitou em reao a algo que estivera determinado que nenhuma mulher suscitaria nele - muito menos Lucy.
   Realmente acontecera. Ela e Marcus estavam realmente casados, percebeu Lucy quando o bispo entoara suavemente.
   - O noivo pode beijar a noiva.
   E Marcus curvou o corpo e fez exatamente isso. Um beijo frio e distante que encheu os olhos de Lucy de desespero e fez com que sua mo tremesse.
   Eles saram da igreja ao som de uma msica de alegria triunfal para serem bombardeados com ptalas de rosas pelos convidados antes de entrarem na limusine em
direo ao lugar onde seria o caf da manh de recepo.
   - Voc tem certeza de que no est desapontada por que no reservamos um hotel para hoje  noite? -- perguntou Marcus.
   Eles estavam de p no quarto dele da casa em Wendover - agora o quarto deles. Ainda havia um pouco de cheiro da nova decorao - cheiro de pintura, tecido e carpete
novos.
   - No, no estou nem um pouco desapontada - assegurou-lhe Lucy. - Afinal de contas, estamos indo para o Caribe amanh e, alm disso...
   - Alm disso, o qu? - perguntou ele.
   Lucy balanou a cabea. Eles podiam estai1 casados e ela podia ser a esposa dele, mas isso no significava que podia dizer-lhe que no se importava com o lugar
onde estavam desde que estivessem juntos, e de que a casa dele tornara-se inexplicavelmente ligada s emoes de ter passado sua primeira noite com ele ali.
   - Nada - mentiu, antes de admitir com pesar. - Mas me senti um pouco idiota voltando para casa no txi ainda com meu vestido de noiva. Por que voc quis que eu
continuasse com ele?
   O jeito que ele estava olhando-a fez com que enrubescesse.
   - Porque quero ter o prazer de tir-lo. Todos estes minsculos botes das costas ficaram me tentando durante horas - Marcus disse-lhe com sinceridade - e acho
que quanto antes melhor. Certamente antes de usarmos nosso novo e sensual banheiro.
   - Foi voc quem sugeriu isto - ela lembrou-lhe um pouco na defensiva. Os pais dela balanaram a cabea por causa da perda de um espao londrino to caro em um
simples banheiro.
   - Mmm. Tenho lembranas muito boas do banheiro de nossa sute em Deia.
   Como parte da nova decorao da casa de Marcus, eles expandiram o j enorme quarto de Marcus para inclurem um novo quarto de vestir feito a partir de um quarto
menor.
   - A Sra. Crabtree disse que deixaria para ns um jantar, e que tinha champanhe no gelo l em baixo. No fuja enquanto eu vou buscar.
   - Fugir? Marcus, voc viu como esta saia  justa? No posso correr para lugar algum com ela. Na verdade, mal consigo caminhar.
   Ele no demorou muito.
   -Aqui est - disse-lhe entregando-lhe uma taa de champanhe que acabara de servir.
   - No acho que deva - hesitou Lucy, lembrando-se da festa de aniversrio da tia Alice,
   - Eu acho, voc definitivamente deve. A ns - brindou Marcus.
   - A ns - sussurrou Lucy de volta, tremendo de prazer quando Marcus curvou-se e beijou-a. Ela podia sentir o gosto de champanhe na boca dele.
   Quando ele soltou-a, ela deu outro gole e largou a taa. Estava excitada demais para precisar de champanhe.
   Marcus tirara seu blazer e a gravata,
   - Quando eu vi voc entrando na igreja, Lucy. achei que nunca tivesse visto voc to linda.
   - Oh, Marcus! - Lucy mordeu os lbios, determinada a no deixar que ele soubesse que preferia ter escutado ele dizer que a amava.
   Beijou-a novamente, desta vez mais apaixonadamente, e em seguida disse:
   - Agora, onde exatamente eu comeo com este vestido?
   - A saia  presa  parte de cima por um velcro, ento seria uma idia desabotoar os botes dela primeiro.
   Ela estava gaguejando, Lucy reconheceu, e tudo por causa de como se sentia em pensar em conceber um filho de Marcus - e ela no sabia se j  tinha ou no feito
isso naquele ms.
   Marcus movera-se para trs dela e desabotoava vagarosamente as duas dzias de botes que fechavam sua saia.
   Quando ele finalmente completara sua tarefa, e despregara a saia da parte de cima de seu vestido, ela ficou parada de salto alto, meia-cala de seda presa por
uma cinta liga que combinava com seu vestido, e uma calcinha mnima.
   - Sei que tudo parece um pouco bvio - disse-lhe, fazendo um gesto em direo ao seu corpo. - Mas a idia no foi minha...
   O resto dele, ela percebeu, estava levemente enrubescido - por ter se abaixado para pegar algumas ptalas de rosas que tinham cado dentro de seu vestido?
   Mas ele no respondeu ao seu comentrio nervoso.
   Ao invs disso, ajoelhou-se em frente a ela e comeou a beijar-lhe a parte da coxa que no era coberta pela meia, fazendo uma pausa para lentamente desprender
a cinta liga, e depois ir enrolando a meia-cala na perna dela, seguindo esses movimentos com os beijos de seus lbios.
   Quando ele tirou o sapato de seu p e as meias, segurando seu p com firmeza e depois lhe beijando a parte  de cima, Lucy soltou o ar em um delrio de prazer.
   A outra meia e a cinta-liga foram tirados de maneira igualmente sensual. Mas Marcus no tinha terminado. Colocou a mo dentro de sua calcinha, tirando-a e colocando
 mostra sua nova depilao - no ao estilo brasileiro, mas em forma de um pequeno corao.
   - Mmm... lindo. Muito bonito - comentou ele. - Mas no to bonito quanto isso. - E ento suas mos seguraram suas pernas e sua lngua penetrou delicadamente
entre os lbios de seu sexo com perfume de ptalas de rosa, e acariciou toda a extenso de sua abertura, at agora inchada e latejante protuberncia que era seu
clitris.
   - Quem precisa de champanhe quando se pode ter nctar? - disse-lhe Marcus depois que sua lngua a acariciara at que chegasse a um clmax doce e premente.
   Ainda estava claro quando eles chegaram em casa, mas quando chegaram  cama, estava definitivamente escuro - e ela estava definitivamente ansiosa para consumar
o casamento. Ele a penetrou lenta e profundamente, e seus msculos fecharam-se amorosamente em volta dele, o corpo dela fazendo dele seu prisioneiro - assim como
ele fizera o amor dela o seu.
   - Cansada?
   - S um pouco - admitiu Lucy quando desciam do txi e entravam no Hotel Mustiques Sugar.
   O longo vo da Inglaterra em novembro para o calor caribenho, o casamento do dia anterior e a longa noite de paixo que compartilharam, a deixara levemente cansada,
Lucy admitiu. Cansada e desapontada - porque nada mudara - porque Marcus, embora um amante maravilhoso, no a amava.
   Ela nunca visitara Mustique e estava encantada, e um pouco surpresa, por Marcus ter escolhido um lugar to romntico para a lua-de-mel. Uma escurido tropical
descera na ilha logo depois de o avio ter aterrissado. Fizeram o check-in e esperaram pelas chaves do quarto.
   - Voc est com fome? - perguntou-lhe Marcus.
   - Quer comer agora ou mais tarde?
   - Gostaria de tomar um banho. Mas mais do que tudo adoraria...
   - Tomar um caf - terminou Marcus para ela. - Vou pedir para voc, tudo bem? E podemos conhecer o lugar enquanto eles desfazem nossas malas?
   - Mmm. Oh, Marcus, venha e olhe para isto - exclamou Lucy. -  um menu de travesseiros. Voc pode escolher seu prprio travesseiro.
   Dez minutos depois, eles estavam caminhando de mos dadas pelo Grande Salo do hotel. A decorao da sute master era estilo sculo dezoito. Havia uma enorme
banheira e uma piscina particular que acrescentava ao luxo romntico. Os dois exploraram os jardins e pararam para admirar a praia. Quando voltaram  sute, as
malas haviam sido desfeitas.
   - Talvez apenas uma refeio no quarto esta noite? - sugeriu Lucy bocejando.
   - Boa idia - concordou Marcus.
   Marcus acordou-a com os dedos provocativos em seus seios e com beijos em suas plpebras, e eles saram da cama em uma vagarosa jornada de jogos preliminares
que acabou na piscina com ela entregando-se completamente  penetrao de Marcus. Agora, duas horas depois, seu desejo por eleja era uma fora clamorosa.
   Afastando-se dele, Lucy passou sua mo lentamente pelo corpo dele para abraar sua ereo.
   Marcus a observava, perguntando a si mesmo se ela sabia o quanto daquilo era atribuvel no ao que ela estava fazendo, mas  expresso de prazer ertico nos
olhos dela enquanto fazia. Seu prprio corpo registrava prazer com o que ela fazia, seus mamilos endurecendo e os seios levantando levemente. Sob a gua, ele podia
ver como os lbios de seu sexo estavam inchando.
   Marcus posicionou-a sobre a ereo que ela acabara de acariciar e ela montou nele, afundando-se lentamente, deleitando-se na intensidade ertica de coloc-lo
dentro dela, centmetro por centmetro. Ele gemeu com fora e buscou os lbios dela, puxando-a contra seu corpo enquanto penetrava nela repetidamente e levantou
a mo para coloc-la sobre a boca de Lucy quando ela gritou alto em um xtase selvagem.
   - No posso acreditar que estamos voltando para casa - suspirou Lucy quando saram do pequeno avio que o trouxeram de Mustique.
   - Ainda temos algumas horas antes de pegarmos o vo para Londres. Tem alguma coisa que voc queira fazer?
   Lucy balanou a cabea.
   - Vou comprar algumas revistas e um livro.
   - Tenho algumas ligaes para fazer e aproveito para comprar um caf para voc, tudo bem? - ofereceu Marcus.
   - Mmm, por favor -- agradeceu-lhe Lucy.
   Lucy estava na fila esperando para pagar por suas compras quando o viu. Ela sussurrou horrorizada,
   - Nick!
   E embora soubesse que ele no podia ter escutado, ele virou o rosto e olhou diretamente para ela, abandonando a mulher como quem estava para vir em sua direo.
   Ela imediatamente afastou-se dele, no o querendo prximo a ela.
   - Bem, bem, se esta no  minha ex-mulher. Sozinha?
   - No. Estou com Marcus - disse-lhe Lucy friamente. Ela no queria ignor-lo, mas ele agora estava bem ao lado dela e, a no ser que abandonasse os livros que
segurava e fosse embora, teria de ficar onde estava.
   - Carring?
   Ela podia ver que Nick no estava de todo contente.
   - Sim, Marcus - repetiu Lucy. - Ele e eu somos casados agora.
   - Ele se casou com voc? - perguntou Nick. - Como voc o convenceu a fazer isso? Voc est grvida? Achei que ele fosse te largar quando visse o presente de casamento
que eu e Andrew mandamos para ele. Talvez ele tenha as prprias razes para ir adiante, no? Mas se ele acha que vai fazer com que Andrew pague mais pela Prt a
Party...
   - Voc mandou as fotografias? - interrompeu-o Lucy.
   - Mmm...boas fotos, no? - ele implicou com ela. - Especialmente aquela em que voc est sorrindo como se estivesse realmente se divertindo.
   Ela no podia deixar que ele visse como estava chocada, decidiu Lucy. Nem deixar que ele soubesse o quanto ficou assustada em saber que ele estava trabalhando
com Andrew Walker.
   - Voc realmente deveria ter aceitado a oferta de Andrew, Lucy. Ele no est contente com voc. Quer a Prt a Party e, acredite em mim, vai t-la, de uma maneira
ou de outra.
   - Como voc conhece Andrew Walker? - perguntou ela.
   - O que isto tem a ver com voc? Vamos apenas dizer que o conheo e que recomendei que ele procurasse investir na Prt a Party - vangloriou-se Nick. -  perfeita
para as necessidades dele.
   - Estas necessidades sendo lavagem de dinheiro roubado de refugiados que tm medo dele, voc quer dizer? - desafiou Lucy Nick furiosa.
   - Ai, ai, ai. No seja intrometida. Tome cuidado. E pense nisto: voc j concordou verbalmente em ser scia de Andrew, ento est to envolvida quanto ns.
   - No. S conversamos sobre uma parceria, e ainda no sabia a verdade.
   - Mas voc pode provar isto? Tenho certeza de que Andrew seria capaz de provar se sentisse que precisasse. Ele quer a Prt a Party, Lucy, e ele a quer sem que
Carring esteja envolvido. Andrew vai conseguir o que quer. Sempre consegue.

   Onde estava Lucy? Marcus saiu da cafeteria e foi procur-la.
   Era fcil para ele ach-la entre os outros - e tambm fcil reconhecer o homem que estava ao lado dela.
   Nick Blayne. Que diabos...?
   Podia sentir a raiva invadindo-o. Lucy agora era dele. Marcus comeou a caminhar em direo a eles, mas, naquele momento, Lucy largou os livros que segurava
e comeou a se afastar de Nick, indo em direo a cafeteria. Quando Marcus olhou para onde Nick estava, ele tinha desaparecido.
   Ele alcanou Lucy assim que ela chegou  cafeteria. Ela parecia chocada e muito aflita.
   - O que houve? - perguntou ele. - Parece que voc viu um fantasma.
   Ou um ex-marido.
   - S estou com calor e cansada. S isto. - Lucy mal conseguia pensar direito, muito menos falar, por causa de seu prprio pnico e medo. Nick conhecia Andrew
Walker. Nick dissera a Andrew Walker sobre ela e sobre Prt a Party. Nick e Andrew Walker eram os responsveis pelas fotografias e pelo vdeo. Andrew Walker queria
impedir que Marcus se casasse com ela porque ele queria a Prt a Party.
   Ela no dissera uma palavra sobre ter visto Blayne. Ele dissera a ela que estava livre novamente? Ela estava desejando que ele tambm estivesse? Combinaram de
se encontrar em algum lugar - em Londres, por exemplo? Certamente tiveram tempo.
   - Acabaram de chamar nosso vo - anunciou Marcus.
   - Marcus... - Lucy queria desesperadamente contar-lhe o que acontecera, pedir-lhe ajuda.
   - Sim.
   Ela mordeu os lbios.
   - Nada. - Como ela iria envolv-lo? Como podia dizer-lhe como tinha sido idiota? Como podia dizer-lhe sobre a natureza imoral do que ela quase estivera envolvida?
   Sentia-se enjoada e tremula e com muito, muito medo.
   - Lucy. Que menina desobediente voc tem sido no retomando minhas ligaes.
   Lucy tentou se levantar, mas Andrew Walker colocara a mo pesada em seu ombro, empurrando-a de volta para a cadeira. Como ele entrara em seu escritrio? Agora
sempre trancava a porta.
   Ele balanou uma chave, como se adivinhasse no que ela estava pensando.
   - Que sorte Nick ter se lembrado que tinha uma chave reserva aqui do escritrio. A propsito, ele est de volta em Londres. J entrou em contato com voc?
   Lucy no respondeu.
   - Nick quer muito ver voc - continuou ele. - Na verdade, ele me falou sobre o quanto se arrepende do fim do casamento de vocs. Devo dizer que  uma pena ele
no estar mais envolvido com a Prt a Party.
   Ele largou o ombro dela e puxou uma cadeira, sentando-se em frente a ela e bloqueando sua passagem at a porta - a qual ela suspeitava que ele provavelmente
havia trancado.
   - Agora, em relao  Prt a Party, Lucy,
   - Estou fechando a Prt a Party - disse-lhe Lucy imediatamente. Tudo que foi capaz de pensar desde que voltara da lua-de-mel fora em como resolver o problema.
No final, decidira que a melhor maneira era simplesmente garantir que a Prt a Party no existisse mais. - Voc vai ter de procurar por outra coisa.
   - Oh, no. Acho que no podemos permitir que voc faa uma coisa destas. Prt a Party  to perfeita para as nossas necessidades- Nick foi muito bobo em ter largado
a Prt a Party.
   - Nick me deixou.
   - Um erro pelo qual ele agora se arrepende.
   - No vou ser forada a entrar no que voc est fazendo e vou.,.
   Ele estava balanando a cabea.
   - Lucy, acho que voc no entendeu direito. Queremos Prt a Party e queremos voc tambm. Afinal de contas, sem voc ela no  muito til para ns,  o seu nome
que faz com que ela seja o que .
   -No. No vou concordar, e voc no pode me forar.
   - Oh, querida. Sinto que voc vai ter uma desiluso. Ns podemos sim. O que voc sente por seu marido, Lucy? Voc o ama? Voc no gostaria de v-lo ferido, gostaria?
E ele poderia se machucar muito se voc no fizer o que queremos.
   - Voc est tentando me assustar e me ameaar.
   - Onde est Marcus neste momento, Lucy? Voc sabe?
   Ela recusou-se a respond-lo. Andrew Walker deu um leve suspiro.
   - Est em Leeds, no est? Por que voc no telefona para ele? Voc sabe o celular dele, no sabe?
   - Ele foi ver um cliente - disse-lhe Lucy. - No quero incomod-lo.
   - Ele pode ter ido a Leeds ver um cliente, mas infelizmente no cumpriu o compromisso. Ele teve um... pequeno acidente, voc v.
   Ele viu a expresso de Lucy e deu uma risada.
   - Vou ser muito generoso com voc, Lucy. Vou embora agora e te dou vinte e quatro horas para pensar. Voc  uma mulher sensata e tenho certeza de que vai rapidamente
perceber que  para seu prprio interesse aceitar o que estamos oferecendo. Vejo voc amanh, mesmo local, mesma hora.
   Andrew Walker foi embora deixando para trs o cheiro da sua loo ps-barba.


   CAPTULO DEZ

   Lucy estava enjoada. Lutava para respirar. Seus dedos tremiam quando pegou o telefone para ligar para Marcus.
   Quando ele no atendeu, entrou em pnico e tentou convencer-se de que ele simplesmente redirecionara suas ligaes. Mas, como um choque, ela ouviu uma voz estranha
de homem perguntando,
   - Quem fala?
   - Quero falar com Marcus, meu marido.
   - Quero falar com Marcus, meu marido. - O homem imitou-a cruelmente. - Bem, no tem nenhum Marcus aqui.
   - Mas voc est com o celular dele! Como? Onde?
   Para seu desnimo a ligao foi interrompida, e assim permaneceu, embora tentasse ligar repetidas vezes.
   O celular de Marcus tinha obviamente sido roubado - mas isto no significava que alguma coisa tinha acontecido a ele. Celulares eram roubados o tempo inteiro.
   Mesmo assim... Ela ligou para o banco freneticamente pedindo para falar com o assistente de Marcus e perguntando com quem exatamente ele fora se encontrar,
e como poderia entrar em contato com ele.
   - Voc tentou o celular dele? - perguntou Jerome.
   - Sim, mas... mas um estranho atendeu. Jerome, eu acho que pode ter sido roubado e estou preocupada com Marcus.
   - Fique calma. - Ele imediatamente tranquilizou-a. - Tenho certeza de que h uma explicao. Vou entrar em contato com o cliente e te ligo de volta.
   Cinco minutos se passaram agonizantemente devagar, e depois outros cinco. E ento Lucy no conseguiu mais esperar.
   Desta vez ligou diretamente para Jerome. Estava ocupado. Porque estava tentando falar com ela? Lucy desligou imediatamente. Se alguma coisa tivesse acontecido
com Marcus, a culpa era sua.
   O telefone comeou a tocar. Atendeu e ouviu a voz de Jerome.
   - Lucy?
   - Sim, sou eu. Voc falou com Marcus?
   - Sim...
   - Onde ele est? - perguntou ela nervosa.
   - Houve um pequeno acidente, mas ele est bem, Lucy...
   - O que voc quer dizer com isto? Que tipo de acidente? Jerome, onde ele est?
   - No Hospital de Leeds.
   - O qu? Por qu? O que aconteceu com ele? Vou para l. Eu...
   - Lucy, fique calma. Marcus est bem. Ele disse para eu dizer a voc que volta para casa amanh, como o planejado.
   - Quero falar com ele! Quero v-lo...
   - Sinto dizer que voc no pode, Lucy. No neste momento. No  nada de grave, apenas alguns machucados e arranhes. Embora pelo que pareceu, poderia ter sido
muito pior se a polcia no tivesse visto o que estava acontecendo, e no tivesse afugentado os bandidos. No entanto, os mdicos querem examin-lo - apenas por
precauo.
   - Jerome, por favor... Quero saber agora o que aconteceu exatamente - exigiu Lucy.
   - Marcus foi agredido por um grupo de jovens, europeus do leste, ele acha. De acordo com a polcia, devem ser imigrantes ilegais, mas como no conseguiram prender
nenhum, no podem confirmar. Obviamente, estavam atrs da carteira e do celular - roubaram os dois e o relgio. E  claro que Marcus no permitiu que fosse fcil
para eles. Felizmente, a polcia chegou antes das coisas ficarem fora do controle. Marcus disse explicitamente que era para voc no se preocupar, e que vai ligar
para voc assim que puder.
   - Vou para Leeds agora - disse Lucy ao assistente.
   - No, Lucy - disse Jerome com firmeza. - Marcus previu que voc fosse dizer isto, e me disse para dizer a voc que no h necessidade. Vai estar de volta amanh
 tarde.
   Por favor, que isto no esteja acontecendo, Lucy rezou depois de colocar o telefone no gancho. Por favor, que isto seja apenas um terrvel pesadelo.
   Mas estava acontecendo - e estava acontecendo por causa dela. Marcus tinha sido atacado e roubado simplesmente porque era casado com ela.
   Os segundos e depois os minutos se passaram - meia hora - uma hora - uma hora e quinze minutos - e ento o telefone tocou.
   - Marcus?
   - Sim, sou eu.
   O alvio em escutar a voz dele dominou-a completamente. Tremia tanto que mal conseguia falar.
   - O que aconteceu? Voc est bem? Quero ir a Leeds.
   - Fui assaltado. Estou bem e no h necessidade de voc vir. Volto amanh  tarde.
   - Onde voc est? No hospital?
   - Estou em um txi indo encontrar com meu cliente. Exceto por uns machucados, estou bem. Pare de se preocupar, Lucy. Coisas deste tipo acontecem o tempo inteiro.
No vamos fazer um drama desnecessrio.
   Ela podia sentir a impacincia na voz de Marcus. Tentou respirar fundo.
   - Olha, tenho que ir - ouviu Marcus dizer. - Estou usando um celular temporrio. Ligo para voc  noite.
   - Me prometa que voc est bem de verdade - perguntou Lucy com emoo.
   - Estou bem de verdade - garantiu-lhe Marcus calmamente.
   Ela reagiu  apario de Andrew Walker com uma mistura de desespero e exausto.
   Passara a noite inteira acordada pensando.
   - Eu realmente espero que voc tenha pensado seriamente no que te disse ontem, Lucy. Mas caso voc no tenha levado a srio, trouxe comigo algumas fotografias.
   Ele colocou-as sobre a mesa de Lucy. Estavam levemente fora de foco, como se tivessem sido tiradas s pressas.
   Marcus recebendo socos e depois chutes, rodeado por quatro assaltantes.
   - Desta vez, Marcus teve sorte. A polcia chegou a tempo. Na prxima vez, no ter tanta sorte, Lucy. E haver uma prxima vez.
   Ele colocou as mos no bolso e puxou um telefone celular - o telefone de Marcus, Lucy reconheceu, enquanto um tremor a invadia.
   - Desta vez, tudo o que pedi foi o telefone dele como prova de que minhas ordens foram cumpridas, mas da prxima vez...
   - Pare - implorou Lucy. - A polcia vai pegar os responsveis...
   Andrew Walker deu risada.
   - De maneira alguma. Aqueles vermes sabem exatamente como se esconder, e sabem que se falarem alguma coisa para as autoridades sero deportados, se viverem
at l.
   Lucy tremeu. No tinha mais dvidas de que as ameaas eram verdadeiras - e executveis. Tinha de fazer alguma coisa para proteger Marcus, e sabia que s havia
uma coisa que podia fazer. As lgrimas encheram seus olhos. No havia outra escolha. A segurana de Marcus era mais importante do que a sua felicidade.
   - Depende de voc, Lucy - dizia-lhe Andrew Walker. - Uma sociedade com voc e com Prt a Party, e Marcus fica a salvo...
   Ela sabia exatamente o que tinha de fazer para salvar Marcus. Podia salvar Marcus - mas no podia salvar seu casamento.
   - Voc no pode me chantagear atravs de Marcus - disse-lhe. - No quero que ele se machuque. Francamente, eu queria nunca ter me casado com ele. Soube que foi
um erro no momento em que enxerguei Nick novamente.
   Bem, aquilo era verdade. Mas no como queria que Andrew Walker entendesse.
   A razo pela qual considerava seu casamento um erro era porque Nick revelara a ela o perigo no qual colocara Marcus.
   Ela podia ver que Andrew Walker estava franzindo a testa e sentiu que ele no estava acreditando nela. Muito bem. Ento, teria de convenc-lo.
   - Percebi, quando vi Nick no aeroporto, que era ele que eu amava - mentiu. - Disse isto a Marcus e disse a ele que queria me separar.
   Andr Walker ainda enrugava a testa.
   - Bem, isto  uma surpresa. E uma surpresa que tenho certeza que vai deixar Nick contente... se for verdadeira.
   -  verdade. Mas duvido que v deixar Nick contente. Por que deixaria? Ele no me ama - disse-lhe Lucy.
   Isto era verdade, Nick no era capaz de amar outra pessoa que no fosse ele.
   - Ele adora voc.
   - No quero falar sobre Nick - disse-lhe Lucy. - Primeiro de tudo,  claro, tenho de me separar de Marcus, mas neste meio tempo vou deixar o pas e viver em outro
lugar.
   - Isto no  precipitado e desnecessrio? - Andrew Walker a preveniu. - Tenho de admitir que voc me surpreendeu, se est me dizendo a verdade.
   - Por que mentiria? - Lucy desafiou. - No amo Marcus. No quero ele machucado, mas no quero estar envolvida no que vocs esto planejando para Prt a Party,
e nada que vocs faam com Marcus vai mudar isto - disse a Andrew Walker tremendo.
   - Por que voc no espera que falemos com Nick antes de voc tomar uma deciso em relao a isso, Lucy?
   Andrew Walker sorria para ela quase paternalmente.
   Falar com Nick? Ela preferia morrer! Talvez at fosse morrer... Mas Andrew Walker j lhe dissera que precisavam do nome dela na Prt a Party, o que significava
que precisavam dela viva. Mas no Marcus. No precisavam de Marcus vivo. Marcus...
   - McVicar me telefonou esta tarde quando eu estava voltando de Leeds. Me disse que voc entrou em contato com ele para saber se Blayne ainda poderia ser considerado
um funcionrio da Prt a Party j que ele no assinou acordo algum - anunciou Marcus friamente.
   Voc esperava que ele ainda estivesse envolvido, Lucy? Quando vi voc com ele no aeroporto, foi por acaso ou planejado? Voc o quer como um parceiro em sua cama?
Ao invs de mim?
   No, isto era bobagem. Certo, depois do estardalhao que Lucy fizera no telefone, estava surpreso que Lucy estivesse se comportando to distante dele agora que
estava em casa. Ele certamente no permitiria a si mesmo pensar que a frieza dela em relao a ele machucava.
   O caf derramou da caneca que Lucy segurava. O corao dela batia de forma desconfortvel e irregular e estava fazendo com que ela sentisse nuseas.
   - Simplesmente quis saber qual era a situao - ela se defendeu.
   - Por que voc no me perguntou?
   - Voc  meu marido, no meu advogado. - Ela no conseguia suportar olhar para os machucados no rosto de Marcus e estava com medo de dizer-lhe o que estava acontecendo.
   - J foi decidido onde vamos passar o Natal? - perguntou ele mudando de assunto.
   - Falei com minha me ontem de manh. Ela falou com sua me, e Beatrice sugeriu que ns todos passssemos juntos.
   - Onde? Espero que no neste maldito castelo que ela quer alugar para o aniversrio de George.
   Em outra ocasio teria dado risada, mas agora apenas deu o mais insignificante dos sorrisos, Marcus notou.
   Por qu? Porque secretamente estava pensando que queria passar o Natal com Blayne? A dor que este pensamento lhe causava era quase alm do suportvel. De onde
viera e o que significava?
   Ela ainda no dissera uma palavra sobre ter visto Blayne, e Marcus desejou saber quantos contatos houve entre eles desde ento.
   - No. - Lucy lanou-lhe um olhar triste. - Mame est falando em ns todos irmos para Framlingdene.
   Framlingdene era a uma propriedade tombada que fora originalmente o lugar de descanso da famlia do pai de Lucy. A famlia conservara o direito de usar quartos
l.
   - Vai ter espao suficiente para todos ns l?
   - No. Acho que seria melhor se simplesmente ficssemos em Londres. Normalmente, fazemos uma grande festa de famlia na casa da tia Alice depois do Natal, e
acho que podemos jantar l.
   - Bem, realmente faz mais sentido do que viajarmos para Yorkshire. Lucy, alguma coisa errada?
   A pergunta chocou e surpreendeu Marcus tanto quanto Lucy. Desde quando ele queria falar sobre emoes?
   Lucy lutou contra a verdade e o medo - e o amor.
   No fim, o amor venceu.
   - No, claro que no. Por que haveria?
   - Por nenhuma razo em particular, a no ser que no parece uma recm-casada animada. - Marcus ouviu ele mesmo dizer laconicamente.
   - Recm-casados animados esto normalmente animados porque esto apaixonados um pelo outro. E ns no estamos.
   Ela logo teria de dizer-lhe que queria acabar com o casamento. Logo, mas no ainda. Por favor, apenas permita que passe mais algum tempo com ele. Um aniversrio,
um Natal...ela diria a ele antes do Ano Novo, prometeu a si mesma.
   Lucy estava hesitante ao lado de fora da joalheria. Hoje era o aniversrio de Marcus e nessa noite iriam jantar fora com a famlia dele. J comprara para ele
uma nova gravata de seda, e certamente no podia comprar-lhe um dos relgios caros da vitrine.
   Alm disso, ele mesmo substituiria o Rolex roubado, pois o relgio tinha seguro.
   Mesmo assim... Havia um discreto aviso na vitrine dizendo que tambm vendiam relgios de segunda mo.
   Podia entrar e perguntar.
   Meia hora depois estava de volta  calada com o relgio Rolex no qual acabara de gastar cada centavo de sua conta.
   Era exatamente o mesmo modelo que roubaram de Marcus. Ele ficaria com ele para sempre? Mesmo depois do divrcio? A dor deixou-a imvel.
   Estavam indo jantar na Torre Carlton - principalmente porque na opinio de Marcus serviam o melhor bife de Londres.
   Marcus chegou em casa assim que Lucy saiu do banho. Quando ela chegou no quarto, ela enrolou-se em uma toalha e estava sentada na cama, o relgio cuidadosamente
embrulhado ao seu lado.
   - O que  isto? - perguntou ele.
   - Seu presente de aniversrio.
   - Pensei que tivesse recebido de manh.
   - Sua gravata? Sim, eu sei. Mas isto  algo extra.
   Ela comeava a ter um efeito nele que no era o planejado, Marcus admitiu quando se sentou ao lado dela e desembrulhou o presente.
   Ele no tinha certeza do que esperara. Mas quando tirou o papel e viu a familiar caixa de Rolex, ficou surpreso.
   - No  novo. No podia... Mas  exatamente igual ao que voc perdeu.
   No era - no completamente - porque o relgio que perdera pertencera a seu pai. Mas ele no lhe disse isto. Colocou o relgio sem dar uma palavra e depois a
pegou e beijou-a com feracidade.
   Parecia fazer tanto tempo que ele no a beijava dessa forma - embora na realidade tinham voltado da lua-de-mel h quinze dias. E se ele no fizera amor com ela
to apaixonadamente desde que retornaram era provavelmente devido ao fato de que ela no o encorajara. Lucy teve esse breve pensamento, e depois parou de pensar
em qualquer coisa quando ele deitou-a na cama e continuou beijando-a.
   Lucy retribuiu ao beijo ardentemente. Ela o amava tanto...
   - Vocs dois esto atrasados. O que atrasou vocs? - perguntou a me de Lucy quando Lucy e Marcus entraram s pressas no restaurante.
   Lucy olhou automaticamente para Marcus. Graas a Deus estava escuro demais para que algum notasse o olhar de Marcus para Lucy.
   - Marcus, voc conseguiu seu relgio de volta - anunciou Beatrice em meio ao jantar.
   - Na verdade, no. Lucy me deu de aniversrio.
   Ele olhou para ela novamente, e desta vez Lucy suspeitou que Beatrice vira o brilho nos olhos de Marcus e percebeu a que a entrega do presente levara, porque
ela de repente sorriu e disse em voz baixa para Lucy:
   - Aha - agora sei porque pelo menos uma vez fomos os ltimos a chegar.
   J passava da meia-noite quando os dois finalmente chegaram em casa.
   - S mais trs semanas at o Natal - disse Lucy sonolenta.
   - Mmm. No incio do ano seria uma poca boa para comearmos a procurar aquela casa de campo.
   O corao de Lucy acelerou. No incio do ano o casamento deles teria terminado, graas a Nick e a Andrew Walker.
   - O que h de errado? - perguntou-lhe Marcus.
   - Nada. O que faz voc pensar que tem?
   - Oh, no sei. Talvez o fato de que a temperatura emocional tenha diminudo dez graus tenha a ver com isto - respondeu Marcus, o tom de voz frio. - Tem alguma
coisa em sua mente, Lucy.
   - No tem nada em minha mente. S estou cansada,  tudo -mentiu.
   - Quero resolver este assunto da Prt a Party antes do Natal - anunciou Marcus. - Acho que devamos ir juntos encontrar com McVicar...
   - No!
   - Por que no?
   - J disse a voc. Prt a Party  problema meu. E... e no quero ser intimidada a fazer algo que eu no queira.
   Marcus no disse uma palavra. No precisava. O olhar que ele deu para ela dizia tudo.
   S faltava uma semana para o Natal. Lucy fizera todas as suas compras. A Sra. Crabtree tirara umas frias extras para passar mais tempo com a filha e a neta.
   Ele no falara sobre Prt a Party novamente, mas havia uma tenso entre os dois que a magoava.
   Pelo menos, ele ainda fazia amor com ela - na verdade, toda noite - com habilidade, paixo e determinao. Mas no,  claro, com amor.
   A campainha tocou quando estava no hall. Ela automaticamente foi abrir e congelou quando viu Nick.
   Ela tentou fechar a porta, mas Nick forou-a, dizendo-lhe taciturnamente,
   - O que voc est fazendo? Achei que voc fosse ficar contente em me ver. Andrew me disse que ficaria quando disse para eu vir.
   - Voc no deveria ter vindo aqui - protestou Lucy. - Se Marcus vir voc...
   - Ele no est aqui, est?
   - No, est no trabalho. Mas se estivesse aqui...
   - Mas no est - interrompeu-a Nick.
   - Voc sabe, Lucy, Andrew est certo - no demos chance ao nosso casamento. Admito que fui um pouco egosta...
   - No fico surpresa que voc tenha se arrependido de ter se casado com Carring. Suponho que quando voc o compara comigo, deve ach-lo incompleto - especialmente
na cama. - Nick sorriu com afetao. - Afinal de contas, a cama  a minha especialidade - lembra-se?
   Lucy desejava dizer-lhe que tudo o que se lembrava era que ele tinha sido incompleto e vazio em todos os sentidos, mas  claro que no podia.
   - Voc foi meu primeiro amor - disse-lhe.
   - Sim, e acho que voc acabou acreditando que todos os homens seriam to bons quanto eu - certo? Bobinha. - Ele balanou a cabea. - Mas deixa para l. Logo,
logo voc e eu podemos compensar o tempo perdido. Na verdade... - Ele olhou em direo s escadas. - Por que no comeamos agora?
   - No aqui - contestou ela, tentando parecer pesarosa. - Talvez se eu for at voc... - Nunca.
   - Vir at mim? O que voc acha de eu fazer voc vir por mim, Lucy? E no levaria muito tempo, levaria? Posso ver em seus olhos o quanto voc me quer. Venha...
- Nick puxou-a em direo a ele.
   - Nick - no! Estava de sada... para encontrar com minha me.
   - Andrew me pediu para dar um recado - disse ele, soltando-a abruptamente. - Voc disse a ele que planejava deixar Carring, mas ainda est aqui morando com ele.
   - No posso sair assim - protestou Lucy.
   - No... - Nick olhou de forma especulativa para a casa. - Ouso dizer que voc quer ter certeza de que vai ganhar uma boa fatia dos milhes dele antes de sair.
   - Sim. ...  exatamente isto que estou planejando fazer - concordou Lucy. - E no posso me encontrar com Andrew neste momento, Nick. Marcus pode suspeitar.
Na verdade, j est suspeitando do fato de eu no querer que ele seja meu scio na Prt a Party.
   - Bem, Andrew est ficando muito impaciente - assim como os homens que o representam. Andrew disse para dizer a voc que se voc no se livrar de Marcus voluntariamente,
ento vai ter de fazer isso para voc. Oh, e ele disse para voc nem mesmo pensar em contar para Carring o que est acontecendo, porque ser como assinar a garantia
de morte dele.
   Lucy no tinha idia de quanto tempo fazia desde que Nick partira. Permaneceu sentada nas escadas, os braos firmes em volta de seus joelhos. Tentava estancar
uma ferida que no parava de sangrar. Ela sabia - vagamente - que devia ter escurecido do lado de fora, porque o hall estava na escurido.
   Pensamentos e imagens desassociados passavam por sua mente. A primeira noite que ela e Marcus passaram juntos; o fato de que esta semana decidiram procurar por
uma rvore de Natal. A mquina de caf expresso que ele comprara para ela - a emoo de acordar ao lado dele ali naquela casa pela primeira vez como sua esposa;
o prazer que sentia s de olhar para ele.
   Logo tudo isto chegaria ao fim. Tinha de ser assim. Caso contrrio...
   - O qu?
   - Voc me ouviu, Marcus - repetiu Lucy trmula. - Quero o divrcio.
   Ela podia ver como ele estava chocado, incrdulo e com raiva.
   - S ficamos casados durante um ms.
   Ele no conseguia acreditar na intensidade da dor que o rasgava.
   - Eu sei. Contei cada dia. Cada hora - disse-lhe Lucy verdadeiramente. - No est dando certo, Marcus. E no vou - no quero - permanecer em um casamento que
no me faz feliz. Vou achar algum lugar para morar, e ento podemos comear os procedimentos do divrcio...
   - No!
   Lucy olhou para ele.
   - Adverti voc de que quando nos casssemos estaramos nos comprometendo por toda uma vida, Lucy. No vai haver divrcio - disse-lhe Marcus furioso.
   Ele no iria deixar ela ir embora. Nunca. Ela era dele e ele a amava.
   Ele a amava? Ele amava Lucy?
   Mas isto no era possvel, H anos atrs ele jurara que no se deixaria apaixonar. Era como se houvesse uma imperfeio dentro dele, similar quelas responsveis
pelos terremotos e suas emoes - aquelas emoes que enterrara e negara, e recusava-se a admitir que podiam existir - estavam causando-lhe tanta presso dentro
dele que simplesmente no podiam ser controladas.
   Dor, mgoa, cime e uma determinao de nunca deix-la partir explodiram dentro dele com uma fora que mandou urna onda poderosa de amor dentro dele.
   Ele amava Lucy!
   Sua recusa apaixonada fizera com que Lucy ficasse indecisa entre a esperana e a alegria - e terrvel realidade do que a recusa dele significava, Ela no esperara
este tipo de reao. Esperava que ele fosse dizer-lhe que arrumasse as malas e partisse.
   - Tudo bem, no se divorcie de mim ento - disse-lhe mantendo a frieza. - Mas voc no pode impedir que eu deixe voc, Marcus, e  exatamente isso o que eu vou
fazer. Nosso casamento terminou.
   Marcus lutou para suprimir um desejo incomum de quebrar alguma coisa - porque algo dentro dele estava se quebrando. Seu corao?
   Ele sabia que desde que voltaram da lua-de-mel, Lucy no estava feliz e acreditara que sabia o porqu. Mas no sabia quais eram seus prprios sentimentos. Ele
sabia agora! Por que deixaria que Blayne a tirasse dele e arruinasse sua vida pela segunda vez? Um dia ela o agradeceria pelo que ele estava fazendo, um dia ela
veria que foram feitos um para o outro.
   - No pense que no sei o porqu disso tudo, Lucy. Porque eu sei. Sei exatamente o que est acontecendo nas minhas costas.
   Marcus sabia? No podia, podia?
   -  o Blayne, no ?
   Ele ouviu-a soltar um pequeno arquejo de admisso.
   - Vi voc com ele no aeroporto. Marcus viu? E pensou...
   - Foi coincidncia!
   O que mais ela podia dizer? Agora percebera que Marcus pensava que ela queria o divrcio porque ainda amava Nick. E no era melhor que continuasse a pensar assim?
   - Uma coincidncia muito infeliz, pois acredito que seu senso comum se voc permitisse - continuou Marcus amargamente. - Certamente voc no pode ter esquecido
o que ele fez para voc?
   - Agora  diferente - disse-lhe Lucy. Gomo isto era verdade. - Ele mudou. - E como isto era mentira.
   - Ele mudou? Voc tem certeza do que quer de verdade, Lucy? Afinal de contas, na cama voc me queria...
   - No! Sim. Sim.
   - Pensava que queria, mas no queria. No de verdade.
   Sim, queria de verdade - agora e sempre. S voc e sempre voc, Marcus. Isto est me matando e no consigo agentar. Amo tanto voc.
   - Voc est mentindo e vou provar isto.
   Marcus mal podia acreditar no que estava dizendo e fazendo. Era um homem fora do seu controle, levado a loucura pelo amor.
   Ele pegou Lucy antes que ela pudesse det-lo, beijando-a com uma fria masculina.
   Lucy sentiu as mos de Marcus puxarem suas roupas, e ela ficou imvel. Ouviu o barulho do tecido rasgando quando ele puxou um boto com violncia.
   - Voc foi para cama com ele depois que nos casamos, Lucy? Foi?
   Por favor, Deus, deixe ela dizer que no.
   - No. - Pelo menos aqui podia ser honesta.
   - No ainda? Mas voc pretende? - Por que ele estava se torturando deste jeito?
   Nunca. Com ningum se no puder ser com voc, um nico amor.
   - Nick...
   - Pare. No quero ouvir o nome dele - disse-lhe Marcus, esmagando a boca dela com a sua para silenciar as palavras que no queria ouvir.
   Lucy tremia - no de frio, e tambm no de medo, reconheceu ela. Embora fosse bem mais fcil estar com medo de Marcus.
   Mas como podia ter medo do que desejava tanto? Uma ltima vez. Uma ltima lembrana.
   Ela podia sentir a beira da cama atrs dela, e tambm podia sentir Marcus empurrando-a contra ela, tirando as roupas que restavam.
   - Posso fazer com que voc me queira, Lucy - ele advertiu-a. - E vou fazer.
   - No.
   Sim. Sim, Marcus, faa... agora. Possua-me agora. Quero voc.
   Ele nunca a possura desta forma antes. Com uma paixo que rasgava e queimava, mas ela ainda reagia a ele. Sua carne, suas emoes. Todo o seu ser ainda o apreciava
e o queria.
   - No!
   Que diabos ele estava fazendo? O suor escorria em sua testa enquanto lutava contra o calor de sua prpria raiva, afastando-a a cada batida de corao, sobrepondo
a imagem selvagem de Nick com Lucy, uma imagem mais amena de Lucy sozinha.
   Ele no podia - no daria lugar a esta dor implacvel.
   - Sim!
   Ela no iria deixar que ele fosse embora agora. No quando ele a trouxera para to perto. Lucy agarrou-se a ele e recusou-se a deix-lo ir embora, segurando-o
com sua vontade e seus msculos, mentalmente e fisicamente, enquanto ele tentava deix-la, movendo-se com ele, perto dele, sobre ele, lenta e ritmicamente, acalmando
os fogos do desejo dele assim como o seu prprio. Ela o teria. Se no fosse para sempre, por agora, Lucy sabia.
   Marcus observava Lucy, seu rosto delicadamente desenhado e seu pescoo to magro que parecia quase delicado demais para suportar o peso de sua cabea.
   Ele reiterara para ela que no se divorciaria dela, e pedira a ela que no dissesse nada sobre sua vontade de acabar com o casamento dos dois para nenhum membro
da famlia durante o Natal.
   - Voc esqueceu que pode haver uma criana? - perguntara ele com rispidez.
   - No tem - disse-lhe Lucy. Mas no tinha certeza se era verdade. Afinal de contas, transaram desde sua ltima menstruao.
   Marcus vira as lgrimas escorrendo nos olhos dela, e depois novamente na vspera do Natal, quando foram  missa de meia-noite com seus pais e a me dele.
   No dia de Natal eles se juntaram  famlia de Lucy para o almoo. Lucy mal falara ou comera, e Marcus percebera os olhares sorrateiros que as outras mulheres
lanavam para ela, obviamente compartilhando a mesma opinio que a dele de que ela estava magra e toste demais para uma recm-casada.
   Ele queria tanto ficar com ela; peg-la pela mo e faz-la olhar para o futuro; ver como poderiam ser felizes se aceitasse seu amor e rejeitasse Blayne.
   Ele a amava tanto.
   Amava? Com certeza se ele a amasse, realmente a amasse, ento a felicidade dela, os desejos dela, as lgrimas dela, importariam mais para ele do que os seus?
   Importavam, insistiu ele. E era por isso...
   Era por isso que ele estava tentando for-la a ficar com ele, no era? Esta era a medida de seu amor por ela, no era?
   Blayne a destruiria. Estava apenas a usando...
   E ele no a machucara? No a usara? No a possura quase a fora fisicamente, e no estava agora tentando fazer isto emocionalmente?
   Lucy olhou para Marcus.
   - Temos de ir. Voc sabe como  a tia Alice.
   Eles iriam para uma reunio de famlia na casa da tia Alice.
   Ela estava maravilhosa hoje - e frgil de quebrar o corao.
   - Lucy?
   Ele viu a apreenso nos olhos de Lucy quando ela o olhou, e ele se odiava por isto.
   - Estive pensando...
   Ele ia dizer que queria que os dois tentassem novamente, que queria que o casamento continuasse, que ela significava muito para ele. Lgrimas encheram os olhos
de Lucy. Se apenas pudesse dizer-lhe o quanto estas palavras significavam...
   Marcus respirou fundo. Decidira-se que tinha de provar o amor que sentia para si mesmo e para Lucy colocando as necessidades dela em primeiro lugar, aceitando
que ela tinha de ter livre escolha.
   - Voc est certa. No faz sentido nosso casamento continuar. Assim que o ano comear vou falar com meu advogado...
   Porque eu amo voc o suficiente para deixar voc ir. Porque  isso que  o amor.  colocar o que se ama em primeiro lugar. E eu amo voc, minha Lucy. Tanto, tanto.
   Ele iria divorciar-se dela!
   Ela ficou enjoada.
   Mas era isso que ela queria.
   No, no o que queria. Era isso que precisava para proteg-lo.
   - Lucy, voc est tremendo.
   - Estou com frio - respondeu ela.
   - Frio? Mas est quente aqui dentro. Voc est bem?
   - Estou.
   Estou morrendo por dentro, e nunca... nunca ficarei boa novamente. Marcus est me deixando para sempre.
   - Lucy! - Lucy tentou forar um sorriso quando Johnny veio era sua direo trazendo uma linda e tmida garota com ele.
   - Conhea a Tia. Esta  minha prima, Lucy. Quer mais champanhe, Lucy? - ele ofereceu, mostrando-lhe a garrafa que estava segurando.
   Lucy tremeu. Ela no conseguia mais nem beber caf, muito menos champanhe. E, alm disso, champanhe a fazia lembrar da primeira noite que passara com Marcus.
   - Voc ouviu falar sobre Andrew Walker ser o mentor por trs de uma gangue de trfico de imigrantes? - perguntou Johnny, continuando sem esperar que ela respondesse.
- A polcia aparentemente o observava h meses, e agora pegaram a gangue inteira. Estavam envolvidos em lavagem de dinheiro, prostituio e extorso. No fazia idia
de que ele estava envolvido com este tipo de coisa. Dessie Arlington me contou. O pai dela  advogado e disse que  muito provvel que ele passe o resto de sua vida
na priso, junto com todo o resto da gangue - quero dizer, Lucy? Lucy!
   Foi Marcus quem a pegou antes que ela casse no cho. Foi Marcus tambm quem insistiu que no havia nada de errado, que ela apenas no vinha se sentindo bem ultimamente.
Mas Lucy no sabia disso, pois ainda estava desmaiada.
   Quando ela voltou a si, vrios segundos depois, estava deitada no cho da casa de sua tia com Marcus agachado ao seu lado.
   - Est tudo bem, Lucy. Voc desmaiou,  tudo.
   - Marcus, estou enjoada - conseguiu sussurrar pra ele. - Por favor, no me deixe.
   Uma hora depois, estava debaixo das cobertas da cama de hspedes da casa de sua tia, enquanto sua me, a me de Marcus e Beatrice disputavam uma com a outra
para dizerem com excitao que tinham suas suspeitas, mas  claro que no quiseram dizer.
   Lucy estava imvel na cama, tentando digerir o que o mdico de sua tia acabara de dizer-lhe.
   Um beb. Ela esperava um bebe de Marcus. Por que no adivinhara?
   Lucy fechou os olhos e deixou que as lgrimas escorressem. Sentia-se to cansada, to chocada..,e o comentrio de Johnny sobre Andrew Walker tinha...
   Andrew Walker!
   Ela esforou-se para sentar.
   - Lucy, querida, deite-se.
   - Onde est Marcus? - perguntou ela.
   - O Dr. Holland disse que voc precisava descansar e que precisa comer um pouco mais.
   - Ela precisa de uma boa sopa nutritiva.
   Lucy fechou os olhos e deixou que o sono a dominasse. Quando acordou, Marcus estava sentado ao lado da cama.
   - Oh, Marcus...
   Mais lgrimas. Deviam ser os hormnios. Marcus segurava uma de suas mos.
   - Marcus, ns vamos ter um filho.
   - Sim, eu sei. Mais lgrimas.
   - Como voc se sente em relao a isto? Lucy olhou para ele.
   - Estou... estou feliz em ter um filho com voc. Como voc se sente?
   - Sinto que quero pegar voc em meus braos e segur-la para sempre - disse-lhe simplesmente. - Eu amo voc.
   - Marcus! - Lucy olhou-o sem acreditar. Com certeza imaginara que ele dissera aquelas palavras?
   - Voc me ama? - disse ela com a voz trmula, - Mas...
   - Sim, eu amo voc. Mesmo que eu tenha sido um idiota at reconhecer o que estava acontecendo comigo. Te amo tanto. Quero implorar que voc me deixe mostrar
o quanto. Sei que voc preferiria estar com Blayne.
   - No! Nunca! - interrompeu-o Lucy enfaticamente. - Ainda no consigo acreditar que voc me ama, Marcus. Sabia que voc me queria na cama... - O rosto dela de
repente ficou vermelho. - Nick pode ter dito que eu no era sexualmente atraente e chata porque eu era virgem, mas voc fez eu me sentir uma mulher, Marcus.
   Ela olhou para ele com ansiedade e depois disse:
   - Oh, Marcus, no quero me divorciar de voc - e, com certeza, no quero ficar com Nick. Levei um susto quando o vi no aeroporto. Esperava que ele no tivesse
me visto, mas ento ele veio at mim e disse... - Ela fez uma pausa e mordeu os lbios.
   - Fico feliz por s voc estar aqui comigo - disse-lhe. - Fiquei to cansada quando as nossas mes e Beatrice estavam aqui. Todos disseram que sabiam - mas eu
no. Achei que estava enjoando o tempo todo por causa...
   - Por causa de Andrew Walker?
   - Oh, Marcus! No contei a voc... No expliquei...
   - Tudo bem, Lucy. Sei o que estava acontecendo. Pelo menos, acho que sei - disse-lhe com suavidade.
   - Estive tendo uma longa conversa com seu primo Johnny e ele me disse sobre como Andrew Walker pediu que ele apresentasse voc a ele, e como queria investir
na Prt a Party.
   - Ele vai realmente para priso?
   - E vai ficar muito tempo, de acordo com George.
   - George? O que ele sabe sobre isto? Achei que ele fosse funcionrio pblico.
   - E . Trabalha no departamento responsvel por emitir documentos de imigrao - acrescentou ele.
   - Fiquei com tanto medo. Andrew Walker queria Prt a Party para lavar dinheiro e dar trabalho aos imigrantes ilegais que estava trazendo para o pas. Nick tambm
estava envolvido...
   - Por que voc no me contou? Para proteger Nick Blayne?
   Lucy balanou a cabea.
   - No me importo com o que acontea com Nick - disse-lhe. - Nunca deveria ter me casado com ele. S me casei porque...
   - Por que o qu?
   - Por que amava tanto voc e voc no me queria. Tinha medo de fazer uma tolice, tipo aparecer no seu escritrio e implorar para voc fazer amor comigo. Achei
que se eu tivesse um marido, comearia a me comportar como uma adulta, e no como uma adolescente. E, alm disso, me sentia uma idiota ainda sendo virgem, porque
no queria fazer amor com outra pessoa que no fosse voc... Marcus? - sussurrou ela com a voz trmula. - Voc est chorando.
   - Lucy, Lucy. - Ele a segurava com firmeza, a voz abafada pelo cabelo dela enquanto a balanava em seus braos.
   - Casar com Nick no funcionou nem um pouco - apenas fez com que eu quisesse voc ainda mais. E quando Nick no quis mais transar comigo fiquei feliz.
   - Lucy, por que voc no me contou sobre Walker?
   - No parecia importante. No a principio. Mas depois...depois j era tarde demais. No sabia no que ele estava envolvido antes de Dorland me dizer. Mas ele
disse que queria a Prt a Party, e me disse que no ia deixar que nada ou ningum ficasse no caminho dele. Nem mesmo voc... especialmente voc.
   - Ele sabia sobre Prt a Party antes de John falar com ele. Nick falara com ele. Quando Nick me viu no aeroporto, me disse que ele e Andrew Walker tinham mandado
aquele vdeo. Oh, Marcus. Fiquei to assustada.
   - E eu vi voc com Blayne e pensei...
   - Teria pensado a mesma coisa - Lucy tentou confort-lo quando percebeu o quanto estava bravo consigo mesmo.
   - Achei que voc tivesse decidido que queria ele, no eu,
   - No. Eu nunca o quis.
   - E voc se casou com ele por minha causa.
   - Sim, me casei-admitiu Lucy. - E foi uma coisa horrvel fazer isto, Marcus. Porque eu o traa assim como ele. Nunca poderia amar Nick. Nunca o amei. S casei
com ele porque no queria ser um aborrecimento para voc. E depois queria proteger voc de Andrew Walker. Ele me disse que foi ele quem mandou te assaltarem em
Leeds. Disse que mataria voc se eu no deixasse ele ser scio da Prt a Party... Oh, no, Marcus - protestou Lucy quando viu o brilho de emoo nos olhos de Marcus.
- Por favor, no...
   - Lucy, sou eu quem deve te proteger. Oh, Lucy, Lucy, meu amor.
   - Seu amor? - repetiu Lucy maravilhada.
   - Meu amor, meu nico e eterno amor, Marcus concordou ternamente. - Eu amo voc. Independente de qualquer coisa, Andrew Walker, Nick Blayne, at mesmo nosso
beb, eu amo voc. Sei disso agora. E tambm sei que sempre vou amar voc. Nada vai mudar isso.
   - Oh, Marcus!


   EPLOGO

   Um ano depois.
   - Ento, deixe-me propor um brinde, a minha esposa Lucy, a Empresria do Ano, me do meu filho, e dona do meu corao - acrescentou Marcus em uma voz mais baixa
que s Lucy pde escutar enquanto todos os outros levantavam as taas e brindavam.
   - Nunca teria coragem de abrir um novo negcio se no fosse voc - disse-lhe Lucy amorosamente.
   - No se subestime, Lucy. Voc  uma mulher extremamente talentosa. Jnior Prt a Party  a prova disto.
   - Gostaria de saber o que Andrew Walker pensaria se soubesse como usei a idia dele - disse Lucy com malcia. - Nunca passara na minha cabea fazer uma franquia.
E com um beb, pude ver que havia uma necessidade real de as mulheres ajudarem umas s outras na organizao das festas das crianas e batizados. Faz tanto sentido
para as mes se reunirem e dividirem os gastos de tudo o que precisam, e planejar as festas em conjunto. Dessa maneira, cada criana dentro daquele grupo tm a festa
que quer e todas as mes sabem que tm uma equipe de ajudantes a quem podem pedir ajuda.
   - E tudo por um pagamento anual bem modesto.
   - Bem, foi uma idia brilhante chamar Carly e Ricardo e Julia e Silas. Com os fundos da instituio de caridade de Ricardo e Silas, e os jovens do orfanato de
Ricardo que ajudam no trabalho, no estamos s dando festas para crianas, mas tambm educao e trabalho.
   - Como eu disse, voc  uma mulher muito inteligente - repetiu Marcus.
   - Fui certamente inteligente o suficiente para me apaixonar por voc - concordou Lucy.

   FIM

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